Você sabe o que colocam no seu prato (e você come) todos os dias?

Transgênicos: fora do nosso prato!

 

Somos contra a liberação dos transgênicos no meio ambiente, pelos impactos imprevisíveis, irreversíveis e incontroláveis. Ainda há pouquíssimos estudos sobre o que pode acontecer com a saúde humana ou animal caso esses organismos sejam plantados ou consumidos. Até agora, ninguém conseguiu provar que eles sejam seguros.

Ameaça à saúde humana:

Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar relatórios nesse sentido – e ainda assim, seus produtos são aprovados. Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.
E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa.

Contaminação genética:

Agricultores que queiram se dedicar ao cultivo convencional ou orgânico já sabem: se tiver alguma plantação transgênica nas redondezas, a contaminação é garantida e a missão, impossível. Tem sido assim nos Estados Unidos, onde tudo começou, na Europa, Argentina e sul do Brasil. Com a contaminação, agricultores têm prejuízos ao perderem o direito de vender suas safras como convencionais e/ou orgânicas.

Ameaça à biodiversidade:

A contaminação genética pode ter também um efeito devastador na biodiversidade do planeta. Ao liberar organismos geneticamente modificados na natureza, colocamos em risco variedades nativas de sementes que vêm sendo cultivadas há milênios pela humanidade. Além disso, os transgênicos podem afetar diretamente seres vivos que habitam o entorno das plantações, conforme indicam estudos científicos – como no caso das borboletas monarcas, que são insetos não-alvo da planta transgênica inseticida, mas são também atingidas.

A empresa de biotecnologia Monsanto é hoje a maior produtora de sementes do mundo, convencionais e transgênicas. Além disso, é também uma das maiores fabricantes de herbicidas do planeta, com destaque para o Roundup, muito usado em plantações de soja geneticamente modificada no sul do Brasil. Com essa venda casada – semente transgênica mais o herbicida ao qual a planta é resistente -, os agricultores ficam presos num ciclo vicioso, totalmente dependentes de poucas empresas e das políticas de preços adotadas por elas.

Fora das corporações que comercializam os alimentos, como a Cargyll que se dedica aos grãos, e os especuladores que operam na Bolsa de Valores, o controle dos alimentos está realmente nas mãos de quatro corporações. F. William Engdahl, autor de “Seeds of Destruction. The Hidden Agenda of Genetic Manipulation” (Sementes de destruição. A agenda escondida da manipulação genética, em tradução livre) as chama de “os quatro cavaleiros do apocalipse dos transgênicos”, e são as seguintes: Monsanto Corporation, Du Pont Corporation e a sua Pioner Hi-Brend International e Daw Agro Sciences – todas norte-americanas –, e Syngenta, que é suíça. Essas corporações utilizam os transgênicos, ou sementes geneticamente modificadas, como sua maior arma.

O Brasil tem uma lei de rotulagem em vigor desde 2004, que obriga os fabricantes de alimentos a rotular as embalagens de todo produto que usam 1% ou mais de matéria-prima transgênica. No entanto, apenas duas empresas de óleo de soja rotulam algumas de suas marcas do produto – e mesmo assim só depois de terem sido acionadas judicionalmente pelo Ministério Público. Há milhares de produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros que chegam à mesa das pessoas sem a devida informação sobre o uso de substâncias geneticamente modificadas, numa afronta direta à lei e num claro desrespeito ao consumidor. E agora, ainda querem retirar a informação visual dos poucos produtos que foram rotulados:
Senadora Kátia Abreu quer excluir símbolo de alerta transgênico

O Conselho Técnico Nacional de Biossegurança – órgão consultivo do governo para produtos geneticamente modificados – aprovou no dia 15 desse mês, o feijão transgênico, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ainda passará por alguns procedimentos técnicos e as sementes deverão chegar aos produtores em três anos.

Primeiro, a soja; depois o algodão, o milho, o arroz, agora o feijão! Nossa comida está sendo transformada e somos as cobaias…

Ufanismo coloca feijão transgênico no prato do brasileiro

Quem é contra, quem é a favor?

“Mas ainda uma vez vale a pena observar uma inversão semântica: pessoas e cientistas que se manifestam a favor de respeito ao princípio da precaução e de estudos científicos (impactos sobre outras espécies e a biodiversidade) e na área de saúde (epidemiológicos, para avaliar possíveis danos à saúde humana) são acusados de ser contra a ciência, de manterem posturas “ideológicas”; já pessoas e cientistas a favor de liberação dos novos produtos, sem necessidade daqueles estudos científicos, são apontadas como “verdadeiros cientistas”.” 

Muita gente se deu mal ao escolher plantar as sementes transgênicas… veja porque:
Latuff aos sojeiros: Eu disse a vocês…

Por que os alimentos transgênicos não vão acabar com a fome no mundo: O problema da fome no mundo certamente não ocorre por falta de produção de alimentos, mas sim devido a causas sócio-econômicas. Acontece que a maior parte da riqueza, especialmente nos países pouco desenvolvidos (onde ocorre a maior parte do problema), está concentrada nas mãos de uma minoria, assim os que podem comprar comida o fazem, mas os que não têm condições para isso passam fome. 

Se a questão fosse acabar com a fome, haveria maior preocupação no transporte, armazenamento, enfim, cuidados pós-colheita em geral, e assim não seriam perdidos tantos alimentos. Além disso o desperdício de comida causado por restaurantes e por nós mesmos é muito alto!

Mais em: Por que os alimentos transgênicos não vão acabar com a fome no mundo

“Quem controla as sementes também controla os povos.
Com a desculpa de contribuir com o desenvolvimento do planeta, um pequeno grupo de empresas controlam, em nível mundial, as sementes necessárias para a semeadura. Com os transgênicos e suas patentes, têm a chave da cadeia alimentar.”

Como reagir à invasão dos organismos geneticamente modificadas (OGMs), popularmente conhecidos como TRANSGÊNICOS

Existem países que não tenham sucumbido à “invasão” dos transgênicos?

Fernández – Provavelmente sim, porque o mecanismo que essas corporações usam para introduzir suas sementes transgênicas de alguma forma depende da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por isso, é possível que nem todos tenham sucumbido ainda aos transgênicos. Mas é difícil saber com certeza. Por exemplo, em 2004, 56% do feijão – brotos – de soja e 28% do algodão no mundo eram transgênicos. No Terceiro Mundo, essas sementes se impuseram fundamentalmente pelo nível de vulnerabilidade que esses países tinham e pela cumplicidade de seus governos e elites – como foi o caso da Argentina. Mas, em outros lugares, se impuseram pela força, como ocorreu no Iraque depois da invasão, como parte da terapia de choque econômico.

Durante um tempo, a União Europeia não permitiu transgênicos por questões científicas e de saúde – questionavam-se os efeitos desses alimentos sobre a população. Mas, em 2006, ela mudou de opinião. Não é fácil saber quantos transgênicos existem, nem em que países. Pelo momento, os EUA, o Canadá e a Argentina são os que têm o maior índice de contaminação de grãos geneticamente modificados.

Como os povos podem reagir frente a tanto atropelo? O que fazer?

Fernández – O exemplo da União Europeia mostra que é legítimo resistir e que é possível fazê-lo mesmo que seja só para deter o processo e criar uma consciência com relação a essa imposição de transgênicos – especialmente quando desconhecemos as consequências que eles têm para a saúde e no marco da soberania nacional.

Vandana Shiva, prêmio Nobel Alternativa, organizou a resistência campesina na Índia e contribuiu com o conhecimento sobre os transgênicos. Shiva escreveu numerosos livros, entre eles “Monoculturas da Mente” (Global Editora, 2003), “Earth Democracy. Justice, Sustainability and Peace” [Democracia da Terra. Justiça, Sustentabilidade e Paz, em tradução livre], “India Dividida. Asedio a la Diversidad y a la Democracia”. Shiva criou o movimento Nardanaya, http://www.nardanya.org.

Na América Latina, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil, que é um dos movimentos mais ativos e conhecidos internacionalmente, lutou contra os transgênicos ao longo de mais de 25 anos.

Em nível pessoal, é importante que as pessoas se informem. Escritores como F. William Engdahl, com seu livro “Seeds of Destruction. The Hidden Agenda of Genetic Manipulation” [Sementes de destruição. A agenda escondida da manipulação genética, em tradução livre] contribuíram, para que entendamos a agenda que querem nos impor. Michel Chossudovsky mostrou o que se esconde por trás da globalização em seu livro “Globalização da pobreza. Impactos das reformas do FMI e do Banco Mundial” (Moderna Editora, 1999). O professor Chossudovsky também tem uma página eletrônica, recentemente premiada com o Prêmio Internacional de Jornalismo como o Melhor Portal de Investigação Internacional: http://www.globalresearch.ca.

Entrevista de Mario R. Fernández, do jornal mensal Alternativa Latinoamericana, produzido no Canadá.
Quem controla as sementes também controla os povos 

Fontes: além das fontes referenciadas nos links, o post também contém informações do site do Greenpeace.

 
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