Endividamento crescente afeta 64% das famílias | Valor Econômico

Endividamento crescente afeta 64% das famílias

A cada cem famílias brasileiras, 64,2 estavam endividadas em maio, de acordo com a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O número é maior do que o verificado no mesmo mês de 2011, quando 58,7% das famílias declararam ter dívidas. O principal tipo de dívida? O cartão de crédito, indicado, segundo a CNC, por 71,8% das famílias.

Além disso, a capacidade de pagamento vem diminuindo. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), elaborados com base em informações divulgadas pelo Banco Central, indicam que a taxa de inadimplência das pessoas físicas, em abril, atingiu 7,6%, mais que os 6,1% observados no mesmo mês de 2011. Esse crescimento também aconteceu em cartões de crédito. No mesmo período, registrou 8,5% e 8,3%, respectivamente.

O cartão de crédito ganhou mais peso no endividamento das pessoas porque também passou a ser mais utilizado. Carlos Almeida, da Serasa Experian, comenta que o cartão de crédito é o meio de pagamento em 34% das transações. O cheque, por sua vez, paga 15% delas. Há cinco anos, o quadro era o inverso. O cheque respondia por 38,3%, e o cartão, por 24%. “Parte dos usuários do cheque passou a ser usuário do cartão de crédito”, comenta. “Se não tinha bom comportamento no cheque, passou a não ter no cartão também”, diz.

Mas é o crédito rotativo, utilizado para refinanciar o valor das faturas, o vilão do endividamento no cartão. “As taxas cobradas no rotativo tornam a dívida impagável”, afirma Hessia Costilla, economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), mencionado que a média dessas taxas é de 237,9% ao ano.

Dados da Abecs indicam que o cartão de crédito responde por 18% da carteira total de crédito a pessoas físicas, que em abril totalizou R$ 673,3 bilhões. Com isso, dos R$ 121,5 bilhões financiados pelo cartão, 69% foram utilizados em pagamentos de uma única parcela. Os 31% restantes representam o volume destinado a financiamento pelo cartão, incluindo o parcelamento sem juros e o rotativo. Sobre essa fatia, que soma R$ 37,7 bilhões, 60% não estão expostos a juros. Sobre os outros 40% – R$ 15,1 bilhões – recai o rotativo.

Eduardo Abreu, diretor da Abecs, comenta que a associação vem incentivando os bancos a desestimular o uso do rotativo. Isso, segundo ele, seria alcançado por meio de iniciativas de educação. “É preciso ensinar o cliente a usar o cartão”, destaca.

O foco das iniciativas, recomenda Abreu, deveria ser o de tirar o cliente do rotativo, ou não permitir que ele assuma tais encargos. Uma das formas, de acordo com Raul Moreira, diretor da área de cartões do Banco do Brasil, seria oferecer linhas de crédito com taxas de juros mais baixas, algo que o banco já vem praticando. E já há resultados nesse sentido. Moreira comenta que, ao comparar o primeiro trimestre deste ano ao mesmo período de 2011, o volume de crédito rotativo apresentou queda de 7%. O faturamento em cartões, por sua vez, teve uma expansão de 24% no mesmo período. “O uso do cartão foi intensificado, mas o endividamento vem caindo”.

Outro ponto importante, diz Moreira, é reforçar o cartão como meio de pagamento, e não como um instrumento de crédito.

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