A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em janeiro 27, 2016 por RedaçãoTags: crise financeira global, economia 7 2  5  [EcoDebate] O ano de 2015 foi o pior ano para o mercado de capital desde 2008, embora o PIB global tenha crescido perto de 3%. Mas o começo de 2016 bateu todos os recordes negativos e foi o pior início de ano da história das bolsas de valores. Tanto o Banco Mundial, quanto o Fundo Monetário Internacional falam em redução do crescimento econômico. Mas os últimos dados mostram que o quadro é mais grave e pode haver uma grande recessão mundial.Na verdade, a economia internacional está chegando ao fim de um período de crescimento derivado do “super-ciclo das commodities” e do “super-ciclo do crédito”. Numa situação de baixo nível de produtividade e com problemas acumulados ao longo dos anos, tudo indica que uma nova recessão é provável. A América Latina vai ter dois anos seguidos de recessão (2015 e 2016), enquanto o Oriente Médio e Norte da África pode seguir os mesmos passos da América ao sul do rio Grande.O preço das commodities já vinha caindo desde 2012, mas se acelerou bastante com a queda do preço do barril de petróleo que passou de mais de US$ 100,00 em 2014, para menos de US$ 50,00 em 2015 e para menos de US$ 30,00 no início de 2016. Até o índice do preço dos alimentos da FAO caiu para um nível abaixo do alcançado em 2009. Aparentemente, seria bom a queda do preço da energia e da comida, porém, os países emergentes e em desenvolvimento que dependem das receitas de exportação viram suas receitas caírem e seus problemas se agravarem.Paises que eram exemplos de emergência – como Brasil, Rússia e África do Sul – estão em severa crise. Os BRICS desmoronaram. Outros países estão em guerra, como a Síria, o Iêmen, a Líbia, o Iraque, a Ucrânia, etc. Ou seja, o chamado “Sul Global” que vinha liderando o crescimento mundial perdeu fôlego. Até a China parece interromper um período excepcional de 40 anos do maior crescimento da história da humanidade. Todos os países exportadores de petróleo e a empresas petrolíferas estão em crise.Em 2013 escrevi um artigo no EcoDebate, com base em estudo da consultoria Mackinsey, mostrando que as dívidas dos domicílios (famílias), governos, empresas e setor financeiro passou de US$ 87 trilhões no quarto trimestre de 2000 para US$ 142 trilhões no quarto trimestre de 2007 e para US$ 199 trilhões no segundo trimestre de 2014. Em proporção do PIB a dívida total passou de 246% em 2000, para 269% em 2007 e atingiu 286% em 2014. Naquele momento já se falava no estouro da bolha de crédito e em uma nova recessão internacional.Desde a crise de 2009, os diversos governos dos países desenvolvidos implantaram uma política monetária liberal, com ampla disponibilidade de crédito (Quantitative Easing) e baixas taxas de juros, visando incrementar as taxas de investimento e o crescimento econômico. Mas o que cresceu bastante neste período não foi a economia real, mas sim a especulação do mercado de capitais, como mostra o índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque que passou de menos de 7 mil pontos em 2009 para mais de 18 mil pontos em 2015. A tendência agora – depois que o FED iniciou um processo de aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos – é a diminuição da especulação financeira, mas sem a retomada das taxas de investimento. O mercado financeiro está em uma encruzilhada: se os juros ficarem próximos de zero a bolha financeira tende a crescer, agravando a crise financeira futura e se os juros subirem a bolha esvazia. Os últimos dados mostram que a perspectiva é de crise recessiva, queda do valor das ações, aumento do desemprego e queda da renda.Artigo de Michael Snyder (ainda em dezembro de 2015) mostrava que os 5 maiores bancos nos Estados Unidos (“grandes demais para falir”) tinham exposição a contratos de derivativos acima de 30 trilhões de dólares. Ele mostra que os maiores bancos dos EUA têm coletivamente mais de 247 trilhões de dólares de exposição a contratos de derivativos. Essa é uma quantidade de dinheiro que é mais de 13 vezes o tamanho da dívida nacional dos EUA e é uma bomba-relógio que pode desencadear um Armageddon financeiro a qualquer momento (como parece acontecer neste início de janeiro). Snyder também mostra que, globalmente, o valor nominal de todos os contratos de derivativos em aberto é de 552,9 trilhões de dólares, de acordo com dados do Banco de Pagamentos Internacionais.O autor gosta de se referir ao mercado de derivativos como uma forma de “jogo legalizado”. Aqueles que estão envolvidos na negociação de derivativos estão simplesmente apostando que algo vai ou não vai acontecer no futuro. Derivados desempenharam um papel crítico na crise financeira de 2008 e devem ter um papel de protagonista nesta nova crise financeira. O bilionário Warren Buffett se refere aos derivativos como “armas financeiras de destruição em massa”.Desde a última crise financeira, os grandes bancos americanos tornar

Fonte: A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

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1 comentário

  1. E sem poder nomear pessoas culpadas no mundo todo, acredito ser mais ético nomear as atitudes culpadas de tal situação, como a falta de interesse em administrar, reorganizar, implantar soluções, unir forças para virar o jogo… E que a carapuça seja bem recebida por quem tiver censo e brio!

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