Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em julho 20, 2016 por RedaçãoTags: crise ambiental, populaçãoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar “Certo ar de falência, certa estrelana testa, certa sorte bifronte, certosobjetos entesouradosno fundo de uma mala, certa mágoaambígua, o som de certos ambientes, aimpressão incerta de estar numatravessia sem freios, a defesade certos itens na lembrançacaolha, certoscalafrios sem causa, o graude inocência e tristeza em certas horassombrias, a importância de certosdetalhes, a pergunta não-feita e sua certaresposta incerta, o brilhoanterior a certos sinais dadospela palavra espanto”Leonardo Fróes  [EcoDebate] O sociólogo Ulrich Beck, no livro “Sociedade de Risco: rumo a uma outra modernidade” (Editora 34, 2010) faz uma distinção entre a “modernidade clássica” (ou primeira modernidade) e a modernidade tardia (ou segunda modernidade). No primeiro caso, quando prevalecia a “sociedade industrial” ou “sociedade de classes” a dinâmica econômica e demográfica girava em torno da questão de como a riqueza socialmente produzida poderia ser distribuída de forma socialmente desigual e ao mesmo tempo “legítima”: “O pensamento e a ação das pessoas eram dominados pela evidência da carência material, pela ‘ditadura da escassez’” (p. 24).Mas na modernidade tardia surge um novo paradigma da sociedade de risco. Assim como no século XIX a modernização dissolveu a esclerosada sociedade agrária estamental e, ao depurá-la, extraiu a imagem estrutural da sociedade industrial, hoje a modernização dissolve os contornos da sociedade industrial e, na continuidade da modernidade, surge uma outra configuração social.Beck diz: “Enquanto na sociedade industrial, a ‘lógica’ da produção de riquezas domina a ‘lógica’ da produção de riscos, na sociedade de risco, essa relação se inverte”. Na reflexividade dos processos de modernização, as forças produtivas perderam a inocência. O acúmulo de poder do progresso tecnológico-econômico é cada vez mais ofuscado pela produção de riscos” (p. 15). Entre os principais riscos da modernidade radicalizada estão a degradação ambiental e o aquecimento global. Nesses novos conflitos ecológicos, o que está em jogo são negatividades: “perdas, devastação e ameaças”.Faço a revisão acima, para refletir sobre a questão populacional no quadro atual da modernidade tardia e da sociedade de risco. Em especial, pretendo questionar a validade do bordão “O desenvolvimento é o melhor contraceptivo” lançado na Conferência Mundial de População, ocorrida em 1974, na cidade de Bucareste. Como se sabe, este bordão foi lançado para combater as visões neomalthusianas que defendiam uma aceleração da transição da fecundidade no mundo e para marcar a defesa do desenvolvimentismo como forma de solucionar os problemas da pobreza e do engrandecimento das nações do “Terceiro Mundo”.Os dois países mais populosos do mundo (China e Índia), com apoio do demais países do movimento dos “não-alinhados” (inclusive Brasil) colocaram o crescimento econômico como prioridade da agenda nacional e internacional. O que a Conferência de População de Bucareste fez foi reforçar a intenção de mimetizar o processo de desenvolvimento da sociedade industrial do “Primeiro Mundo”, como se o modelo da primeira modernidade fosse um evento positivo (a la Augusto Comte) que mereceria ser globalizado, generalizado e absorvido por todos os países do Planeta. O desenvolvimento é encarado como a utopia da grandeza econômica, nacional, cultural, religiosa, militar, etc.A ideologia desenvolvimentista no campo de população e da acumulação de capital, em geral, ignora ou subestima os riscos ambientais globais e minimiza os desafios do crescimento demoeconômico em nome da escalada do progresso industrial e do avanço das forças produtivas capazes de dominar e controlar a natureza. Ou seja, a Conferência de Bucareste (e de certa forma o ODM, do ano 2000 e o ODS, da agenda 2015-2030) estabeleceu uma prioridade em relação à transição da economia agrária e rural para a economia urbano-industrial em detrimento da transição demográfica. Como disse o Papa Paulo VI, no espírito da encíclica Humanae Vitae, com seus princípios natalistas e populacionistas: “Precisamos aumentar o banquete e não diminuir os comensais”.Mas em 1960, o mundo tinha uma população de 3 bilhões de habitantes. Em 2016 já são 7,4 bilhões de habitantes. Um aumento de 4,4 bilhões em apenas 56 anos. A projeção média para o final do século é de 11,2 bilhões de habitantes em 2100. Serão, portanto, acrescidos outros 4 bilhões. Se fosse na lógica da segurança da “modernidade sólida” (expressão de Bauman) a questão central seria como produzir riquezas e como repartir os seus frutos. Mas na lógica da sociedade de riscos, este crescimento populacional pode simplesmente estar colocando pessoas no mundo para sofrer com as inseguranças da modernidade tardia e colocar ainda mais estresse sob

Fonte: Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

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