Start-ups de logística com entregador autônomo cortam custo de frete

Danilo Verpa/Folhapress
Juca Oliveira, fundador da B2Log, na sede da empresa, em São Paulo
Juca Oliveira, fundador da B2Log, na sede da empresa, em São Paulo

RAFAEL ANDERY
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

23/07/2017  02h00

Empresas de todos os tamanhos estão substituindo atores tradicionais do setor de entregas e grandes transportadoras por pequenas companhias recém-criadas.

“Quando nossa empresa abriu usávamos muito o serviço dos Correios. Nosso volume de comércio era baixo e tentávamos entender como o mercado funcionava”, diz Pamela Hidani, fundadora do Best Berry, clube de assinatura de comida saudável com mais de 5.000 clientes.

Com o crescimento, diz Hidani, surgiram problemas com prazo de entrega.

“Procuramos outras opções e encontramos uma transportadora com preço menor e que garantia a entrega em 24 horas. Como estão começando, somos mais representativos na cartela de clientes deles e conseguimos valores melhores.”

A empresa contratada pela Best Berry é a B2Log, que se apresenta como companhia de “entregas criativas” para e-commerce.

Basicamente, ela opera em um sistema de “marketplace”, similar ao de empresas como Uber, conectando entregadores autônomos ao comércio eletrônico que precisa fazer suas entregas.

“Começamos a trabalhar nessa ideia no final de 2012, mas só conseguimos o primeiro cliente depois de oito meses”, afirma Juca Oliveira, um dos fundadores da B2Log.

“Quando surgimos, nosso preço fixo não era tão competitivo, oferecíamos um serviço ‘premium’ de entrega rápida que nos dava certa penetração, mas nada fora do normal”, acrescenta.

Veio a crise, e a estratégia mudou. Desde o início do ano, após algumas adaptações, a companhia consegue oferecer fretes até 45% mais baratos do que a concorrência tradicional, diz Oliveira.

Com a popularização dos smartphones, o “marketplace” hoje é moda entre as start-ups de logística.

Mas o começo foi duro. Em 2012, Carlos Mira, então diretor de uma transportadora tradicional de sua família, visitou o Vale do Silício, nos EUA, e voltou encantado com a novidade. Queria aplicá-la na sua área, conectando carreteiros autônomos aos embarcadores -pequenas e médias indústrias que não têm frota e precisam fazer entregas pelo país.

“Obviamente, me chamaram de idiota. Na época, nenhum caminhoneiro tinha um smartphone”, conta.

A primeira versão do aplicativo TruckPad, lançada em 2013, teve que ser testada em celulares dados a motoristas.

“Em um ano, tive cem downloads”, diz. E então veio a crise. “De 2015 para cá, já ultrapassei 500 mil instalações do aplicativo, com 8.000 empresas cadastradas.”

Uma delas é a TechDuto, que vende dutos para indústrias, e que tem unidades em São Paulo e Recife.

“Por mais de dez anos, trabalhamos com transportadoras e com agenciadores, pessoas que ficam em postos de gasolina fazendo a intermediação entre caminhoneiros autônomos e embarcadores”, conta Pedro Costa, gerente comercial da empresa.

“Em meados de 2015, um caminhoneiro nos mostrou o aplicativo. Desde então, substituí meu intermediário e consigo agendar viagens em menos de 20 minutos. Tive 35% de redução de custos no frete, e ainda consigo pagar mais ao caminhoneiro, já que cerca de um terço do valor anterior ficava nas mãos de agenciadores”, conta Costa.

“Uma viagem que eu fazia por R$ 1.000 sai hoje por R$ 650 com o aplicativo.”

Segundo Rafael Ribeiro, diretor da Associação Brasileira de Startups, cerca de cem dessas empresas se cadastraram na área de transportes do banco de dados da associação nos últimos quatro anos.

“Start-ups conseguem ser competitivas por entregar mais rápido e mais barato. Esse mercado vem numa crescente sem volta”, diz Ribeiro.

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Fonte: Folha de S.Paulo

O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula | Portal EcoDebate

O Fetiche Da Previdência, Artigo De Amadeu Roberto Garrido De PaulaArtigo by Redação – 22/12/20160Compartilhe  Charge in Humor Político – http://www.humorpolitico.com.br/ %5BEcoDebate%5D

O cidadão tende a confiar, em princípio, no discurso de seus governos legítimos. Por seu lado, os governos não podem e não devem mentir aos cidadãos. Lamentavelmente, o Brasil é um país de confiança fundada do povo e de escancaradas mentiras de seus governantes, num terreno de difícil acesso à compreensão da maioria da população – finanças públicas.Há anos o Brasil vive sob grosseira inconstitucionalidade. O dispositivo nevrálgico, porém maltratado, está no art. 167 de nossa Constituição da República, ao dispor: “É vedado: XI – a utilização de recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.” O art. 201 discrimina os benefícios.Os mencionados recursos estão previstos no art. 195, nestes termos: “A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e das seguintes contribuições sociais”.I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei, incidente sobre:a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;b) a receita ou o faturamento;c) o lucro.II. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidos pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;III. sobre a receita de concurso de prognósticos.Nada mais claro. Contudo, desde 1994 esses recursos estão sendo desviados por sucessivos governos, supostamente para pagamento dos juros da dívida da União. Supostamente porque, no Brasil de hoje, não sabemos aonde vão parar os desvios. No referido ano, foi criada o Fundo Social de Emergência. Depois passou-se à Desvinculação de Receitas Federais. Finalmente, por força da Emenda Constitucional n. 68, Desvinculação das Receitas Federais (DRU). Consequência: no final de 2015, dos 1,8 trilhão arrecadas pelo Tesouro por meio dessas receitas vinculadas, 1,1 trilhão foram apropriados pela União.Os governos, inclusive o atual, sempre sustentaram a constitucionalidade desse procedimento incorreto, jurídica e moralmente, socorrendo-se da Emenda Constitucional n. 68, que deslocou 20% dos recolhimentos de seu caminho reto. Ocorre que Emenda Constitucional também pode ser inconstitucional, sendo entendimentos de Cortes Supremas internacionais e de nosso Supremo Tribunal Federal.Feita essa consideração, ao lado de outras, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Brasil divulgou um quadro, com dados irrespondíveis, demonstrativo de que a Previdência não gera nenhum “deficit”, inclusive para o pagamento de aposentadorias, mas, ao contrário, produz “superavit”. Se considerarmos falsas as demonstrações dos Auditores Fiscais, a República, efetivamente, está perdida.O que nos leva a por de manifesto essa situação crônica é o sentimento, que o governo dissemina na sociedade, de que o grande vilão de nossas desgraças é a Previdência Social. Como se renúncia fiscal para indústrias automobilísticas não houvesse nos empobrecido, com carros na porta e em ruas intransitáveis. Várias outras isenções e imunidades foram concedidas, especialmente por meio de emendas “jabutis” contrabandeadas em leis de conversão em medida provisória, até que o STF as proibiu, porém somente “ad futurum”, em ação direta de inconstitucionalidade subscrita pelo autor destas modestas linhas.Enfim, nossos trabalhadores vão pagar a corrupção, as irresponsabilidades e as bandalheiras, mais uma vez em nossa sofrida história. No mínimo, deveriam vir à luz todas essas circunstâncias e não ficar-se no discurso único e equivocado de que o “saneamento” da Previdência Social saneará o Brasil. Entretanto, a divulgação da demonstração feita pelos Auditores Fiscais do Brasil permanece somente nas redes sociais, como se fosse algo impatriótico.Amadeu Roberto Garrido de Paula, é advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas. in EcoDebate, 22/12/2016″O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/12/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/12/22/o-fetiche-da-previdencia-artigo-de-amadeu-roberto-garrido-de-paula/. %5BCC BY-NC-SA 3.0]

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A ‘arte’ da sonegação, artigo de Osvaldo Bertolino | Portal EcoDebate

A ‘arte’ da sonegação, artigo de Osvaldo BertolinoPublicado em março 30, 2016 por RedaçãoTags: economia, sociedade 0 0  0  [EcoDebate] Antes de tudo, é preciso definir o conceito de corrupção. Parece certo pensá-la, em poucas palavras, como compra e venda de favores ilícitos. Qualquer pessoa que rompa com a lógica da sua função para favorecer determinado interesse, visando alguma forma de benefício, pode ser considerada um corrupto. E a pessoa, física ou jurídica, que comprar tais favores pode ser considerada corruptora.Analisar a corrupção no Brasil tendo essa definição como premissa é ter a certeza de que Os corruptos de peso normalmente são pessoas que entregam seu dinheiro apenas para instituições bancárias muito bem enfronhadas nas malandragens do mundo financeiro. Se não fosse assim, já teriam perdido tudo ou grande parte do que possuem.Os departamentos de private banking das mais conhecidas instituições financeiras do Brasil recrutam profissionais com a tarefa exclusiva de atender a esse seleto público — essa categoria de pessoas, os chamados high net worth clients (HNWC), só aceita conselhos de consultores que consideram do seu próprio nível. E são mestres na arte da sonegação de impostos.A universalização da malandragem nessa área mostra uma outra face perversa do Brasil. Estima-se que do total de contribuintes mais endinheirados a quantidade que declara sua renda deve representar entre 40% e 50%. Quando o ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, depôs na CPI dos Bancos, ele revelou números estarrecedores. Das 530 maiores empresas do país, metade não paga Imposto de Renda (IR).O mesmo ocorre com os bancos. Das 66 maiores instituições financeiras, 42% não recolhem IR. A Receita tinha, na ocasião, R$115 bilhões a receber em impostos devidos pelas empresas que não foram pagos por causa do que Maciel chamou de “indústria de liminares”. No sistema financeiro, 34% dos débitos reconhecidos com a Receita estavam com o pagamento suspenso por causa de liminares.Em 1999, as empresas deixaram de pagar cerca de R$12 bilhões em impostos nos últimos cinco anos decorridos até ali, dos quais R$3,5 bilhões seriam devidos pelos bancos. O motivo: a Lei 8200, de 1991, permitiu a correção monetária das despesas nos balanços, mas não fez o mesmo com as receitas. Boa parte dos dólares aplicados por investidores estrangeiros no país seria de brasileiros.O dinheiro, depositado em paraísos fiscais, retorna ao país sob a forma de investimento em ações e em aplicações de renda fixa, sem identificação do titular da conta, e sai sem pagar imposto algum. As empresas estrangeiras registram o capital que investem no país como empréstimos feitos pela matriz para poder remeter os juros às matrizes sem pagar IR.]Sonegar virou uma vantagem “competitiva” no Brasil. As empresas que atuam na legalidade são obrigadas a enfrentar concorrentes que, por não pagarem ou pagarem muito pouco imposto, podem praticar preços mais baixos e se beneficiar de margens de lucros mais elevadas. Diante desse quadro, não é difícil imaginar quem se beneficia da universalização da malandragem e quem paga por isso.Osvaldo Bertolino é jornalista, o texto foi produzido com o propósito de colaborar com a campanha “O que você tem a dizer sobre corrupção?”, promovida pela InformaMídia Comunicação. in EcoDebate, 30/03/2016″A ‘arte’ da sonegação, artigo de Osvaldo Bertolino,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/03/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/03/30/a-arte-da-sonegacao-artigo-de-osvaldo-bertolino/. %5BCC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebateCaso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . 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Fonte: A ‘arte’ da sonegação, artigo de Osvaldo Bertolino | Portal EcoDebate

LOGÍSTICA REVERSA – Pensar antes …

Ciclo de vida do produto, logística reversa e ecodesign, artigo de Roberto Naime

Publicado em julho 24, 2014 por Redação

Tags: lixo, reciclagem, resíduos sólidos

[EcoDebate] Ecodesign atualmente expressa muito charme entre os projetistas de produtos. Objetivamente busca procurar matérias-primas que sejam recicláveis ou utilizar materiais que sejam reaproveitáveis, já disponíveis desenvolvendo produtos de forma que as misturas de materiais não inviabilizem futuros reaproveitamentos. E com inspirações e motivações envolvendo temas naturais ou temas de reaproveitamento e reciclagem.

O conceito de reaproveitamento implica na utilização do material no estado em que se encontra, enquanto reciclagem envolve nova industrialização ou transformação do material.

Pensar produtos, planejando seu ciclo de vida e futuras possibilidades de reaproveitamento e considerando a possibilidade de utilizar materiais recicláveis é um grande avanço institucional que muitas empresas de vanguarda já adotam.

Fazendo ampla exploração do marketing institucional decorrente desta postura, numa sociedade cada vez mais ávida de incluir responsabilidades ambientais na sua pauta de consumo, e porque não, no seu próprio consumo, na sua própria escolha de produtos responsáveis e comprometidos.

Normalmente se associa a ideia de ecodesign ao aproveitamento de materiais e resíduos da fabricação de produtos ou do descarte de produtos e restos sem utilização. Este raciocínio também é correto, a utilização de resíduos e sobras e o reaproveitamento e reciclagem de materiais representa uma fatia muito importante do ecodesign.

No entanto, atualmente, é muito necessário aplicar ao conceito de ciclo de vidas dos produtos, a ideia de que os materiais que serão empregados têm possibilidade de reutilização e a forma com que serão empregados.

Desta forma são ampliadas as possibilidades futuras de descarte em condições de reaproveitamento, facilitando a segregação dos materiais, que geralmente representa o critério básico para a viabilização tecnológica, mercadológica e econômica para a reciclagem dos materiais ou sua reutilização.

A ideia é trazer para fases anteriores ao descarte de materiais, os estudos de viabilidade de reaproveitamento.

Quando é realizada a concepção das ideias para fabricação dos produtos, já é necessário pensar, planejar e projetar de que formas o material será separado ou reutilizado em condições econômicas quando for concluído se estágio no ciclo de vida do produto ao qual está sendo agregado.

A pressão legal mais relevante no Brasil para a adoção destas práticas é a lei 12.305, de 02 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa lei utiliza como um dos seus instrumentos a logística reversa, que está disposta como uma responsabilidade dos geradores de resíduos, conforme a redação de seu artigo 33 “são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:

I – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas;

II – pilhas e baterias;

III – pneus;

IV – óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

V – lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;

VI – produtos eletroeletrônicos e seus componentes.”

Apesar da lei 12.305/10 referir-se apenas a determinados produtos, percebe-se uma forte tendência na criação de novas normatizações que estabeleçam tratamento semelhante aos demais resíduos sólidos gerados em diversos setores da indústria, além da própria conscientização ambiental que a lei incentiva, visto seu caráter educativo, na medida em que dispõe e esclarece sobre princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes relacionadas com a gestão de resíduos sólidos (MURTA et al. 2010).

A logística reversa pode ser de pós-venda ou de pós-consumo. Nhan et al. (2003) definem a de pós-venda como aquela que trata do fluxo logístico e das informações logísticas correspondentes de bens sem uso ou com pouco uso, que são devolvidos. Ou seja, quando o correm erros nos processamentos dos pedidos de alguns produtos, defeitos ou falhas no funcionamento do produto, mercadorias em consignação etc. Esses produtos podem retornar ao ciclo de negócios com valor agregado, ou serem enviados à reciclagem.

Já a logística reversa de pós-consumo, operacionaliza o retorno de bens de consumo descartados pela sociedade, produtos no fim da vida útil ou usados com possibilidade de reutilização, e resíduos industriais que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específicos. Esses produtos de pós-consumo poderão ser reutilizados até atingir a fim da vida útil, poderão ser desmontados para aproveitamento ou remanufatura de componentes ou ainda poderão ser reciclados, de maneira que se reaproveite os materiais como matéria-prima secundária, retornando ao ciclo produtivo. Existe ainda a possibilidade de não haver nenhuma chance de aproveitamento do produto, nesse caso, será destinado a aterros sanitários, lixões ou sofrerão incineração (NHAN, et al. 2003).

É importante destacar aqui, a relação existente entre a logística reversa de pós-venda e pós-consumo com a matéria-prima de pré e de pós-consumo conforme trata o ecodesign. Todo o produto recolhido na logística reversa de pós-consumo como na de pós-venda como uma fonte de matéria-prima secundária do pós-consumo, pois todos os materiais do produtos já foram manufaturadas, mesmo que o produto tenha pouco uso (não estando no fim de sua vida útil).

Por outro lado, a matéria-prima de pré-consumo ou secundária de pré-consumo (LEITE, 2009 a), se caracteriza por ser material excedente da linha de produção, que não incorporou o produto final nem chegou ao consumidor. Por exemplo, o couro que sobra do corte na fabricação dos calçados, é uma matéria-prima secundária do pré-consumo. Secundária porque já foi utilizado uma parcela do material (a mais aproveitável), e do pré-consumo pois não chegou ao consumidor incorporado em algum produto na linha de produção original, seria simplesmente descartado.

Em ambos os casos (de logística reversa de pós-venda e de pós-consumo), o retorno de produtos obedece a etapas, que Leite (2009 b) descreve como:

Entrada do produto na cadeia reversa ou coleta dos produtos;

Consolidações quantitativas e geográficas dos produtos coletados;

Seleção de destino dos produtos retornados;

Processamentos industriais de reaproveitamento de produto ou materiais;

Distribuição destes novos produtos ou materiais ao mercado.

Referências:

LEITE, P. Logística Reversa – A complexidade do retorno de produtos. Revista Tecnologística, 2009 (b).

NHAN, A. et al. Logística reversa no Brasil: a visão dos especialistas. XXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção, out. 2003.

MURTA, R. et al. Os avanços da Política Nacional de Resíduos Sólidos na preservação do meio ambiente e a responsabilidade compartilhada. Ciência Dinâmica, nº4, 2010.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 24/07/2014

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Medo do desemprego cresce mais entre pessoas com menor escolaridade

Publicado em julho 1, 2014 por 

Tags: economiaeducaçãotrabalho

 

carteira de trabalho
Foto: Marcello Casal Jr/ABr

 

O medo do desemprego cresce mais entre as pessoas que têm até a quarta série do ensino fundamental. Entre o grupo, o Índice do Medo do Desemprego (IMD) cresceu 5,8%, passando de 69,4 pontos, em março, para 73,4 pontos em junho. Aumento superior ao índice geral, que subiu 3,4%, passando de 73,6 pontos para 76,1 pontos, de março para junho, de acordo com dados divulgados ontem (30) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na pesquisa trimestral Termômetros da Sociedade Brasileira.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas de 142 municípios, entre os dias 13 e 15 de junho. Segundo o levantamento, foi a quinta alta consecutiva do indicador. “Não é que o desemprego esteja aumentando, mas as pessoas percebem que está caindo o ritmo de contratações, que as pesquisas mostram que a indústria está tendo desempenho mais fraco, que o país não está crescendo como antes. Isso gera essa maior preocupação”, analisa o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Segundo ele, o medo maior entre as pessoas com escolaridade mais baixa é pela maior demanda por qualificação no mercado. “Com o avanço tecnológico que a gente viu nos último anos, qualquer atividade começa a demandar um nível mais qualificado. Coisa que antes se fazia com lápis e papel, vai precisar hoje de computador”, diz.

No entanto, apesar de a alta ter sido maior entre as pessoas com escolaridade mais baixa, o medo do desemprego ainda é maior entre as pessoas com curso superior, e alcança 80,2 pontos. Nesse grupo, o índice de junho aumentou em relação aos 78 pontos de março. De acordo com Fonseca, isso decorre, naturalmente, do fato de esse público ter mais acesso a informações.

O maior aumento do IMD foi registrado na faixa de renda familiar de dois a cinco salários mínimos, com o índice passando de 71,1 pontos, em março, para 77,1 em junho – um avanço de 8,4%. Entre aqueles com renda familiar de mais de dez salários mínimos o IMD caiu de 82 pontos para 77,3 pontos; e no caso dos que têm renda mais baixa, até dois salários mínimos, o receio do desemprego é ainda mais baixo: caiu de 75 pontos para 73,3 pontos.

No comparativo entre regiões, o medo do desemprego cresceu mais no Sul, onde o indicador passou de 71,3 pontos para 76,9 pontos. No entanto, continua sendo mais elevado no Norte e Centro-Oeste, onde atinge 82,4 pontos.

Mesmo com aumento do IMD, o Índice de Satisfação com a Vida (ISV) cresceu 0,9% em junho, ante março, e ficou praticamente estável quando comparado ao mesmo mês de 2013. “Esse indicador vinha crescendo desde 2004. Em 2010 foi afetado pela crise, e agora se estabilizou. Se o medo do desemprego continuar crescendo, certamente esse indicador vai começar a cair novamente”, diz Fonseca.

O levantamento mostra que quanto maior o grau de instrução, maior o índice de satisfação. Entre os que têm curso superior, o índice subiu de 103,7 pontos para 104,9 pontos. Já entre as pessoas com até a quarta série do ensino fundamental, o índice recuou de 102,7 pontos para 101,1 pontos.

Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil.

EcoDebate, 01/07/2014


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Ainda são tímidas as ações necessárias para a redução da disparidade social.

Apenas 1% dos mais ricos detém 40% dos bens globais, alerta relatório da ONU

Publicado em janeiro 30, 2014 por 

Tags: desigualdademodelo de desenvolvimento

A metade mais pobre da população, em contrapartida, detém apenas 1% dos bens. Relatório do PNUD, que pede adoção de padrões de crescimento inclusivo, aponta que desigualdade de renda aumentou entre 1990 e 2010, elogiando o Brasil pelo aumento sucessivo do salário mínimo.

Moradores de rua no Distrito Federal. Foto: EBC

Moradores de rua no Distrito Federal. Foto: EBC

A redução sustentada da desigualdade requer uma mudança para padrões de crescimento mais inclusivos – apoiados por políticas redistributivas e mudanças nas normas sociais – afirma o relatório lançado nesta quarta-feira (29) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O 1% mais rico da população mundial detém cerca de 40% dos bens globais, enquanto a metade mais pobre é dona de apenas 1%. O relatório – intitulado “Humanidade dividida: Confrontando a desigualdade nos países em desenvolvimento” – mostra que, se não for controlada, a desigualdade pode minar as bases para o desenvolvimento e para a paz social e doméstica.

“As desigualdades nos níveis atuais são injustas e, como demonstrado neste relatório, elas também podem impedir o progresso humano”, disse a administradora do PNUD, Helen Clark. “O relatório explora as causas e consequências das desigualdades que nos dividem – dentro e entre países – e argumenta que não há nada inevitável sobre a desigualdade crescente.”

O estudo mostra que a desigualdade de renda aumentou em 11% nos países em desenvolvimento entre 1990 e 2010.

Uma maioria significativa das famílias nos países em desenvolvimento – mais de 75% da população – vivem atualmente em sociedades onde a renda é mais desigualmente distribuída do que era na década de 1990.

Brasil é elogiado por aumento real do salário mínimo

O estudo destaca que a crescente desigualdade não parece ser um resultado inevitável do crescimento. Apesar de um crescimento contínuo na década de 2000, alguns países foram capazes de reverter a mudança na desigualdade, com uma queda na desigualdade de renda.

Na Argentina e no Brasil, o índice de Gini – que mede a concentração de renda – caiu substancialmente 46,5 para 38,8 e 54,2 para 45,9, respectivamente, enquanto na Bolívia e no México de 46,5 para 42,5 e 53,2 para 48,2, respectivamente.

O efeito do salário mínimo sobre a desigualdade no Brasil é um outro exemplo considerado interessante pela ONU. Entre 2003 e 2010, o salário mínimo real aumentou 80% no Brasil.

Um estudo que analisou a desigualdade de renda entre 1995 e 2009 descobriu que dois terços dessa redução foi devido a melhorias nos ganhos no mercado de trabalho, enquanto que um terço foi devido a transferências de dinheiro.

Aumentos do salário mínimo foram, segundo as Nações Unidas, os responsáveis por um quarto do efeito no mercado de trabalho e, por extensão, por 16% da redução total da desigualdade.

Esse aumento no salário mínimo também pode ter outras externalidades positivas. Segundo o estudo, há evidências de que, servindo como um ponto de referência para as negociações salariais individuais, o salário mínimo pode ajudar a aumentar inclusive a renda dos trabalhadores informais.

Os controles de capital e outras medidas mais amplas também se tornaram mais populares nos últimos anos. Brasil, Indonésia, Coreia do Sul e Tailândia, por exemplo, introduziram medidas defensivas contra os fluxos de capital, reduzindo a fragilidade financeira, o risco cambial e as pressões especulativas.

O documento ainda vê como “especialmente importante” a criação de espaços políticos para a redução da desigualdade, “mecanismos que garantam a participação da sociedade civil nos debates políticos sobre os planos nacionais de desenvolvimento e na definição das prioridades do orçamento”.

Em particular, mais de 20 anos após a primeira experiência em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o chamado ‘orçamento participativo’ continua a ser uma experiência “extremamente vital” – diz a publicação – e com “um grande potencial para oferecer opções orçamentárias de redução de desigualdade”.

Alta e persistente desigualdade vai além da renda

Apesar da queda geral nas taxas de mortalidade materna na maioria dos países em desenvolvimento, as mulheres nas áreas rurais ainda têm até três vezes mais probabilidades de morrer durante o parto do que as mulheres que vivem em centros urbanos.

As mulheres também estão participando mais na força de trabalho, mas permanecem desproporcionalmente representadas no emprego vulnerável e sub-representadas entre os decisores políticos, continuando a ganhar muito menos do que os homens.

Evidências de países em desenvolvimento mostram que, em algumas regiões, crianças mais pobres têm até três vezes mais probabilidade de morrer antes do quinto aniversário do que crianças mais ricas.

A proteção social foi estendida, mas as pessoas com deficiência são até cinco vezes mais propensas do que a média a terem despesas de saúde catastróficas.

A alta desigualdade prejudica o desenvolvimento impedindo o progresso econômico, enfraquecendo a vida democrática e ameaçando a coesão social.

Apesar da redistribuição continuar muito importante para a redução da desigualdade, uma mudança é necessária para um padrão de crescimento mais inclusivo, que aumenta os rendimentos das famílias pobres e de baixa renda mais rápido do que a média, a fim de reduzir de forma sustentável a desigualdade.

Em uma conversa global sem precedentes facilitada pelas Nações Unidas, que envolveu quase 2 milhões de pessoas em todo o mundo, constatou-se que as pessoas estão exigindo uma voz nas decisões que afetam suas vidas.

As pessoas estão indignadas, indicou a pesquisa, com a injustiça que sentem por causa do aumento das desigualdades e inseguranças que existem, especialmente para as pessoas mais pobres e marginalizadas.

O relatório analisa as tendências globais da desigualdade, identificando as suas causas e extensões, o seu impacto e os meios pelos quais eles podem ser reduzidos.

Após ilustrar os resultados de uma investigação do ponto de vista dos formuladores de política sobre a desigualdade, o relatório conclui com um quadro político global abrangente para enfrentar a desigualdade nos países em desenvolvimento.

O relatório – disponível em inglês, com versões resumidas em espanhol, francês, inglês e árabe – pode ser acessado clicando aqui.

Informe da ONU Brasil, publicado pelo EcoDebate, 30/01/2014