História em quadrinhos ‘Horta & Liça’ explica importância da agricultura sustentável – EcoDebate

História em quadrinhos ‘Horta & Liça’ explica importância da agricultura sustentável

Notícia by Redação – 25/01/20170

Compartilhe  Embrapa Capa da quinta edição do Almanaque Horta & Liça – Foto: André Cerino

Com a proposta inicial de incentivar o consumo de hortaliças pelo público infantil, a cada nova edição o almanaque Horta & Liça apresenta para os pequenos leitores os caminhos da agricultura para produzir um alimento saudável. Com uma abordagem lúdica, os quadrinhos e passatempos aproximam as crianças do universo da ciência e explicam como a pesquisa agrícola contribui para a produção de alimentos com baixo impacto ambiental.Na sua quinta edição, o almanaque infantil, idealizado pela Embrapa Hortaliças (Brasília/DF), apresenta para os pequenos leitores o sistema de plantio direto: uma prática agrícola com muitos benefícios para o meio ambiente, porque preserva o solo, economiza água e melhora a qualidade do ar.Na história, os personagens Zé Horta e Maria Liça aproveitam as férias escolares para visitar os amigos da região serrana e, ao sobrevoar a paisagem, observam os danos ocasionados pelas erosões e por deslizamentos de terra. Por isso, decidem visitar um produtor rural para conhecer formas mais sustentáveis de cultivar alimentos em relevos montanhosos como, por exemplo, o plantio direto na palhada, sem revolvimento do solo.

O almanaque Horta & Liça é distribuído para alunos do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas do Distrito Federal, no âmbito do programa Embrapa & Escola, que organiza visitações a laboratórios e campos experimentais das Unidades de Pesquisa da Empresa.Além disso, mediante solicitações, a publicação também é disponibilizada para instituições de ensino, ONGs e secretarias de educação das outras regiões do país.

A produção da edição nº 05 foi financiada pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).O que é plantio direto?O folder “Entendendo o Plantio Direto“, produzido também com foco no público infanto-juvenil, explica com mais detalhes os benefícios dessa prática agrícola a partir de três pilares: conservação do solo, economia de água e redução do efeito estufa.O conteúdo traz imagens ilustrativas e mostra as etapas que devem ser cumpridas nesse sistema de produção, como as plantas de cobertura para a formação da palhada que ajuda a proteger o solo e, também, a minimizar a evaporação de água.

O folder foi produzida no âmbito do projeto “Transferência da tecnologia de plantio direto de hortaliças nas regiões serranas do Sudeste brasileiro“, com o intuito de alcançar crianças e jovens, filhos de produtores rurais dessas localidades, e sensibilizá-los sobre a importância do sistema de plantio direto para a sustentabilidade da produção de hortaliças ao longo do tempo.Divirta-se!

Clique nos links abaixo para fazer download dos almanaques e conferir as aventuras do Zé Horta e sua turma.– Almanaque Horta & Liça – Número 1– Almanaque Horta & Liça – Número 2– Almanaque Horta & Liça– Número 3– Almanaque Horta & Liça – Número 4– Almanaque Horta & Liça – Número 5 Por Paula Rodrigues (MTB 61.403/SP), Embrapa Hortaliças in EcoDebate, 25/01/2017 [CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebateCaso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

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Fonte: História em quadrinhos ‘Horta & Liça’ explica importância da agricultura sustentável – EcoDebate

Fazenda Yamaguishi e a produção de alimentos orgânicos.

Fazenda produz mais de 60 produtos sem agrotóxicos

O cultivo orgânico de legumes, verduras, galinhas e ervas é feito por 26 associados

14/10/2011 – 11:14

Caminhos da Roça

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A equipe do Caminhos da Roça foi até a cidade de Jaguariúna, em uma propriedade que é especializada na produção de orgânicos. São 26 associados que cultivam legumes, verduras, galinhas e ervas sem a utilização de agrotóxicos. Para falar sobre esse setor que tem crescido, a repórter Fernanda Mitzakoff conversou com o produtor Romeu Leite, que também é Diretor da Associação de Agricultura Natural de Campinas e Presidente da Câmara Temática Nacional de Agricultura Orgânica.

Fernanda Mitzakoff – O que é que vocês produzem aqui?

Romeu Leite – Aqui nós produzimos mais de 60 variedades, entre ovos, frutas, legumes, verduras e é uma produção integrada, entre produção animal e produção vegetal.

Fernanda Mitzakoff – Como é que o senhor começou a produzir só orgânicos?

Romeu Leite – A minha família é uma família de agricultores, então eu via o que aconteceu na época do meu pai, que era obrigado a pegar os pacotes do governo quando fazia financiamento pra comprar sementes. Ele tinha que levar junto herbicida, o inseticida, né? E eu vi que cada vez precisava ser inseticida mais forte, porque os insetos estavam cada vez mais resistentes. Com isso a terra estava cada vez mais pobre com aquele adubo solúvel e quando eu entrei na universidade, eu entrei preocupado em reverter essa situação. Mas na universidade naquela época também, eu era ridicularizado, pois como alguém queria produzir sem esses insumos modernos? Mas nós conseguimos fazer um grupo dentro da universidade que foi pesquisar sobre assunto e depois de formados começamos uma produção aqui em Jaguariúna.

Fernanda Mitzakoff – Em uma plantação de couve, elas ficam muito mais bonitas, mais verdes e tem todos os benefícios de produtos cultivados sem inseticidas e agrotóxicos. Quais são os benefícios para as plantas, para as hortaliças e também para quem consome?

Romeu Leite – As plantas têm a nutrição delas, muito em função da atividade biológica do solo. À medida que você vai usando esses insumos sintéticos, que vão deixando nitrato, nitrito do solo, eles vão matando essa vida no solo, ou seja, as bactérias, os fungos, todos esses organismos que sobrevivem no solo e que fazem a acareação de nutrientes da raiz da planta. Então a planta fica muito mais forte, as raízes dela mais fortalecidas, porque elas precisam se aprofundar mais. Com isso também conseguem extrair mais nutrientes do solo e consequentemente fornecerem mais nutrientes na sua produção, como alimento.

Fernanda Mitzakoff – E quais são os benefícios para o consumidor?

Romeu Leite – O consumidor comendo uma planta, um alimento sem resíduos tóxicos, ele vai ter uma saúde melhor. Esses pequenos resíduos de agrotóxicos que vão ficando nos alimentos, vão minando a saúde do consumidor, então, à medida que ele passa a comer um alimento limpo desses resíduos, a sua saúde, o seu metabolismo volta a funcionar com normalidade. É importante para a saúde do consumidor estar sabendo também o que contém naquilo que ele está comendo.

Fernanda Mitzakoff – No lugar dos produtos químicos o que vocês usam?

Romeu Leite – Então, a gente usa bastante adubação verde e nós temos aqui um sistema que é integrado entre a produção animal, no caso é a produção de ovos orgânicos com galinhas e o dejeto, o esterco desses animais que é compostado e vem pra horta em forma de adubo orgânico, então essa é a principal nutrição das plantas. É através dessa adubação orgânica e também os insetos de controle biológico. Acontece é que trabalhamos com uma diversidade muito grande, nós temos mais de 60 variedades de verduras plantadas. Essa diversidade grande de verduras, ela atrai uma diversidade grande de insetos, borboletas, por exemplo. Então, vêm os insetos que comem as plantas, mas também vêm os insetos que são predadores desses insetos. Assim com o passar do tempo você deixa de usar esses inseticidas que matam tanto os insetos que comem a planta quanto os predadores deles. Sem os inseticidas o equilíbrio volta a se restabelecer. Nessa propriedade demora um certo tempo, esse período de voltar o equilíbrio, mas depois que volta, você não precisa usar nenhum tipo de produto, desde que haja uma diversidade de plantas.

Fernanda Mitzakoff – E a irrigação?

Romeu Leite – A irrigação a gente faz com água da nascente própria. A gente tem, por exemplo, quebra ventos que ajudam a segurar o vento pra não ressecar tanto as folhas e com isso diminuiu também o uso da irrigação. Outra coisa que também diminui o uso da irrigação é fazer uma cobertura morta grande, pois com mais matéria orgânica ela segura mais umidade e não precisa ter tanta irrigação.

Fernanda Mitzakoff – A gente vê umas árvores estrategicamente posicionadas. Para que elas servem? Tem alguma função?

Romeu Leite – Sim. Essa árvore especificamente é uma árvore de uma planta chamada “neem”. É uma árvore de origem indiana e ela produz uma substância que é a zactina, que serve como repelente, como inseticida natural, principalmente pra ácaros. Ela tem um efeito bastante positivo e tem sido uma grande ferramenta na conversão pra agroecologia.

Fernanda Mitzakoff – É mais uma atitude ecologicamente correta dentro de um conjunto de ações que vocês fazem aqui?

Romeu Leite – Exatamente, tem que ser um conjunto de ações mesmo.

Fernanda Mitzakoff – Para conseguir esse resultado positivo.

Romeu Leite – Trabalhar junto com a natureza, junto com os insetos, juntos com as plantas, se não for dessa maneira, não dá pra produzir.

Fernanda Mitzakoff – Tem muita novidade muita informação, mas como é que o produtor pode ficar sabendo se o que ele pode usar na lavoura dele tem fundamento científico ou é só um modismo? Como funciona isso?

Romeu Leite – O Ministério da Agricultura publicou a instrução normativa de produção e essas instruções normativas tem as listas das substâncias permitidas para a agricultura orgânica, então as substâncias que estão alí, são substâncias já comprovadamente utilizáveis na agricultura orgânica. Primeiro conhecer a legislação e que designa quais são essas substâncias e agora a troca de experiências entre os agricultores, é muito importante. Ir, verificar, ver como que o outro agricultor fez, dentro da agricultura orgânica existe essa cooperação entre os agricultores, nós temos uma carência muito grande de pesquisa em agroecologia no Brasil hoje. A verba destinada para pesquisa em agroecologia é muito pequena, então o que resta ao agricultor é fazer suas próprias pesquisas. Como aqui, por exemplo, nós temos mais de 20 pesquisas em andamento nessa área de produção em parceria com Embrapa, com o instituto biológico, com a Unicamp e essas pesquisas, como as verbas são curtas, elas precisam ser feitas pelo próprio agricultor, atualmente essa troca de experiência é muito importante.

Fernanda Mitzakoff – O senhor falou das regras do governo, como é que está adesão dos produtores?

Romeu Leite – É a lei brasileira, é uma legislação bastante avançada, mas é uma legislação, que procura abrigar inclusive as questões sociais, então é uma legislação que permite que o pequeno produtor, mesmo sem muito recurso financeiro, possa comercializar o seu produto como orgânico. As normas, as instruções normativas publicadas pelo governo, elas ajudam não só a orientar o agricultor a produzir, como também a regulamentar o mercado para que as normas sejam unificadas e estejamos todos falando a mesma língua. A legislação brasileira prevê a possibilidade da venda direta do produtor ao consumidor sem a certificação, ela permite a grupos de agricultores se organizarem em certificação participativa e ela também permite você contratar uma empresa pra fazer a auditoria de certificação. Então, agricultores menores se encaixam mais nestas duas outras formas, não a certificação que é paga, e dessa forma então ela abrange todos os segmentos dos agricultores.

Fernanda Mitzakoff – Tanto os grandes quanto os pequenos?

Romeu Leite – Tanto os grandes quanto os pequenos.

Fernanda Mitzakoff – Na nossa enquete da semana o assunto foi os alimentos orgânicos. A pergunta foi sobre a regularidade com que as pessoas consomem produtos orgânicos. Os resultados foram: 34% dos internautas afirmaram que consomem menos do que gostariam. 22% consomem raramente. 20%, nunca. Por outro lado, 18% disseram que se alimentam deste tipo de produto o máximo possível. E 6%, sempre. Como a gente pôde ver pelo resultado da enquete, ainda tem muito que crescer esse mercado, né? Como é que ele está hoje em dia?

Romeu Leite – Nós tivemos um crescimento o ano passado em torno de 40%, e pelas notícias que estão chegando esse ano, que não fechou ainda, eu acredito que vai permanecer mais uns 40% de crescimento no mercado brasileiro.

Fernanda Mitzakoff – Qual a tendência para os próximos anos?

Romeu Leite – Pois é, o crescimento do mercado eu acho que é irreversível, porque cada vez mais as pessoas estão se preocupando com aquilo que estão ingerindo. Cada vez mais a conscientização ambiental está avançando, então acho que o crescimento do mercado, ele segue o seu rumo natural. Agora, nós precisamos estar preparados pra atender essa demanda, esse crescimento.

Fernanda Mitzakoff – Claro.

Romeu Leite – Ainda hoje nós estamos deficitários na produção em relação à demanda e pra isso nós precisamos de vários instrumentos que dê a base pro crescimento. Nós estamos justamente agora trabalhando na construção da política nacional de agroecologia e agricultura orgânica que é um projeto transversal, que atinge vários ministérios, que vai trabalhar na pesquisa, no ensino, na formação, na capacitação para agroecologia.

Fernanda Mitzakoff – E a cabeça do consumidor também está mudando, antes ele olhava para o produto orgânico e via que era mais caro e acabava pegando o mais barato. Hoje em dia ele já pensa nessa saúde final dele.

Romeu Leite – Sim, a saúde final e que ele vai comer um produto isento de resíduos tóxicos. A saúde da terra, que a terra vai estar descontaminada, saúde da água e ainda do planeta.

Fernanda Mitzakoff – Então o futuro é promissor?

Romeu Leite – Exatamente! As próximas gerações dependem da nossa atitude de hoje.

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