Horizontes 2030 da CEPAL: equidade social e keynesianismo ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves – EcoDebate

Horizontes 2030 da CEPAL: equidade social e keynesianismo ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesArtigo by Redação – 27/01/20170Compartilhe   [EcoDebate] O documento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) denominado “Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável”, apresentado no Trigésimo sexto período de sessões da Cepal, na Cidade do México, de 23 a 27 de maio de 2016, considera que as atuais transformações significam uma mudança de época, pois o estilo de desenvolvimento dominante tornou-se insustentável.Segundo a Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, existem profundos desequilíbrios econômicos, sociais e ambientais no mundo: “Essas contradições são inegáveis, como demonstram o aumento sem precedentes da desigualdade global nas últimas décadas, o agravamento da crise ambiental (especialmente a mudança climática) e o papel ambivalente da revolução tecnológica que, ao mesmo tempo em que abre opções para a sustentabilidade, gera tensões nos mercados de trabalho que se agravam à medida que se expandem as novas tecnologias” (p.9).Este documento, que a CEPAL apresentou aos países-membros em seu trigésimo sexto período de sessões, complementa analiticamente a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com base na perspectiva estruturalista do desenvolvimento e sob o ponto de vista dos países da América Latina e do Caribe. Este empenho se sustenta em um diagnóstico que reconhece fundamentos na tradição analítica estruturalista e incorpora, com maior ênfase, as dimensões ambiental e global dos problemas do desenvolvimento da região.Ainda segundo Bárcena: “O conceito ordenador é a mudança estrutural progressiva, definida como um processo de transformação para atividades e processos produtivos que apresentem três características: ser intensivos em aprendizagem e inovação (eficiência schumpeteriana), estar associados a mercados em rápida expansão, que permitam aumentar a produção e o emprego (eficiência keynesiana) e favorecer a proteção do meio ambiente e o desacoplamento entre crescimento econômico e emissões de carbono (eficiência ambiental). Para obter estruturas produtivas com estes três tipos de eficiência, que tornem compatíveis a igualdade e a proteção ambiental, é preciso um novo conjunto de instituições e coalizões políticas que as promovam em nível global, regional, nacional e local.Um instrumento central para a consecução desses objetivos é a criação de bens públicos globais. O caráter imprescindível desta dimensão é evidente nos temas ambientais, pois uma ação coletiva e uma coordenação que envolva todos os atores constituem condição sine qua non para reduzir as emissões. Não em vão a destruição do meio ambiente num contexto de desregulamentação foi qualificada como “a maior falha de mercado de todos os tempos”. Diante deste desafio, com o Acordo de Paris, aprovado em dezembro de 2015, conseguiu-se, apesar de suas insuficiências, dar um passo na direção correta no esforço para definir metas comuns de redução das emissões de gases do efeito estufa e avançar na descarbonização das economias, respeitando o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas” (p. 10).Estas questões são fundamentais, pois a América Latina e Caribe (ALC) foi uma das regiões do mundo que apresentaram as maiores taxas de crescimento no mundo entre 1820 e 1980. Ou seja, durante 160 anos, devido ao alto crescimento populacional e econômico, a América Latina e Caribe ganhou participação relativa no PIB mundial. Contudo, a situação se inverteu depois de 1980 e a América Latina começou a perder participação relativa no PIB mundial.Nos anos de 2015 e 2016, a ALC vai apresentar variação negativa no PIB, bem diferente do resto do mundo e outras regiões. Segundo dados do FMI, o PIB global deve crescer 3,2% em 2016, com a Ásia emergente apresentando o maior crescimento (6,4%) e o conjunto das economias em desenvolvimento atingindo 4,1%. A única região que deve apresentar recessão é a ALC que deve decrescer em 0,47% em 2016.Outro documento da CEPAL – Panorama Social da América Latina 2015 – mostrou que as conquistas parciais ocorridas entre 1990 e 2012 foram interrompidas e a pobreza e a indigência voltaram a subir na ALC. O número de pessoas indigentes subiu de 66 milhões em 2012 para 75 milhões em 2015 e o número de pobres subiu de 164 milhões em 2012 para 175 milhões em 2015. Ou seja, a curva descendente foi revertida para uma curva ascendente da pobreza e da indigência.Neste sentido o documento “Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável” apresenta uma série de propostas para enfrentar os desafios do próximo quindênio (2015-2030). O último parágrafo do prólogo diz: “Explorar esses caminhos, assentar suas bases, é o propósito das reflexões aqui apresentadas e o esforço permanente da CEPAL a serviço de um amanhã justo, digno e igualitário para os povos de nossa pátria comum” (p. 12). Vale a pena ler o documento que pode se

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O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula | Portal EcoDebate

O Fetiche Da Previdência, Artigo De Amadeu Roberto Garrido De PaulaArtigo by Redação – 22/12/20160Compartilhe  Charge in Humor Político – http://www.humorpolitico.com.br/ %5BEcoDebate%5D

O cidadão tende a confiar, em princípio, no discurso de seus governos legítimos. Por seu lado, os governos não podem e não devem mentir aos cidadãos. Lamentavelmente, o Brasil é um país de confiança fundada do povo e de escancaradas mentiras de seus governantes, num terreno de difícil acesso à compreensão da maioria da população – finanças públicas.Há anos o Brasil vive sob grosseira inconstitucionalidade. O dispositivo nevrálgico, porém maltratado, está no art. 167 de nossa Constituição da República, ao dispor: “É vedado: XI – a utilização de recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.” O art. 201 discrimina os benefícios.Os mencionados recursos estão previstos no art. 195, nestes termos: “A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e das seguintes contribuições sociais”.I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei, incidente sobre:a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;b) a receita ou o faturamento;c) o lucro.II. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidos pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;III. sobre a receita de concurso de prognósticos.Nada mais claro. Contudo, desde 1994 esses recursos estão sendo desviados por sucessivos governos, supostamente para pagamento dos juros da dívida da União. Supostamente porque, no Brasil de hoje, não sabemos aonde vão parar os desvios. No referido ano, foi criada o Fundo Social de Emergência. Depois passou-se à Desvinculação de Receitas Federais. Finalmente, por força da Emenda Constitucional n. 68, Desvinculação das Receitas Federais (DRU). Consequência: no final de 2015, dos 1,8 trilhão arrecadas pelo Tesouro por meio dessas receitas vinculadas, 1,1 trilhão foram apropriados pela União.Os governos, inclusive o atual, sempre sustentaram a constitucionalidade desse procedimento incorreto, jurídica e moralmente, socorrendo-se da Emenda Constitucional n. 68, que deslocou 20% dos recolhimentos de seu caminho reto. Ocorre que Emenda Constitucional também pode ser inconstitucional, sendo entendimentos de Cortes Supremas internacionais e de nosso Supremo Tribunal Federal.Feita essa consideração, ao lado de outras, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Brasil divulgou um quadro, com dados irrespondíveis, demonstrativo de que a Previdência não gera nenhum “deficit”, inclusive para o pagamento de aposentadorias, mas, ao contrário, produz “superavit”. Se considerarmos falsas as demonstrações dos Auditores Fiscais, a República, efetivamente, está perdida.O que nos leva a por de manifesto essa situação crônica é o sentimento, que o governo dissemina na sociedade, de que o grande vilão de nossas desgraças é a Previdência Social. Como se renúncia fiscal para indústrias automobilísticas não houvesse nos empobrecido, com carros na porta e em ruas intransitáveis. Várias outras isenções e imunidades foram concedidas, especialmente por meio de emendas “jabutis” contrabandeadas em leis de conversão em medida provisória, até que o STF as proibiu, porém somente “ad futurum”, em ação direta de inconstitucionalidade subscrita pelo autor destas modestas linhas.Enfim, nossos trabalhadores vão pagar a corrupção, as irresponsabilidades e as bandalheiras, mais uma vez em nossa sofrida história. No mínimo, deveriam vir à luz todas essas circunstâncias e não ficar-se no discurso único e equivocado de que o “saneamento” da Previdência Social saneará o Brasil. Entretanto, a divulgação da demonstração feita pelos Auditores Fiscais do Brasil permanece somente nas redes sociais, como se fosse algo impatriótico.Amadeu Roberto Garrido de Paula, é advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas. in EcoDebate, 22/12/2016″O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/12/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/12/22/o-fetiche-da-previdencia-artigo-de-amadeu-roberto-garrido-de-paula/. %5BCC BY-NC-SA 3.0]

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Patrimônio de 0,5% dos brasileiros equivale a quase 45% do PIB – e com baixa tributação | Portal EcoDebate

Patrimônio De 0,5% Dos Brasileiros Equivale A Quase 45% Do PIB – E Com Baixa TributaçãoNotícia by Redação – 20/12/20160Compartilhe Novo estudo do Inesc analisa a relação entre tributação injusta, desigualdade, e concentração de renda e patrimônio no Brasil, com base em análise do perfil dos declarantes do Imposto de Renda no Brasil entre 2007 a 2013.O Brasil tem um dos mais injustos sistemas tributários do mundo e uma das mais altas desigualdades socioeconômicas entre todos os países, onde os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os mais pobres, criando uma das maiores concentrações de renda e patrimônio do planeta. Essa relação direta entre tributação injusta e desigualdade e concentração de renda e patrimônio é investigada pelo pesquisador Evilásio Salvador no estudo Perfil da Desigualdade e da Injustiça Tributária, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com apoio da Oxfam Brasil, Christian Aid e Pão Para o Mundo.Foram considerados os quesitos de sexo, rendimentos em salário mínimo e Unidades da Federação. O texto busca identificar o efeito concentrador de renda e riqueza, a partir das informações sobre os rendimentos e de bens e direitos informados à Receita Federal pelos declarantes de IR no período de 2008 a 2014, referentes às informações dos anos-calendário de 2007 a 2013.Os dados da Receita Federal analisados para o estudo revelam, por exemplo, que do total de R$ 5,8 trilhões de patrimônio informados ao Fisco em 2013 (não se considera aqui a sonegação), 41,56% pertenciam a apenas 726.725 pessoas, com rendimentos acima de 40 salários mínimos. Isto é, 0,36% da população brasileira detém um patrimônio equivalente a 45,54% do PIB do Brasil e com baixíssima tributação. Considera-se, ainda, que essa concentração de renda e patrimônio está praticamente em cinco estados da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, agravando ainda mais as desigualdades regionais do país.O estudo aponta ainda que os contribuintes com rendas acima de 40 salários mínimos representam apenas 2,74% dos declarantes de IR, mas se apropriaram de 30,37% do montante dos rendimentos informados à Receita Federal em 2013. Além disso, dos R$ 623,17 bilhões de rendimentos isentos de Imposto de Renda em 2013, R$ 287,29 bilhões eram de lucros e dividendos recebidos pelos acionistas – se submetidos à alíquota máxima da atual tabela progressiva do Imposto de Renda (27,5%), esses recursos gerariam uma arrecadação tributária extra de R$ 79 bilhões ao Brasil.As informações tornadas públicas pela Receita Federal, a partir da disponibilização da base de dados “Grandes Números das Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas”, contribuem para uma maior transparência sobre a questão tributária no país, que a tempo ocupa lugar na agenda pública das propostas de reformas. Os dados ampliaram um novo olhar sobre a desigualdade social no Brasil e reforçam ainda mais a injustiça tributária no país, pois mesmo o Imposto de Renda, que deveria ser o fiador de um sistema tributário mais justo, acaba contribuindo para maior concentração de renda e riqueza em nosso país.Baixe aqui o estudo completo (arquivo PDF).Os dados da Receita Federal são fartos para revelar uma casta de privilegiados no país, com elevados rendimentos e riquezas que não são tributados adequadamente e, muitas vezes, sequer sofrem qualquer incidência de Imposto de Renda.Os dados divulgados pela Receita Federal confirmam a injustiça no sistema tributário brasileiro, conforme o Inesc havia alertado. Um dos mais graves é o fato de que a tributação sobre a renda no Brasil não alcança todos os rendimentos tributáveis de pessoas físicas. A legislação atual não submete à tabela progressiva do IR os rendimentos de capital e de outras rendas da economia, que são tributados com alíquotas inferiores à do Imposto de Renda incidente sobre a renda do trabalho. Em destaque, a não existência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os lucros e dividendos, além do instituto legal (mas excêntrico) dos “juros sobre capital pró- prio”, o que permite uma redução da base tributária do IR e da CSLL. Esses rendi- mentos são tributados a 15% de forma exclusiva, não necessitando o beneficiário de fazer qualquer ajuste na Declaração Anual do IR.Essas modificações beneficiam e privilegiam os mais ricos no Brasil, pois os 71.440 declarantes hiper-ricos, que tinham renda acima de 160 SM, em 2013, praticamente não possuíam rendimentos tributáveis, pois 65,80% de sua renda tinha origem em rendimentos isentos e não tributáveis.Outro agravante é a perda da progressividade do IR, pois – a partir da faixa de rendimentos de 40 a 80 salários mínimos – o imposto começa a perder a sua progressi- vidade. De forma que os contribuintes com rendimentos acima de 40 salários mínimos passam a pagar proporcionalmente menos IR do que os contribuintes das faixas salariais inferiores.Com isso, as propostas para a reforma tributária que o Inesc já apresent

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Faixas Salariais x Classe Social – Qual a sua classe social?

Conheça a sua classe social segundo os critérios da ABEP (Critério Brasil) e do IBGE e veja a pirâmide de renda no Brasil.

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Declínio do império americano e populismo nas eleições dos Estados Unidos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

Declínio do império americano e populismo nas eleições dos Estados Unidos, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em fevereiro 24, 2016 por RedaçãoTags: economia, modelo de desenvolvimento, política 4 2  4  [EcoDebate] O declínio do poderio da economia dos Estados Unidos da América (EUA) é um fato incontestável. Segundo dados do FMI, a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) americano no PIB mundial caiu de 23% em 1980, para pouco acima de 15% em 2015, devendo ficar abaixo de 15% em 2020. A cada ano o peso da influência da economia americana fica menor. Os pessimistas dizem que a continuidade deste processo é irreversível e inevitável e significa o declínio contínuo do império americano. Os otimistas dizem que este processo é natural e até positivo, pois outros países passam a ter responsabilidades com a economia internacional e passam a dividir as responsabilidades globais.O fato é que a economia dos EUA tem tido um desempenho abaixo da média mundial e esta tendência vem se agravando nas últimas décadas, devendo ser a marca dominante no século XXI. Há vários economistas de renome, como Robert Gordon e Larry Summers que falam em estagnação secular. Ou seja, a prevalência de baixas taxas de crescimento econômico no século XXI será o novo normal e o baixo crescimento da renda per capita deverá inviabilizar o processo de mobilidade social ascendente que prevaleceu no passado. E o pior, o crescimento da desigualdade faz com que a parcela do 1% mais rico do país aumente sua parcela de riqueza, enquanto diminui a parcela dos 99% da população. Assim, os EUA podem ser caracterizados como uma potência mundial decadente e com problemas sociais crescentes.A tendência à estagnação secular fica claro no gráfico abaixo (Tverberg, 2016). Na década de 1950 o PIB americano crescia em média em torno de 5% ao ano, caindo para 3% na média anual, entre os anos de 1970 e 2000 e encontrando-se em torno de 2% ao ano nas duas primeiras décadas do século XXI. Há sinais que o ritmo vai diminuir mais ainda no médio e longo prazo devido aos ventos contrários, apontados por Gordon (2016): 1) aumento das desigualdades sociais, 2) educação deteriorada; 3) degradação ambiental; 4) maior competição provocada pela globalização; 5) envelhecimento populacional; e 6) o peso dos déficits e do endividamento privado e público.  A dívida pública líquida dos EUA estava em torno de 40% do PIB na década de 1930 e disparou durante a Segunda Guerra, ultrapassando 100% do PIB. Com a prevalência da hegemonia americana no mundo e o alto crescimento a dívida caiu para níveis muito baixos (menos de 30% do PIB) até o final dos anos 1970. No governo Ronald Reagan (e depois George Bush pai) houve aumento dos gastos militares e redução dos impostos dos ricos, fazendo a dívida aumentar rapidamente. Mas com o fim da Guerra Fria e o fim da URSS, os gastos militares diminuíram no governo Bill Clinton e a percentagem da dívida como proporção do PIB também diminuiu. Contudo, no governo George Bush filho o percentual da dívida aumentou rapidamente e disparou no governo Barack Obama, devido às medidas adotadas para estimular a economia.Em fevereiro de 2016, a dívida pública em poder do público era de US$ 13,6 trilhões (cerca de 75% do PIB), mas a dívida pública bruta atingiu US$ 19 trilhões (104% do PIB). A perspectiva é de aumento da dívida, pois o orçamento é estruturalmente deficitário. Desta forma, a solvência do governo central está constantemente em questão e o Congresso está sempre querendo fazer cumprir a obrigação de manter a dívida abaixo de um valor fixado por lei. Neste ambiente, qualquer proposta para aumentar impostos e aumentar gastos se torna um tema politicamente explosivo. Dificilmente um presidente, qualquer que seja a ideologia, conseguirá aumentar os gastos do governo, nem por uma causa justa.  O enorme endividamento publico nos anos 2000 não teve o efeito de acelerar as taxas de crescimento do PIB, como vimos nas figuras anteriores. O gráfico abaixo mostra que o crescimento do PIB nominal dos EUA aumentou 1.700% entre 1970 e 2015, mas a dívida aumentou mais do dobro (3.900%). A economia real cresce pouco, mas a dívida cresce muito. Diversos analistas mostram que a economia americana sobrevive em função do endividamento e de uma bolha de crédito. Este caminho é insustentável. Mais cedo ou mais tarde a bolha vai estourar e a economia vai entrar em recessão, agravando os problemas sociais.  O início de 2016 foi marcado pela volatilidade do mercado de capitais. O “Mercado Urso” é um termo utilizado pelos analistas financeiros para descrever tendência de baixa, geralmente com perdas acima de 20% a partir do pico. Na crise atual, a tendência de baixa começou nas ações do setor de energia (principalmente petróleo), depois nas atividades extrativistas e atingiu o setor bancário, abalado pela possibilidade ampliação de juros negativos, como adotado no Japão. O desce e sobe vai continuar.  A balança comercial americana que era equilibrada até 1975

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O sexênio (2011-16) perdido e a crise fiscal, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

O sexênio (2011-16) perdido e a crise fiscal, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em fevereiro 3, 2016 por RedaçãoTags: economia, modelo de desenvolvimento 0 0  0“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolherama neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighieri[EcoDebate] A economia brasileira cresceu mais de 7% ao ano entre 1950 e 1980, bem superior a média de 4 a 5% da primeira metade do século XX. Foi um dos maiores crescimentos do mundo. Mas o modelo desenvolvimentista entrou em crise a partir de 1981 e, mesmo apresentando oscilações cíclicas, reduziu muito o crescimento do PIB nas décadas seguintes. Os anos 80 foram definidos como a primeira década perdida. Nos anos 90, a partir do Plano Real, elaborado no governo Itamar, houve redução da hiperinflação e uma retomada moderada da economia. Na primeira década do século XXI, houve crescimento ainda maior do PIB em relação aos anos 90, mas muito aquém dos chamados “trinta anos de ouro”. As linhas azuis do gráfico mostram as taxas anuais de crescimento do PIB e a linha vermelha a média móvel do sexênio.Como se verifica, os seis primeiros anos do governo da presidenta Dilma Rousseff romperam com um período de recuperação econômica e representaram desempenho diametralmente oposto ao “quinquênio virtuoso”, que aconteceu no governo Lula, de 2004 a 2008 (ALVES, 2009).O sexênio 2011 a 2016 já pode ser considerado o pior dos últimos 116 anos, ganhando o título de menor crescimento do PIB da história da República (desde 1901), perdendo até para o famigerado período Sarney-Collor (sexênio 1987-1992). Com queda do PIB de 3,8% em 2015 e 3,5% em 2016 (segundo a última projeção do FMI), o sexênio de 2011-16 terá uma média de crescimento de 0,16%, três vezes menor do que 0,44% do sexênio Sarney-Collor. Em 116 anos somente duas vezes a média do sexênio ficou abaixo de 1%. Como o crescimento demográfico anual está em 0,8% ao ano, a redução da renda per capita e empobrecimento geral da nação será sentido por mais de 200 milhões de habitantes.O Brasil vive a sua crise mais séria desde a independência. Séria pelas consequências imediatas e séria porque está matando qualquer futuro promissor e qualquer possibilidade de melhora no médio e longo prazos. O sexênio perdido é o prenúncio de um segundo decênio perdido e, provavelmente, um futuro perdido. As projeções do FMI, de janeiro de 2016, indicam que o Brasil cresce muito menos do que a economia da América Latina e puxa a média mundial para baixo. Em 2015, o Brasil (junto a Venezuela) foi o patinho feio da economia internacional, sendo que as principais causas do colapso são autoprovocadas. Houve redução da renda per capita em 2014, 2015 e 2016. O FMI já prevê crescimento zero para o Brasil em 2017. Será, portanto, o quadriênio (2014-17) do empobrecimento acelerado. Somente em 2015, o Brasil perdeu 1.542.371 (um milhão, quinhentos e quarenta e dois mil e trezentos e setenta e um) postos de trabalho celetistas, segundo dados do Caged, do ministério do Trabalho. A quantidade de pessoas ocupadas na região metropolitana de São Paulo é menor hoje em dia do que a cinco anos atrás, segundo dados do Dieese/Seade.O mais impressionante é que a economia teve baixo desempenho em um momento em que o gasto do governo foi grande e houve déficit primário. O rombo nas contas do governo central é recorde e o déficit primário chegou a R$ 111 bi em 2015. Impressiona a escalada do déficit nominal que chegou a quase 10% do PIB em 2015, sendo que em dezembro de 2010 (ano em que a economia cresceu 7,5%), o déficit nominal acumulado em 12 meses estava em 2,41% do PIB. Agora ultrapassou todos os limites do razoável. Desta forma, a dívida pública sofreu em 2015 a maior alta, passando de 57,2% do PIB para 66,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 2015, segundo o Banco Central. Em termos nominais, o endividamento passou de R$ 3,252 trilhões para R$ 3,928 trilhões. Ou seja, o governo gasta mais do que arrecada, se endivida e assim mesmo a economia vai para o buraco e a desocupação aberta já ultrapassa 10 milhões de desempregados em janeiro de 2016 (fora o subemprego e o desalento).O Brasil está na situação em que os economistas chamam de “Dominância fiscal”. É um quadro em que o desarranjo das contas públicas se autoalimenta e as políticas monetárias e de renda perdem a capacidade de conter a inflação via aumento dos juros. Aliás, os juros altos só agravam as finanças públicas, aumentando valor da dívida e tornando ineficazes as propostas de ajuste fiscal. Ou seja, o Brasil entrou em uma situação de “déficit primário crônico” e como não possui governança para mudar a situação, a crise econômica tende a se agravar. Se a dívida estivesse crescendo para melhorar o investimento produtivo, social e ambiental era justificado. Mas dívida alta e juros altos só favorecem aos ricos. Esta é a realidade brasileira. Por conta disto, ainda em outubro de 2015, Nouriel Roubini (FSP, 13/10/2015) disse: “O Brasil está a beira do p

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A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em janeiro 27, 2016 por RedaçãoTags: crise financeira global, economia 7 2  5  [EcoDebate] O ano de 2015 foi o pior ano para o mercado de capital desde 2008, embora o PIB global tenha crescido perto de 3%. Mas o começo de 2016 bateu todos os recordes negativos e foi o pior início de ano da história das bolsas de valores. Tanto o Banco Mundial, quanto o Fundo Monetário Internacional falam em redução do crescimento econômico. Mas os últimos dados mostram que o quadro é mais grave e pode haver uma grande recessão mundial.Na verdade, a economia internacional está chegando ao fim de um período de crescimento derivado do “super-ciclo das commodities” e do “super-ciclo do crédito”. Numa situação de baixo nível de produtividade e com problemas acumulados ao longo dos anos, tudo indica que uma nova recessão é provável. A América Latina vai ter dois anos seguidos de recessão (2015 e 2016), enquanto o Oriente Médio e Norte da África pode seguir os mesmos passos da América ao sul do rio Grande.O preço das commodities já vinha caindo desde 2012, mas se acelerou bastante com a queda do preço do barril de petróleo que passou de mais de US$ 100,00 em 2014, para menos de US$ 50,00 em 2015 e para menos de US$ 30,00 no início de 2016. Até o índice do preço dos alimentos da FAO caiu para um nível abaixo do alcançado em 2009. Aparentemente, seria bom a queda do preço da energia e da comida, porém, os países emergentes e em desenvolvimento que dependem das receitas de exportação viram suas receitas caírem e seus problemas se agravarem.Paises que eram exemplos de emergência – como Brasil, Rússia e África do Sul – estão em severa crise. Os BRICS desmoronaram. Outros países estão em guerra, como a Síria, o Iêmen, a Líbia, o Iraque, a Ucrânia, etc. Ou seja, o chamado “Sul Global” que vinha liderando o crescimento mundial perdeu fôlego. Até a China parece interromper um período excepcional de 40 anos do maior crescimento da história da humanidade. Todos os países exportadores de petróleo e a empresas petrolíferas estão em crise.Em 2013 escrevi um artigo no EcoDebate, com base em estudo da consultoria Mackinsey, mostrando que as dívidas dos domicílios (famílias), governos, empresas e setor financeiro passou de US$ 87 trilhões no quarto trimestre de 2000 para US$ 142 trilhões no quarto trimestre de 2007 e para US$ 199 trilhões no segundo trimestre de 2014. Em proporção do PIB a dívida total passou de 246% em 2000, para 269% em 2007 e atingiu 286% em 2014. Naquele momento já se falava no estouro da bolha de crédito e em uma nova recessão internacional.Desde a crise de 2009, os diversos governos dos países desenvolvidos implantaram uma política monetária liberal, com ampla disponibilidade de crédito (Quantitative Easing) e baixas taxas de juros, visando incrementar as taxas de investimento e o crescimento econômico. Mas o que cresceu bastante neste período não foi a economia real, mas sim a especulação do mercado de capitais, como mostra o índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque que passou de menos de 7 mil pontos em 2009 para mais de 18 mil pontos em 2015. A tendência agora – depois que o FED iniciou um processo de aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos – é a diminuição da especulação financeira, mas sem a retomada das taxas de investimento. O mercado financeiro está em uma encruzilhada: se os juros ficarem próximos de zero a bolha financeira tende a crescer, agravando a crise financeira futura e se os juros subirem a bolha esvazia. Os últimos dados mostram que a perspectiva é de crise recessiva, queda do valor das ações, aumento do desemprego e queda da renda.Artigo de Michael Snyder (ainda em dezembro de 2015) mostrava que os 5 maiores bancos nos Estados Unidos (“grandes demais para falir”) tinham exposição a contratos de derivativos acima de 30 trilhões de dólares. Ele mostra que os maiores bancos dos EUA têm coletivamente mais de 247 trilhões de dólares de exposição a contratos de derivativos. Essa é uma quantidade de dinheiro que é mais de 13 vezes o tamanho da dívida nacional dos EUA e é uma bomba-relógio que pode desencadear um Armageddon financeiro a qualquer momento (como parece acontecer neste início de janeiro). Snyder também mostra que, globalmente, o valor nominal de todos os contratos de derivativos em aberto é de 552,9 trilhões de dólares, de acordo com dados do Banco de Pagamentos Internacionais.O autor gosta de se referir ao mercado de derivativos como uma forma de “jogo legalizado”. Aqueles que estão envolvidos na negociação de derivativos estão simplesmente apostando que algo vai ou não vai acontecer no futuro. Derivados desempenharam um papel crítico na crise financeira de 2008 e devem ter um papel de protagonista nesta nova crise financeira. O bilionário Warren Buffett se refere aos derivativos como “armas financeiras de destruição em massa”.Desde a última crise financeira, os grandes bancos americanos tornar

Fonte: A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate