Natureza e externalidade, artigo de Roberto Naime – EcoDebate

Natureza e externalidade, artigo de Roberto NaimeArtigo by Redação – 2/03/20170Compartilhe   [EcoDebate] O economista Marcus Eduardo de Oliveira realiza interessante abordagem de como a economia clássica percebe o meio ambiente.Sob o manto do ensinamento tradicional, equivocadamente a economia como ciência, apenas encarou a natureza como fonte provedora e fossa ou sumidouro de recursos.Dessa maneira, na tradicional linguagem dos economistas, a natureza sempre foi vista e tratada como “externalidade”, uma vez que, aos olhos da escola neoclássica ou ortodoxa, o meio ambiente está “fora” do modelo convencional do sistema econômico.Não cabem críticas porque se torna importante a manutenção de humildade, mas não dá para considerar “normal”, esta forma desapropriação até os dias atuais. Assim nunca vai acontecer nada nos encontros internacionais de meio ambiente ou mudanças climáticas patrocinados pela Organização das Nações Unidas (ONU).Uma das mensagens centrais que vem da chamada “Economia Ecológica’ e diz que a economia como atividade é um sistema aberto que faz constantes interações com a natureza, recebendo material e energia, e entregando para a mesma resíduos, dejetos, água contaminada como efluente ou esgoto e poluição em geral.Na verdade, a isto se denomina ecossistema urbano. Importa água, energia e alimentos e devolve para a natureza esgotos e efluentes tratados ou não e energia dissipada.Para início de conversa, é oportuno destacar que todos os sistemas abertos, assim como na economia, precisam importar energia e matéria com quantidade e qualidade adequadas, e exportar os mesmos de forma dissipada, garantindo assim sua reprodução.A visão predominante fica restrita ao fato de que a economia concebe a natureza como mera provedora de recursos (“input”), além de ser receptáculo para os resíduos do processo produtivo (“output”), pontuando, desse modo, ser a economia como um sistema fechado, contrariando a visão inicialmente aqui colocada.Dessa maneira, na tradicional linguagem dos economistas, a natureza sempre foi vista e tratada como “externalidade”, uma vez que, aos olhos da escola neoclássica chamada de ortodoxa, o meio ambiente enquanto sistema ecológico como um todo, além dos recursos naturais, da poluição, da degradação das riquezas da natureza, da depleção ecossistêmica, está “fora” do modelo convencional do sistema econômico.Sendo tipificado apenas nos fluxos monetários em que somente são observadas as “trocas” ou consumo de bens e serviços contra pagamentos a fatores produtivos entre as famílias consumidoras e as empresas produtoras, ou provedoras, sem interação com o mundo biofísico, como se tudo isso acontecesse numa “caixa isolada”.Assim sendo, a economia convencional nunca se colocou à frente para responder, devida e corretamente, quanto se pode tirar de recursos da natureza e quanto se pode devolver de resíduos ao meio ambiente via processo econômico. Ou seja, via atividade econômico-produtiva traduzida em mais produção e mais consumo, transformação de recursos em resíduos e energia dissipada, chamada de maior entropia.Qual a escala produtiva ou as bases econômicas que o meio ambiente com seus fundamentos ecológicas, pode suportar.E qual é o limite, ou a fronteira da ação antrópica sobre a natureza, tendo em conta que, na atualidade, quando se sabe que 60% dos 24 principais serviços ecossistêmicos estão se esgotando, além de já estar se usando 30% a mais dos recursos do planeta.A falta de respostas está vinculada ao fato de que, durante mais de 170 anos, contados do início da formulação científica dos postulados básicos da economia, em 1776 por Adam Smith e David Ricardo, até os anos 1950. A ortodoxia econômica não enfrentou, ao menos como se esperava, as relações existentes entre natureza e sociedade, meio ambiente e economia. Ou sistema econômico e sistema ecológico.Contudo, a mudança de visão da problemática ambiental colocada aqui inicialmente passou a ocorrer com mais ênfase a partir do crescimento exponencial da atividade econômica global, após os anos 1950. Quando ajustado ao crescimento populacional que, na atualidade, a cada intervalo de 12 anos, “coloca” mais 1 bilhão de pessoas no planeta para consumir tudo, resultando em mais pressão sobre os recursos da natureza, evidenciando com isso, que há limites a serem determinados e respeitados.Ademais, já é de pleno domínio e conhecimento quase que geral que uma vez ultrapassado esse limite, o resultado é catastrófico pois vidas humanas e não humanas, habitats, fauna e flora são colocadas em situação de risco decorrente das alterações ambientais provocadas pela ação humana e pelo excessivo modo econômico de produção.Tal incidência resulta, sobremaneira, naquilo que já vem sendo amplamente discutido desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, ou seja, a ocorrência de gravíssimos problemas ambientais, dos quais o mais ilustrativo certamente é o aquecimento global, face às emissões de CO2, por exemplo.Emissão de CO2, é importante reiter

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Horizontes 2030 da CEPAL: equidade social e keynesianismo ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves – EcoDebate

Horizontes 2030 da CEPAL: equidade social e keynesianismo ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesArtigo by Redação – 27/01/20170Compartilhe   [EcoDebate] O documento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) denominado “Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável”, apresentado no Trigésimo sexto período de sessões da Cepal, na Cidade do México, de 23 a 27 de maio de 2016, considera que as atuais transformações significam uma mudança de época, pois o estilo de desenvolvimento dominante tornou-se insustentável.Segundo a Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, existem profundos desequilíbrios econômicos, sociais e ambientais no mundo: “Essas contradições são inegáveis, como demonstram o aumento sem precedentes da desigualdade global nas últimas décadas, o agravamento da crise ambiental (especialmente a mudança climática) e o papel ambivalente da revolução tecnológica que, ao mesmo tempo em que abre opções para a sustentabilidade, gera tensões nos mercados de trabalho que se agravam à medida que se expandem as novas tecnologias” (p.9).Este documento, que a CEPAL apresentou aos países-membros em seu trigésimo sexto período de sessões, complementa analiticamente a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com base na perspectiva estruturalista do desenvolvimento e sob o ponto de vista dos países da América Latina e do Caribe. Este empenho se sustenta em um diagnóstico que reconhece fundamentos na tradição analítica estruturalista e incorpora, com maior ênfase, as dimensões ambiental e global dos problemas do desenvolvimento da região.Ainda segundo Bárcena: “O conceito ordenador é a mudança estrutural progressiva, definida como um processo de transformação para atividades e processos produtivos que apresentem três características: ser intensivos em aprendizagem e inovação (eficiência schumpeteriana), estar associados a mercados em rápida expansão, que permitam aumentar a produção e o emprego (eficiência keynesiana) e favorecer a proteção do meio ambiente e o desacoplamento entre crescimento econômico e emissões de carbono (eficiência ambiental). Para obter estruturas produtivas com estes três tipos de eficiência, que tornem compatíveis a igualdade e a proteção ambiental, é preciso um novo conjunto de instituições e coalizões políticas que as promovam em nível global, regional, nacional e local.Um instrumento central para a consecução desses objetivos é a criação de bens públicos globais. O caráter imprescindível desta dimensão é evidente nos temas ambientais, pois uma ação coletiva e uma coordenação que envolva todos os atores constituem condição sine qua non para reduzir as emissões. Não em vão a destruição do meio ambiente num contexto de desregulamentação foi qualificada como “a maior falha de mercado de todos os tempos”. Diante deste desafio, com o Acordo de Paris, aprovado em dezembro de 2015, conseguiu-se, apesar de suas insuficiências, dar um passo na direção correta no esforço para definir metas comuns de redução das emissões de gases do efeito estufa e avançar na descarbonização das economias, respeitando o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas” (p. 10).Estas questões são fundamentais, pois a América Latina e Caribe (ALC) foi uma das regiões do mundo que apresentaram as maiores taxas de crescimento no mundo entre 1820 e 1980. Ou seja, durante 160 anos, devido ao alto crescimento populacional e econômico, a América Latina e Caribe ganhou participação relativa no PIB mundial. Contudo, a situação se inverteu depois de 1980 e a América Latina começou a perder participação relativa no PIB mundial.Nos anos de 2015 e 2016, a ALC vai apresentar variação negativa no PIB, bem diferente do resto do mundo e outras regiões. Segundo dados do FMI, o PIB global deve crescer 3,2% em 2016, com a Ásia emergente apresentando o maior crescimento (6,4%) e o conjunto das economias em desenvolvimento atingindo 4,1%. A única região que deve apresentar recessão é a ALC que deve decrescer em 0,47% em 2016.Outro documento da CEPAL – Panorama Social da América Latina 2015 – mostrou que as conquistas parciais ocorridas entre 1990 e 2012 foram interrompidas e a pobreza e a indigência voltaram a subir na ALC. O número de pessoas indigentes subiu de 66 milhões em 2012 para 75 milhões em 2015 e o número de pobres subiu de 164 milhões em 2012 para 175 milhões em 2015. Ou seja, a curva descendente foi revertida para uma curva ascendente da pobreza e da indigência.Neste sentido o documento “Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável” apresenta uma série de propostas para enfrentar os desafios do próximo quindênio (2015-2030). O último parágrafo do prólogo diz: “Explorar esses caminhos, assentar suas bases, é o propósito das reflexões aqui apresentadas e o esforço permanente da CEPAL a serviço de um amanhã justo, digno e igualitário para os povos de nossa pátria comum” (p. 12). Vale a pena ler o documento que pode se

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O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula | Portal EcoDebate

O Fetiche Da Previdência, Artigo De Amadeu Roberto Garrido De PaulaArtigo by Redação – 22/12/20160Compartilhe  Charge in Humor Político – http://www.humorpolitico.com.br/ %5BEcoDebate%5D

O cidadão tende a confiar, em princípio, no discurso de seus governos legítimos. Por seu lado, os governos não podem e não devem mentir aos cidadãos. Lamentavelmente, o Brasil é um país de confiança fundada do povo e de escancaradas mentiras de seus governantes, num terreno de difícil acesso à compreensão da maioria da população – finanças públicas.Há anos o Brasil vive sob grosseira inconstitucionalidade. O dispositivo nevrálgico, porém maltratado, está no art. 167 de nossa Constituição da República, ao dispor: “É vedado: XI – a utilização de recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.” O art. 201 discrimina os benefícios.Os mencionados recursos estão previstos no art. 195, nestes termos: “A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e das seguintes contribuições sociais”.I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei, incidente sobre:a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;b) a receita ou o faturamento;c) o lucro.II. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidos pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;III. sobre a receita de concurso de prognósticos.Nada mais claro. Contudo, desde 1994 esses recursos estão sendo desviados por sucessivos governos, supostamente para pagamento dos juros da dívida da União. Supostamente porque, no Brasil de hoje, não sabemos aonde vão parar os desvios. No referido ano, foi criada o Fundo Social de Emergência. Depois passou-se à Desvinculação de Receitas Federais. Finalmente, por força da Emenda Constitucional n. 68, Desvinculação das Receitas Federais (DRU). Consequência: no final de 2015, dos 1,8 trilhão arrecadas pelo Tesouro por meio dessas receitas vinculadas, 1,1 trilhão foram apropriados pela União.Os governos, inclusive o atual, sempre sustentaram a constitucionalidade desse procedimento incorreto, jurídica e moralmente, socorrendo-se da Emenda Constitucional n. 68, que deslocou 20% dos recolhimentos de seu caminho reto. Ocorre que Emenda Constitucional também pode ser inconstitucional, sendo entendimentos de Cortes Supremas internacionais e de nosso Supremo Tribunal Federal.Feita essa consideração, ao lado de outras, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Brasil divulgou um quadro, com dados irrespondíveis, demonstrativo de que a Previdência não gera nenhum “deficit”, inclusive para o pagamento de aposentadorias, mas, ao contrário, produz “superavit”. Se considerarmos falsas as demonstrações dos Auditores Fiscais, a República, efetivamente, está perdida.O que nos leva a por de manifesto essa situação crônica é o sentimento, que o governo dissemina na sociedade, de que o grande vilão de nossas desgraças é a Previdência Social. Como se renúncia fiscal para indústrias automobilísticas não houvesse nos empobrecido, com carros na porta e em ruas intransitáveis. Várias outras isenções e imunidades foram concedidas, especialmente por meio de emendas “jabutis” contrabandeadas em leis de conversão em medida provisória, até que o STF as proibiu, porém somente “ad futurum”, em ação direta de inconstitucionalidade subscrita pelo autor destas modestas linhas.Enfim, nossos trabalhadores vão pagar a corrupção, as irresponsabilidades e as bandalheiras, mais uma vez em nossa sofrida história. No mínimo, deveriam vir à luz todas essas circunstâncias e não ficar-se no discurso único e equivocado de que o “saneamento” da Previdência Social saneará o Brasil. Entretanto, a divulgação da demonstração feita pelos Auditores Fiscais do Brasil permanece somente nas redes sociais, como se fosse algo impatriótico.Amadeu Roberto Garrido de Paula, é advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas. in EcoDebate, 22/12/2016″O fetiche da previdência, artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/12/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/12/22/o-fetiche-da-previdencia-artigo-de-amadeu-roberto-garrido-de-paula/. %5BCC BY-NC-SA 3.0]

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Ser humano: maior espécie invasora, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

“O ser humano é um ectoparasita que está matando o seu hospedeiro”Alves (28/09/2016)“Há 10.000 anos os seres humanos e seus animais representavam menos de um décimo deum por cento da biomassa dos vertebrados da terra. Agora, eles são 97 por cento”Patterson (07/05/2014)  [EcoDebate] Em 2012, escrevi um artigo provocativo no Portal Ecodebate perguntando se a expansão do ser humano por todos os cantos e espaços do Planeta poderia ser considerada uma atividade semelhante ao que acontece na biologia com as espécies invasoras.A ideia do conflito irreconciliável e antagônico entre o ser humano e a natureza não é nova. Diversos autores já trataram a humanidade como um câncer, uma praga ou erva daninha que ataca a biodiversidade da Terra. Por exemplo, o grande ambientalista David Attenborough disse: “Somos uma praga sobre a Terra. Não é apenas a mudança climática; é o espaço absoluto, lugares para cultivar alimentos para esta enorme horda. Ou nós limitamos o nosso crescimento populacional ou o mundo natural fará isso por nós. Aliás o mundo natural já começou a fazer isso para nós agora”.Na mesma linha, o filósofo britânico John Gray, em entrevista à revista Época (29/05/2006), apresenta um prognóstico pessimista sobre a humanidade: “A espécie humana expandiu-se a tal ponto que ameaça a existência dos outros seres. Tornou-se uma praga que destrói e ameaça o equilíbrio do planeta. E a Terra reagiu. O processo de eliminação da humanidade já está em curso e, a meu ver, é inevitável. Vai se dar pela combinação do agravamento do efeito estufa com desastres climáticos e a escassez de recursos. A boa notícia é que, livre do homem, o planeta poderá se recuperar e seguir seu curso”.Também o Dr. David Suzuki (2016) considera que os seres humanos estão no topo dos predadores do mundo. Predação é uma função natural importante. Mas como a população humana cresceu, passou a influir na dinâmica dos ecossistemas rompendo os equilíbrios naturais. Ele diz que precisamos parar de procurar bodes expiatórios e olhar no espelho e perceber que a principal causa do declínio das espécies são o agigantamento das atividades antrópicas.Agora em abril de 2016, a revista Nature publicou o texto “Post-invasion demography of prehistoric humans in South America” (GOLDBERG, et. al. 2016) que trata da “invasão” humana na América do Sul. O texto reconstrói os padrões espaço-temporais de crescimento da população humana na América do Sul, usando um banco de dados recém-agregados de 1.147 sítios arqueológicos e 5.464 datações calibradas abrangendo quatorze mil a dois mil anos atrás. Demonstra que, em vez de uma expansão exponencial constante, a história demográfica dos sul-americanos é caracterizada por duas fases distintas. Em primeiro lugar, os humanos se espalharam rapidamente por todo o continente desde 14 mil anos, mas manteve-se com população baixa até 8.000 anos atrás, incluindo um período de oscilações (boom and bust) sem crescimento líquido por 4.000 anos. Só com sedentarismo generalizado a partir de 5,5 mil anos atrás houve uma segunda fase demográfica de crescimento exponencial da população. A capacidade da humanidade para modificar seu ambiente e para aumentar acentuadamente a capacidade de carga na América do Sul é, portanto, um fenômeno recente.  O estudo estabelece uma base para a compreensão de como os seres humanos contribuíram para a maior extinção do Pleistoceno de grandes mamíferos, como preguiças, cavalos e criaturas chamadas gomphotheres. Em seguida, o estudo considera que, de acordo com outras espécies invasoras, os seres humanos parecem ter sido submetidos a um declínio da população, consistente com a ideia da sobre-exploração dos recursos naturais. Mas com o surgimento de sociedades sedentárias houve novamente crescimento exponencial da população.Hoje em dia parece que o crescimento populacional ultrapassou a capacidade de carga novamente. A pergunta que fica é se os avanços tecnológicos serão capazes de superar os limites da capacidade de carga ou se a pressão das atividades antrópicas vai provocar uma grande extinção em massa das espécies endêmicas e dos demais seres vivos do Planeta.O artigo publicado na revista PLoS Biology, em agosto de 2016, estima que o mundo natural contém cerca de 8,7 milhões de espécies. Mas a grande maioria ainda não foi identificada. Os autores alertam que muitas espécies serão extintas antes que possam ser estudadas.As estatísticas mostram que as áreas de proteção ambiental cobrem apenas 20 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 15% do planeta, número que está abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que prevê 17% de cobertura em 2020. As Metas de Aichi são consideradas o maior acordo global sobre biodiversidade em nível mundial e estão voltadas à redução da perda da biodiversidade, em todo o planeta. Reunidas em cinco objetivos estratégicos, as 20 Metas de Aichi são assim chamadas, pois foram definidas durante a 10ª Conferência das Partes da Convenç

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O sexênio (2011-16) perdido e a crise fiscal, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

O sexênio (2011-16) perdido e a crise fiscal, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em fevereiro 3, 2016 por RedaçãoTags: economia, modelo de desenvolvimento 0 0  0“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolherama neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighieri[EcoDebate] A economia brasileira cresceu mais de 7% ao ano entre 1950 e 1980, bem superior a média de 4 a 5% da primeira metade do século XX. Foi um dos maiores crescimentos do mundo. Mas o modelo desenvolvimentista entrou em crise a partir de 1981 e, mesmo apresentando oscilações cíclicas, reduziu muito o crescimento do PIB nas décadas seguintes. Os anos 80 foram definidos como a primeira década perdida. Nos anos 90, a partir do Plano Real, elaborado no governo Itamar, houve redução da hiperinflação e uma retomada moderada da economia. Na primeira década do século XXI, houve crescimento ainda maior do PIB em relação aos anos 90, mas muito aquém dos chamados “trinta anos de ouro”. As linhas azuis do gráfico mostram as taxas anuais de crescimento do PIB e a linha vermelha a média móvel do sexênio.Como se verifica, os seis primeiros anos do governo da presidenta Dilma Rousseff romperam com um período de recuperação econômica e representaram desempenho diametralmente oposto ao “quinquênio virtuoso”, que aconteceu no governo Lula, de 2004 a 2008 (ALVES, 2009).O sexênio 2011 a 2016 já pode ser considerado o pior dos últimos 116 anos, ganhando o título de menor crescimento do PIB da história da República (desde 1901), perdendo até para o famigerado período Sarney-Collor (sexênio 1987-1992). Com queda do PIB de 3,8% em 2015 e 3,5% em 2016 (segundo a última projeção do FMI), o sexênio de 2011-16 terá uma média de crescimento de 0,16%, três vezes menor do que 0,44% do sexênio Sarney-Collor. Em 116 anos somente duas vezes a média do sexênio ficou abaixo de 1%. Como o crescimento demográfico anual está em 0,8% ao ano, a redução da renda per capita e empobrecimento geral da nação será sentido por mais de 200 milhões de habitantes.O Brasil vive a sua crise mais séria desde a independência. Séria pelas consequências imediatas e séria porque está matando qualquer futuro promissor e qualquer possibilidade de melhora no médio e longo prazos. O sexênio perdido é o prenúncio de um segundo decênio perdido e, provavelmente, um futuro perdido. As projeções do FMI, de janeiro de 2016, indicam que o Brasil cresce muito menos do que a economia da América Latina e puxa a média mundial para baixo. Em 2015, o Brasil (junto a Venezuela) foi o patinho feio da economia internacional, sendo que as principais causas do colapso são autoprovocadas. Houve redução da renda per capita em 2014, 2015 e 2016. O FMI já prevê crescimento zero para o Brasil em 2017. Será, portanto, o quadriênio (2014-17) do empobrecimento acelerado. Somente em 2015, o Brasil perdeu 1.542.371 (um milhão, quinhentos e quarenta e dois mil e trezentos e setenta e um) postos de trabalho celetistas, segundo dados do Caged, do ministério do Trabalho. A quantidade de pessoas ocupadas na região metropolitana de São Paulo é menor hoje em dia do que a cinco anos atrás, segundo dados do Dieese/Seade.O mais impressionante é que a economia teve baixo desempenho em um momento em que o gasto do governo foi grande e houve déficit primário. O rombo nas contas do governo central é recorde e o déficit primário chegou a R$ 111 bi em 2015. Impressiona a escalada do déficit nominal que chegou a quase 10% do PIB em 2015, sendo que em dezembro de 2010 (ano em que a economia cresceu 7,5%), o déficit nominal acumulado em 12 meses estava em 2,41% do PIB. Agora ultrapassou todos os limites do razoável. Desta forma, a dívida pública sofreu em 2015 a maior alta, passando de 57,2% do PIB para 66,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 2015, segundo o Banco Central. Em termos nominais, o endividamento passou de R$ 3,252 trilhões para R$ 3,928 trilhões. Ou seja, o governo gasta mais do que arrecada, se endivida e assim mesmo a economia vai para o buraco e a desocupação aberta já ultrapassa 10 milhões de desempregados em janeiro de 2016 (fora o subemprego e o desalento).O Brasil está na situação em que os economistas chamam de “Dominância fiscal”. É um quadro em que o desarranjo das contas públicas se autoalimenta e as políticas monetárias e de renda perdem a capacidade de conter a inflação via aumento dos juros. Aliás, os juros altos só agravam as finanças públicas, aumentando valor da dívida e tornando ineficazes as propostas de ajuste fiscal. Ou seja, o Brasil entrou em uma situação de “déficit primário crônico” e como não possui governança para mudar a situação, a crise econômica tende a se agravar. Se a dívida estivesse crescendo para melhorar o investimento produtivo, social e ambiental era justificado. Mas dívida alta e juros altos só favorecem aos ricos. Esta é a realidade brasileira. Por conta disto, ainda em outubro de 2015, Nouriel Roubini (FSP, 13/10/2015) disse: “O Brasil está a beira do p

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A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

A crise financeira e a recessão mundial em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em janeiro 27, 2016 por RedaçãoTags: crise financeira global, economia 7 2  5  [EcoDebate] O ano de 2015 foi o pior ano para o mercado de capital desde 2008, embora o PIB global tenha crescido perto de 3%. Mas o começo de 2016 bateu todos os recordes negativos e foi o pior início de ano da história das bolsas de valores. Tanto o Banco Mundial, quanto o Fundo Monetário Internacional falam em redução do crescimento econômico. Mas os últimos dados mostram que o quadro é mais grave e pode haver uma grande recessão mundial.Na verdade, a economia internacional está chegando ao fim de um período de crescimento derivado do “super-ciclo das commodities” e do “super-ciclo do crédito”. Numa situação de baixo nível de produtividade e com problemas acumulados ao longo dos anos, tudo indica que uma nova recessão é provável. A América Latina vai ter dois anos seguidos de recessão (2015 e 2016), enquanto o Oriente Médio e Norte da África pode seguir os mesmos passos da América ao sul do rio Grande.O preço das commodities já vinha caindo desde 2012, mas se acelerou bastante com a queda do preço do barril de petróleo que passou de mais de US$ 100,00 em 2014, para menos de US$ 50,00 em 2015 e para menos de US$ 30,00 no início de 2016. Até o índice do preço dos alimentos da FAO caiu para um nível abaixo do alcançado em 2009. Aparentemente, seria bom a queda do preço da energia e da comida, porém, os países emergentes e em desenvolvimento que dependem das receitas de exportação viram suas receitas caírem e seus problemas se agravarem.Paises que eram exemplos de emergência – como Brasil, Rússia e África do Sul – estão em severa crise. Os BRICS desmoronaram. Outros países estão em guerra, como a Síria, o Iêmen, a Líbia, o Iraque, a Ucrânia, etc. Ou seja, o chamado “Sul Global” que vinha liderando o crescimento mundial perdeu fôlego. Até a China parece interromper um período excepcional de 40 anos do maior crescimento da história da humanidade. Todos os países exportadores de petróleo e a empresas petrolíferas estão em crise.Em 2013 escrevi um artigo no EcoDebate, com base em estudo da consultoria Mackinsey, mostrando que as dívidas dos domicílios (famílias), governos, empresas e setor financeiro passou de US$ 87 trilhões no quarto trimestre de 2000 para US$ 142 trilhões no quarto trimestre de 2007 e para US$ 199 trilhões no segundo trimestre de 2014. Em proporção do PIB a dívida total passou de 246% em 2000, para 269% em 2007 e atingiu 286% em 2014. Naquele momento já se falava no estouro da bolha de crédito e em uma nova recessão internacional.Desde a crise de 2009, os diversos governos dos países desenvolvidos implantaram uma política monetária liberal, com ampla disponibilidade de crédito (Quantitative Easing) e baixas taxas de juros, visando incrementar as taxas de investimento e o crescimento econômico. Mas o que cresceu bastante neste período não foi a economia real, mas sim a especulação do mercado de capitais, como mostra o índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque que passou de menos de 7 mil pontos em 2009 para mais de 18 mil pontos em 2015. A tendência agora – depois que o FED iniciou um processo de aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos – é a diminuição da especulação financeira, mas sem a retomada das taxas de investimento. O mercado financeiro está em uma encruzilhada: se os juros ficarem próximos de zero a bolha financeira tende a crescer, agravando a crise financeira futura e se os juros subirem a bolha esvazia. Os últimos dados mostram que a perspectiva é de crise recessiva, queda do valor das ações, aumento do desemprego e queda da renda.Artigo de Michael Snyder (ainda em dezembro de 2015) mostrava que os 5 maiores bancos nos Estados Unidos (“grandes demais para falir”) tinham exposição a contratos de derivativos acima de 30 trilhões de dólares. Ele mostra que os maiores bancos dos EUA têm coletivamente mais de 247 trilhões de dólares de exposição a contratos de derivativos. Essa é uma quantidade de dinheiro que é mais de 13 vezes o tamanho da dívida nacional dos EUA e é uma bomba-relógio que pode desencadear um Armageddon financeiro a qualquer momento (como parece acontecer neste início de janeiro). Snyder também mostra que, globalmente, o valor nominal de todos os contratos de derivativos em aberto é de 552,9 trilhões de dólares, de acordo com dados do Banco de Pagamentos Internacionais.O autor gosta de se referir ao mercado de derivativos como uma forma de “jogo legalizado”. Aqueles que estão envolvidos na negociação de derivativos estão simplesmente apostando que algo vai ou não vai acontecer no futuro. Derivados desempenharam um papel crítico na crise financeira de 2008 e devem ter um papel de protagonista nesta nova crise financeira. O bilionário Warren Buffett se refere aos derivativos como “armas financeiras de destruição em massa”.Desde a última crise financeira, os grandes bancos americanos tornar

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Liderança e Andragogia

Liderança e Andragogia


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

*Luiz Roberto Fava

De todos os seres da natureza, o homem é o único ser consciente pelos atos que pratica e o único que tem a capacidade de aumentar seus conhecimentos por vontade própria. Por isso é o mais desenvolvido de todos.