Residências que produzem sua própria energia elétrica quadruplicam em 2015 | Portal EcoDebate

Residências que produzem sua própria energia elétrica quadruplicam em 2015Publicado em janeiro 29, 2016 por RedaçãoTags: energia, energia solar 2 1  0  Até 2030, 2,7 milhões de unidades consumidoras deverão ter energia gerada por elas mesmas, entre residências, comércios, indústrias e no setor agrícolaA geração distribuída no Brasil registrou em 2015 o total de 1.307 novas adesões de consumidores, somando uma potência instalada de 16,5 megawatts (MW) e totalizando 1.731 conexões. A geração distribuída é quando o consumidor brasileiro pode gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis.Apenas entre novembro e dezembro, após a aprovação das alterações na Resolução Normativa Aneel 482/2012 e o Lançamento do Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), houve crescimento de 73% nos projetos, que registravam mil unidades em outubro.A fonte mais utilizada pelos consumidores continua sendo a solar, com 1.675 adesões, seguida da eólica, com 33 instalações. Atualmente, o estado que possui mais micro e minigeradores é Minas Gerais, com 333 conexões. Seguem o Rio de Janeiro, com 203, e o Rio Grande do Sul, com 186.A geração distribuída tem registrado crescimento expressivo desde as primeiras instalações, em 2012. Naquele ano, eram apenas três projetos registrados, enquanto que em 2013 foram verificados 75. Se comparado com o ano de 2014, quando registrado 424 conexões, o número de adesões quadruplicou em 2015, passando para os atuais 1.731 adesões.Com o aprimoramento na Resolução Normativa nº 482/2012, que criou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica e permite que o consumidor instale pequenos geradores, tais como painéis solares fotovoltaicos e microturbinas eólicas, são estimadas 1.230.000 unidades de micro e minigeração até 2024, o que representaria 4.500 MW de capacidade. As novas regras começam a valer a partir de 1º de março de 2016.Para aprofundar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, com base nas fontes renováveis de energia, o Ministério de Minas e Energia (MME), lançou em dezembro de 2015, o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD).Com investimentos de pouco mais de R$ 100 bilhões até 2030, o Programa prevê que 2,7 milhões de unidades consumidoras poderão ter energia gerada por elas mesmas, entre residências, comércios, indústrias e no setor agrícola, o que pode resultar em 23.500 MW (cerca de 48 TWh produzidos anualmente) de energia limpa e renovável, o equivalente à metade da geração anual da Usina Hidrelétrica de Itaipu.Fonte: Ministério de Minas e Energia e Aneelin EcoDebate, 29/01/2016 [CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebateCaso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebatePara cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.Os nossos leitores gostaram igualmente deMaiores aquíferos do planeta estão sob ameaça de esgotamentoSem consenso, PEC 215, da demarcação de terras indígenas, está pronta para votaçãoLaudo da SOS Mata Atlântica revela que água do Rio Doce continua imprópria para consumo Análise da água do Rio DoceCadastro ambiental rural e programas de recuperação ambiental, artigo de Roberto NaimeO perigo do sal: ‘A maioria de nós nem sequer sabe o quanto de sódio consome’Esgoto doméstico rural se transforma em adubo orgânicoAlimentos industrializados: Corantes, espessantes, gordura trans e outros produtos podem fazer malAté 2030 planeta pode enfrentar déficit de água de até 40%, alerta relatório da ONU‘Eucalipto transgênico representa um risco à saúde pública’, por Nagib NassarEspecialista esclarece mitos e verdades sobre amamentação e doação de leite humano

Fonte: Residências que produzem sua própria energia elétrica quadruplicam em 2015 | Portal EcoDebate

Plano Brasil Agroecológico: Governo vai incentivar transição para agricultura ecológica, diz secretário

Publicado em julho 2, 2014 por 

Tags: agroecologiaagrotóxicossegurança alimentar

alimentos

 

Resultados e perspectivas do Plano Brasil Agroecológico, lançado pelo Executivo no final do ano passado, foram discutidos em audiência pública na Câmara.

 

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência Pública para discutir os resultados e perspectivas do Plano Brasil Agroecológico. Secretário de Agricultura Familiar - SAF/MDA, Valter Bianchini
Bianchini: é preciso diminuir o uso de agrotóxicos na produção brasileira.
 

Até 2015, o governo federal deve investir R$ 8,8 bilhões em programas de fortalecimento da agroecologia, informou o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini, nesta terça-feira (1), na Câmara dos Deputados. Além disso, como parte do Plano Brasil Agroecológico, o Executivo pretende certificar 50 mil produtores de orgânicos e aumentar os programas de desenvolvimento de tecnologia para setor, disse o dirigente.Segundo Bianchini, o País conta apenas com cerca de sete mil produtores com certificação, dos dez mil cadastrados. O governo também pretende promover a transição de 115 mil agricultores para agroecologia. Hoje, o Brasil tem 4,2 milhões de pequenas propriedades, com cerca de 12 milhões de trabalhadores.

O representante do MDA participou de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para debater os resultados e perspectiva do plano, lançado pela presidente Dilma Rousseff no final do ano passado.

Conforme ressaltou Bianchini, o principal objetivo do programa é promover a transição da agricultura brasileira para o modelo mais ecológico. Ele destacou que, na realidade atual, são utilizados cinco litros de agrotóxicos per capita por ano no Brasil. “Esse é um recorde que não gostamos de ter”, declarou.

Investimentos
O secretário explicou ainda que serão feitas adaptações no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) já para esta safra. O especialista salientou que, para o setor, a taxa de juros cobrada será de 1% ao ano para todas as faixas de investimento. “São as menores mesmo dentro do Pronaf”, sustentou.

Atualmente, para investimentos de até R$ 10 mil, a taxa já está em 1%, mas, acima desse limite, sobre para 2%. Dentro do Pronaf, a ideia do governo, segundo o secretário de agricultura familiar,é ofertar R$ 2,5 bilhões até 2015.

No âmbito do Plano Safra, projetos de até R$ 40 mil também terão taxas de 1%. Além disso, poderão ser utilizados recursos dos fundos constitucionais para financiar sistemas agroecológicos e assistência técnica por até três anos, prazo para estabilizar a produção.

Sementes
Outra ação prevista no Brasil Agroecológico é aquisição de sementes criolas e varietais de produtores familiares por instituições públicas. “O governo federal vai poder comprar até R$ 16 mil por agricultor, assim como órgãos públicos e governos estaduais parceiros”, explicou Bianchini.

 

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência Pública para discutir os resultados e perspectivas do Plano Brasil Agroecológico. Dep. Luci Choinacki (PT - SC)
Luci Choinacki defendeu a importância do programa do governo para os pequenos produtores.
 

Para a deputada Luci Choinacki (PT-SC), autora do pedido de realização do debate, somente essa ação já representa uma grande conquista para os pequenos produtores. “Esse programa é importante, porque, às vezes, os agricultores produziam a semente e não tinha como vender”, comentou Luci, que é coordenadora da Frente Parlamentar Mista pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica.O deputado Padre João (PT-MG) considera que “o maior problema hoje [dos agricultores] é o acesso à semente, pois estão todos reféns de umas seis empresas no mundo”.

Na avaliação dele, é preciso “devolver as sementes e com informação”, e essa política de governo vai dar tal suporte ao produtor. “É impossível falar de soberania sem resgate das sementes, das raízes”, completou.

Pesquisas
Valter Bianchini também acredita que até o final do ano a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) estará consolidada. Com isso, conforme com o secretário, vai se constituir um sistema integrado de desenvolvimento tecnológico e extensão, em parceria com a Embrapa e o sistema nacional de pesquisa e ensino.

Como parte desse trabalho, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai financiar todos os grupos de pesquisas de universidades que queiram investigar o assunto. “O objetivo é ter projetos pilotos e redes de referência em todo o território nacional, com todas as propriedades beneficiadas pelo programa”, disse.

O diretor-executivo da Embrapa, Waldyr Stumpf Junior, explicou que a instituição já realiza uma série de trabalhos de acordo com as necessidades de cada região do País. “Temos um grande repositório de todas as sementes produzidas no Brasil: são mais de 140 mil tipos, além de animais e micro-organismos”, destacou.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Marcelo Oliveira

Fonte: Agência Câmara de Notícias.

EcoDebate, 02/07/2014


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Alexa

 

FELIZ DIA DA TERRA

Os direitos humanos devem se ajustar aos direitos da natureza
ALESSANDRA VIDOTTI 22 DE ABRIL DE 2013 1

Esta é a principal mensagem que nossa colunista quer deixar no Dia da Terra.

Feliz dia da Terra!!

Hoje, 22 de abril de 2013, se celebra internacionalmente o dia da terra. O primeiro evento como este aconteceu em 22 de abril de 1970, quando 20 milhões de americanos de diversas crenças e lugares saíram às ruas para chamar a atenção sobre a necessidade de proteger a Mãe Terra. O acontecimento tem o crédito de representar o lançamento do movimento meio ambiental moderno. Em seguida, surgiram diversas leis meio ambientais inovadoras, primeiro nos Estados Unidos e depois internacionalmente, como a Lei do Ar Limpo, a Lei da Água Limpa, a Lei das Espécies Ameaçadas de Extinção, entre outras.

Nascida do primeiro Dia da Terra, a Rede Dia da Terra (Earth Day Network – EDN http://www.earthday.org/) trabalha com mais de 22 mil parceiros em 192 países para ampliar, diversificar e mobilizar o movimento ambientalista. Mais de 1 bilhão de pessoas participam de atividades do Dia da Terra a cada ano, o que o torna esta ação o maior evento de observância cívica do mundo.

Como mensagem deste Dia da Terra, deixo um vídeo, trailer do documentário de Silvio Tendler sobre a máfia dos agrotóxicos e dos transgênicos no Brasil. Já tem um ou dois anos, mas como o revi recentemente, e o problema segue inalterado – a não ser pelo aumento de uma força de resistência e de mais produtores de alimentos orgânicos pelo país – acho que vale a pena dar uma olhada agora de novo. Infelizmente, o Brasil continua sendo número um em uso de agrotóxicos.

Não é uma mensagem tão bonita para um dia de celebração, mas serve para alertar sobre o que estão fazendo com a matéria-prima mais extraordinária e importante que a natureza nos da: os nossos alimentos. Aproveitemos este dia nos unirmos aos que se mobilizam contra essas barbaridades em nome do poder e do dinheiro, e para começarmos a mudar nossos hábitos alimentares, buscando conhecer as origens dos alimentos que comemos e comprar produtos orgânicos e de pequenos produtores. Plantar em casa, tomate por exemplo, que é um dos alimentos que mais absorve as químicas dos agrotóxicos, também pode ser uma ótima opção, e mais barata que comprar o alimento orgânico.

Finalmente, em concordância com o que diz Eduardo Galeano no início do vídeo, a mensagem que deixo para o Dia da Terra é de que uma mudança efetiva nesse sentido requer que os direitos humanos se ajustem aos direitos da natureza. Porque muitos paises que aplicam e defendem os direitos humanos se esquecem de que os humanos dependem da natureza e que, portanto, defender os direitos humanos também requer a defesa do meio ambiente e da terra que nos oferece nossa alimentação.

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Sobre o autor: Alessandra Vidotti Veja todos os posts do autor Alessandra Vidotti

Alessandra Vidotti é gestora cultural, natural de São Paulo. Atualmente vive em Barcelona, onde desenvolve pesquisa de mestrado sobre a relação da sustentabilidade com a cultura e as artes. É interdisciplinar por convicção, formada em letras e com interesses em relações e política internacional, ecologia, artes e temas sociais.

Fazenda Yamaguishi e a produção de alimentos orgânicos.

Fazenda produz mais de 60 produtos sem agrotóxicos

O cultivo orgânico de legumes, verduras, galinhas e ervas é feito por 26 associados

14/10/2011 – 11:14

Caminhos da Roça

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A equipe do Caminhos da Roça foi até a cidade de Jaguariúna, em uma propriedade que é especializada na produção de orgânicos. São 26 associados que cultivam legumes, verduras, galinhas e ervas sem a utilização de agrotóxicos. Para falar sobre esse setor que tem crescido, a repórter Fernanda Mitzakoff conversou com o produtor Romeu Leite, que também é Diretor da Associação de Agricultura Natural de Campinas e Presidente da Câmara Temática Nacional de Agricultura Orgânica.

Fernanda Mitzakoff – O que é que vocês produzem aqui?

Romeu Leite – Aqui nós produzimos mais de 60 variedades, entre ovos, frutas, legumes, verduras e é uma produção integrada, entre produção animal e produção vegetal.

Fernanda Mitzakoff – Como é que o senhor começou a produzir só orgânicos?

Romeu Leite – A minha família é uma família de agricultores, então eu via o que aconteceu na época do meu pai, que era obrigado a pegar os pacotes do governo quando fazia financiamento pra comprar sementes. Ele tinha que levar junto herbicida, o inseticida, né? E eu vi que cada vez precisava ser inseticida mais forte, porque os insetos estavam cada vez mais resistentes. Com isso a terra estava cada vez mais pobre com aquele adubo solúvel e quando eu entrei na universidade, eu entrei preocupado em reverter essa situação. Mas na universidade naquela época também, eu era ridicularizado, pois como alguém queria produzir sem esses insumos modernos? Mas nós conseguimos fazer um grupo dentro da universidade que foi pesquisar sobre assunto e depois de formados começamos uma produção aqui em Jaguariúna.

Fernanda Mitzakoff – Em uma plantação de couve, elas ficam muito mais bonitas, mais verdes e tem todos os benefícios de produtos cultivados sem inseticidas e agrotóxicos. Quais são os benefícios para as plantas, para as hortaliças e também para quem consome?

Romeu Leite – As plantas têm a nutrição delas, muito em função da atividade biológica do solo. À medida que você vai usando esses insumos sintéticos, que vão deixando nitrato, nitrito do solo, eles vão matando essa vida no solo, ou seja, as bactérias, os fungos, todos esses organismos que sobrevivem no solo e que fazem a acareação de nutrientes da raiz da planta. Então a planta fica muito mais forte, as raízes dela mais fortalecidas, porque elas precisam se aprofundar mais. Com isso também conseguem extrair mais nutrientes do solo e consequentemente fornecerem mais nutrientes na sua produção, como alimento.

Fernanda Mitzakoff – E quais são os benefícios para o consumidor?

Romeu Leite – O consumidor comendo uma planta, um alimento sem resíduos tóxicos, ele vai ter uma saúde melhor. Esses pequenos resíduos de agrotóxicos que vão ficando nos alimentos, vão minando a saúde do consumidor, então, à medida que ele passa a comer um alimento limpo desses resíduos, a sua saúde, o seu metabolismo volta a funcionar com normalidade. É importante para a saúde do consumidor estar sabendo também o que contém naquilo que ele está comendo.

Fernanda Mitzakoff – No lugar dos produtos químicos o que vocês usam?

Romeu Leite – Então, a gente usa bastante adubação verde e nós temos aqui um sistema que é integrado entre a produção animal, no caso é a produção de ovos orgânicos com galinhas e o dejeto, o esterco desses animais que é compostado e vem pra horta em forma de adubo orgânico, então essa é a principal nutrição das plantas. É através dessa adubação orgânica e também os insetos de controle biológico. Acontece é que trabalhamos com uma diversidade muito grande, nós temos mais de 60 variedades de verduras plantadas. Essa diversidade grande de verduras, ela atrai uma diversidade grande de insetos, borboletas, por exemplo. Então, vêm os insetos que comem as plantas, mas também vêm os insetos que são predadores desses insetos. Assim com o passar do tempo você deixa de usar esses inseticidas que matam tanto os insetos que comem a planta quanto os predadores deles. Sem os inseticidas o equilíbrio volta a se restabelecer. Nessa propriedade demora um certo tempo, esse período de voltar o equilíbrio, mas depois que volta, você não precisa usar nenhum tipo de produto, desde que haja uma diversidade de plantas.

Fernanda Mitzakoff – E a irrigação?

Romeu Leite – A irrigação a gente faz com água da nascente própria. A gente tem, por exemplo, quebra ventos que ajudam a segurar o vento pra não ressecar tanto as folhas e com isso diminuiu também o uso da irrigação. Outra coisa que também diminui o uso da irrigação é fazer uma cobertura morta grande, pois com mais matéria orgânica ela segura mais umidade e não precisa ter tanta irrigação.

Fernanda Mitzakoff – A gente vê umas árvores estrategicamente posicionadas. Para que elas servem? Tem alguma função?

Romeu Leite – Sim. Essa árvore especificamente é uma árvore de uma planta chamada “neem”. É uma árvore de origem indiana e ela produz uma substância que é a zactina, que serve como repelente, como inseticida natural, principalmente pra ácaros. Ela tem um efeito bastante positivo e tem sido uma grande ferramenta na conversão pra agroecologia.

Fernanda Mitzakoff – É mais uma atitude ecologicamente correta dentro de um conjunto de ações que vocês fazem aqui?

Romeu Leite – Exatamente, tem que ser um conjunto de ações mesmo.

Fernanda Mitzakoff – Para conseguir esse resultado positivo.

Romeu Leite – Trabalhar junto com a natureza, junto com os insetos, juntos com as plantas, se não for dessa maneira, não dá pra produzir.

Fernanda Mitzakoff – Tem muita novidade muita informação, mas como é que o produtor pode ficar sabendo se o que ele pode usar na lavoura dele tem fundamento científico ou é só um modismo? Como funciona isso?

Romeu Leite – O Ministério da Agricultura publicou a instrução normativa de produção e essas instruções normativas tem as listas das substâncias permitidas para a agricultura orgânica, então as substâncias que estão alí, são substâncias já comprovadamente utilizáveis na agricultura orgânica. Primeiro conhecer a legislação e que designa quais são essas substâncias e agora a troca de experiências entre os agricultores, é muito importante. Ir, verificar, ver como que o outro agricultor fez, dentro da agricultura orgânica existe essa cooperação entre os agricultores, nós temos uma carência muito grande de pesquisa em agroecologia no Brasil hoje. A verba destinada para pesquisa em agroecologia é muito pequena, então o que resta ao agricultor é fazer suas próprias pesquisas. Como aqui, por exemplo, nós temos mais de 20 pesquisas em andamento nessa área de produção em parceria com Embrapa, com o instituto biológico, com a Unicamp e essas pesquisas, como as verbas são curtas, elas precisam ser feitas pelo próprio agricultor, atualmente essa troca de experiência é muito importante.

Fernanda Mitzakoff – O senhor falou das regras do governo, como é que está adesão dos produtores?

Romeu Leite – É a lei brasileira, é uma legislação bastante avançada, mas é uma legislação, que procura abrigar inclusive as questões sociais, então é uma legislação que permite que o pequeno produtor, mesmo sem muito recurso financeiro, possa comercializar o seu produto como orgânico. As normas, as instruções normativas publicadas pelo governo, elas ajudam não só a orientar o agricultor a produzir, como também a regulamentar o mercado para que as normas sejam unificadas e estejamos todos falando a mesma língua. A legislação brasileira prevê a possibilidade da venda direta do produtor ao consumidor sem a certificação, ela permite a grupos de agricultores se organizarem em certificação participativa e ela também permite você contratar uma empresa pra fazer a auditoria de certificação. Então, agricultores menores se encaixam mais nestas duas outras formas, não a certificação que é paga, e dessa forma então ela abrange todos os segmentos dos agricultores.

Fernanda Mitzakoff – Tanto os grandes quanto os pequenos?

Romeu Leite – Tanto os grandes quanto os pequenos.

Fernanda Mitzakoff – Na nossa enquete da semana o assunto foi os alimentos orgânicos. A pergunta foi sobre a regularidade com que as pessoas consomem produtos orgânicos. Os resultados foram: 34% dos internautas afirmaram que consomem menos do que gostariam. 22% consomem raramente. 20%, nunca. Por outro lado, 18% disseram que se alimentam deste tipo de produto o máximo possível. E 6%, sempre. Como a gente pôde ver pelo resultado da enquete, ainda tem muito que crescer esse mercado, né? Como é que ele está hoje em dia?

Romeu Leite – Nós tivemos um crescimento o ano passado em torno de 40%, e pelas notícias que estão chegando esse ano, que não fechou ainda, eu acredito que vai permanecer mais uns 40% de crescimento no mercado brasileiro.

Fernanda Mitzakoff – Qual a tendência para os próximos anos?

Romeu Leite – Pois é, o crescimento do mercado eu acho que é irreversível, porque cada vez mais as pessoas estão se preocupando com aquilo que estão ingerindo. Cada vez mais a conscientização ambiental está avançando, então acho que o crescimento do mercado, ele segue o seu rumo natural. Agora, nós precisamos estar preparados pra atender essa demanda, esse crescimento.

Fernanda Mitzakoff – Claro.

Romeu Leite – Ainda hoje nós estamos deficitários na produção em relação à demanda e pra isso nós precisamos de vários instrumentos que dê a base pro crescimento. Nós estamos justamente agora trabalhando na construção da política nacional de agroecologia e agricultura orgânica que é um projeto transversal, que atinge vários ministérios, que vai trabalhar na pesquisa, no ensino, na formação, na capacitação para agroecologia.

Fernanda Mitzakoff – E a cabeça do consumidor também está mudando, antes ele olhava para o produto orgânico e via que era mais caro e acabava pegando o mais barato. Hoje em dia ele já pensa nessa saúde final dele.

Romeu Leite – Sim, a saúde final e que ele vai comer um produto isento de resíduos tóxicos. A saúde da terra, que a terra vai estar descontaminada, saúde da água e ainda do planeta.

Fernanda Mitzakoff – Então o futuro é promissor?

Romeu Leite – Exatamente! As próximas gerações dependem da nossa atitude de hoje.

80% dos brasileiros desaprovam novo Código Florestal – Planeta Sustentável

PESQUISA DE OPINIÃO

80% dos brasileiros desaprovam novo Código Florestal

Débora Spitzcovsky – Planeta Sustentável – 13/06/2011

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Uma pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 3 e 7 do mês de junho, revelou que 80% da população brasileira é contra a proposta do novo Código Florestal, de autoria do deputado Aldo Rebelo, que foi aprovada na Câmara dos Deputados, no final de maio, com 410 votos a favor, 63 contrários e uma abstenção.

Além disso, 85% dos entrevistados julgam que a proteção dos rios e florestas é mais importante do que o aumento da produção agrícola do país e 79% deles ainda são contra o perdão das multas para proprietários rurais que desmataram APPs – Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais, antes de julho de 2008.

No entanto, a porcentagem de pessoas que, realmente, estão acompanhando o desenrolar dessa história é menor: 62% dos entrevistados sabiam que a proposta de Rebelo já havia sido votada e aprovada pela Câmara dos Deputados e, desses, apenas 6% se consideram bem informados sobre o assunto.

A pesquisa foi encomendada por seis ONGs ambientais – Amigos da Terra, Imazon, Imaflora, Instituto Socioambiental, Fundação SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil – e entrevistou, por telefone, cerca de 1.300 pessoas, com mais de 16 anos. Segundo o Datafolha, não houve diferenças significativas entre as respostas dadas pelos entrevistados da zona rural e urbana do país e a margem de erro da pesquisa é de 3%.

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SUSTENTABILIDADE

Políticas e gestão no rumo da sustentabilidade

Por Por Vilmar Berna*

13/04/2011 – Entre as declarações de políticas e promessas ambientais e a realidade, existe um vazio proporcionalmente tão grande e profundo quanto nossa capacidade de sonhar. Um vazio que pode e precisa ser preenchido com gestão, planejamento, investimento de tempo e dinheiro.

Apesar da mudança para a sustentabilidade ser tarefa e obrigação de todos, aquelas pessoas e organizações já conscientizadas e engajadas no processo de mudança devem ser o exemplo que querem ver no outro, até por uma questão de credibilidade do discurso e promessas.

Penso especialmente nas empresas com políticas de responsabilidade social, nas prefeituras com secretarias de meio ambiente, nos órgãos de controle e fiscalização ambiental, nas comissões de meio ambiente de parlamentos, nos organizadores de eventos ambientais, nas escolas com programas de educação ambiental ou cursos na área de meio ambiente.

Deveriam ser os primeiros a demonstrarem na prática a implantação de políticas e gestão ambiental que vá além do marketing.

Deveriam ter um sistema de gerenciamento de resíduos que vá além do descarte ambientalmente correto de um produto, para abranger não apenas a ponta final do consumo, mas todo o ciclo do produto, desde o processo de aquisição adotando uma política ecológica de compras que considere a redução do consumo, a origem ambientalmente correta dos produtos, a substituição de tecnologias sujas e desperdiçadoras de recursos por outras mais ecoeficientes e reaproveitáveis, e dê preferência a produtos locais com menor pegada carbônica e promova a geração de trabalho e renda na base da pirâmide social.

E mesmo assim, ainda com uma gestão ambiental cuidadosa e responsável, não existe impacto zero. Então, deveriam fazer o inventário das pegadas ambientais como a pegada hídrica, a pegada florestal, a pegada carbônica, e compensar e neutralizar essas pegadas através, entre outras soluções, do plantio de árvores nativas da região para a produção de água, recuperando nascentes e matas ciliares, preservando as árvores das unidades de conservação, recuperando as árvores das reservas florestais legais, etc.

Também deveriam adotar uma política de comunicação ambiental para todos os públicos de interesse, pois a informação sobre os bons resultados ambientais ajuda a fortalecer a motivação dos que estão produzindo as mudanças e estimula a caminhada de quem ainda não começou.

E ainda mais. Deveriam interligar a política de gestão ambiental com a de educação ambiental, pois a mudança não se dá de fora para dentro e muito menos por portaria de cima para baixo, mas de dentro para fora.

A informação e a educação ambiental que libertam

Tanto a informação quanto a educação têm o poder de influir e estimular novas mudanças, valores, atitudes, comportamentos. O desafio está em usar uma linguagem que seja acessível a todos, o que pode ser uma grande dificuldade numa sociedade ainda com grandes massas de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler e escrever, mas não conseguem compreender as idéias contidas num texto.

As mudanças dependem de nossas escolhas e estas dependem das informações e valores que recebemos.

O que temos nas mãos é a possibilidade aqui e agora de arregaçar as mangas e trabalhar pelas mudanças, a partir de nós próprios, assumindo que somos os resultados de nossas escolhas, e que o nosso sucesso ou fracasso resultarão de nossos sonhos e da capacidade realizá-los.

As raízes da crise

A nossa doutrinação para o consumismo começa nas escolinhas de catecismo que se transformaram a babá-televisão e a babá-videogame, quando somos crianças, e estamos mais vulneráveis aos apelos criativos do marketing e da publicidade e, neste ponto, o Brasil é famoso pelo talento dos seus profissionais que ganham prêmios atrás de prêmios. Este talento tem sido colocado mais a serviço da escravização da sociedade ao consumismo que à sua libertação.

As crianças brasileiras passam em média 4 horas e 54 minutos diante da televisão enquanto ficam em média 4 horas e 26 minutos na escola, segundo pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. A cada dois ou três minutos, durante a programação infantil, as crianças são doutrinadas ao consumo, através de anúncios criativos e bem elaborados que as estimulam a pedir aos pais para comprar brinquedos, roupas, alimentos. Para manter o alto padrão de consumo, os pais precisam trabalhar, e muito, fora de casa, e com eles fora do caminho. Sem possibilidade de estabelecer limites ou refletir sobre valores com as crianças, a babá-televisão fica à vontade para cumprir o seu papel de associar entretenimento a consumo, felicidade a consumo, prazer a consumo. Na maioria dos países democráticos, este assédio, além de considerado imoral, é ilegal. No Brasil, existe mais de uma centena de iniciativas no parlamento para tentar impedir ou limitar a propaganda para a infância, mas sem sucesso até agora.

Se mudar já não é fácil, persistir na mudança é mais difícil ainda. O consumismo equipara-se a uma espécie de vício. Nossa sociedade é viciada em desperdício, em consumir além das necessidades e mesmo além da capacidade de pagar, o que torna os consumidores uma espécie de escravos, entregando tempo de vida, talento, criatividade, para produzir numa ponta e consumir na outra.

Por detrás de todo vício existem raízes e motivos mais profundos, que na maioria das vezes permanecem ocultos, no consumismo também. Há muito o consumo deixou de atender nossas necessidades materiais para atender as nossas necessidades espirituais.

É através da capacidade de consumir que se dá o rito de passagem para a vida adulta, em nossa sociedade. Um jovem só é devidamente aceito depois que alcança sua autonomia para consumir sem depender dos adultos.

É também através da capacidade de consumir que se dá o pertencimento à sociedade. Somos avaliados a que classe social pertencemos pelo poder do consumo. Daí a associar poder de consumo à importância social é um pulo, explorado pela propaganda para vender produtos com a promessa de felicidade e reconhecimento social, levando muitas vezes as pessoas a se endividarem, não para atender a necessidades materiais, mas a desejos espirituais de estarem na moda para serem reconhecidos socialmente ou se sentirem bem.

Numa sociedade assim, o valor das pessoas não é mais medido pelo seu caráter ou sabedoria, mas na quantidade e na qualidade dos bens que demonstra possuir ou que é capaz de doar ou de presentear. O afeto precisa ser traduzido em bens materiais, em lembrancinhas e presentes, transformando datas comemorativas em pretexto para mais consumo como o Dia dos Namorados, das Crianças, dos Pais, o Natal.

Sustentabilidade e desigualdade social

Não basta mudar na superfície atacando os efeitos, é preciso ir à raiz do problema e atacar as suas causas.

De maneira simplificada, a crise não é ambiental, é civilizatória, ética, moral, espiritual. As mesmas forças que superexploram o Planeta são as que superexploram o trabalho humano, e a grande arma de dominação não são os mísseis ou correntes, mas a manipulação da informação. Pelo lado ambiental, a crise se baseia num sistema de superexploração dos recursos naturais fundamentado no princípio do crescimento crescente e ilimitado, em larga escala, com a falsa ideia de que o Planeta é uma propriedade da espécie humana e seus recursos são inesgotáveis. Pelo lado social, baseia-se na superexploração do trabalho humano, que cria e se prevalece das desigualdades sociais como forma de se apropriar mais e melhor dos recursos naturais, que são patrimônio comum de todos.

Então, mudar não pode significar a mesma coisa para todos. Como a pegada ecológica é desigual, os que pegam demais e desperdiçam terão de pegar mais leve e com maior responsabilidade, entretanto, não devemos enganar ou sermos ingênuos neste ponto. Gerações antes de nós tentaram que os poderosos cedessem em seus privilégios e poder, só conseguindo a duras penas e com grande sofrimento. Então, não será agora que conseguiremos apenas no amor e no convencimento. Os poderosos só pegarão mais leve se virem alguma forma de continuar lucrando no novo modelo, caso contrário, aproveitarão os recursos que sobrarem dos que estiverem pegando leve – por escolha própria ou por impossibilidade mesmo – para pegarem mais pesado ainda.

A saída passa pela mudança para outra economia. Os que ganham dinheiro com as tecnologias sujas e impactantes do Planeta precisam ser estimulados a ganhar dinheiro com as tecnologias limpas e perdê-lo se escolherem persistir com as antigas práticas poluidoras. Os consumidores conscientes podem ajudar, mas não é o mercado quem cria as regras, ele apenas aproveita as oportunidades e só consegue ser uma solução para quem está dentro dele e tem dinheiro. Para os demais, são necessárias políticas públicas. Os lucros dependem de existir um Estado que estabeleça as regras do jogo e seja capaz de garantir que as regras valham para todos, e, claro, que não gaste mais do que arrecada, para não ter de sangrar a parte da população que paga impostos com uma sobrecarga que torne melhor negócio produzir na China, na base do trabalho quase escravo e consumindo energia a partir do carvão.

O Planeta é um só, e não significa mudança deixar de poluir aqui para financiar a poluição e a exploração injusta do trabalho humano do outro lado do Planeta.

Os quatro pilares da mudança para a sustentabilidade

Não se pode ser ingênuo de imaginar que todos querem mudar. Alguns irão reagir para manter as coisas como estão, ou por insegurança quanto a um futuro que desconhecem ou para manter privilégios e lucros.

Uma política para mudança deve considerar quatro pilares. O primeiro é o da informação que esclarece e convence, pois a maioria das pessoas colabora e muda naturalmente apenas recebendo a informação sobre como proceder diante das mudanças.

Outra parcela precisa de sensibilização, de formação, de treinamento, e por isso a educação é o segundo pilar da mudança, uma educação que promova novos valores para a mudança.

O terceiro pilar é o do incentivo, pois muitos se movem se tiverem alguma vantagem, ou reconhecimento, ou lucros.

O quarto pilar é a punição para aqueles que mesmo sabendo das novas mudanças e dos estímulos, escolhem resistir e permanecer com as mesmas práticas anteriores, ou preferem ir mais devagar, assumindo riscos de forma calculada e ajustando condutas.

As várias faces da mudança

Precisamos sonhar com a possibilidade de um futuro, de um mundo melhor, pois os sonhos nos motivam para a ação, nos animam a romper com a inércia e a suportar a dor do esforço no rumo a outro jeito de ser e estar no Planeta e na sociedade, ambientalmente sustentável e socialmente mais justo. Os sonhos nos dão energia para as boas práticas e a confiança de que é possível.

Mudar é um processo com várias etapas. A primeira delas é em nosso mundo interior, onde criamos e recriamos nossas utopias e inventamos e reinventamos o mundo. Como uma espécie de iceberg, a parte visível de nós é a menor. A maior parte do que somos, nosso mundo interior, é oculta aos sentidos e é onde habitam nossos sonhos, desejos, subjetividades. Então, antes de mudar, antes de transbordar em boas práticas, precisamos estar cheios de boas ideias, de boas intenções, de boa motivação, daí a importância de uma informação e educação para a sustentabilidade, para que nossos sonhos e ideias não sejam comprometidos por falsas informações e falsos valores, que apenas aprofundarão a crise e não nos farão evitar o colapso já anunciado.

É natural que entre a intenção e o gesto exista um tempo de maturação para que promessas se transformem em realidade. Se os sonhos forem pouco ambiciosos – apenas para produzir uma pequena mudança, o esforço requerido para realizá-los será menor, mas os resultados podem nem valer à pena. Não adianta fazer pouco e tentar compensar depois no marketing, por que o tiro pode sair pela culatra, e uma reputação manchada é de difícil recuperação depois. Se os sonhos forem grandes demais, parecerão inatingíveis. Ainda assim poderão valer a pena, pois podem nos ajudar a seguir em frente, apesar das adversidades. Muitas mudanças na Humanidade começaram em pequenos desvios, às vezes imperceptíveis, como o empreendedorismo dos tropeiros, que se arriscavam no comércio ambulante entre as cidades da Idade Média, e que resultaram no mercantilismo e no fim da estrutura feudal de poder.

A maneira como cada um lida com as mudanças é diferente de um para outro. Enquanto uns se limitam a reclamar, geralmente dos outros, e se satisfazem em encontrar alguém para colocar a culpa, outros tentam encontrar um jeito de fazer a parte que é possível ser feita. Enquanto uns só conseguem ver o que está errado, outros só querem saber do que pode dar certo, e outros, ainda, preferem manter um olho no lado cheio do copo e o outro no lado vazio, aprendendo tanto com as boas práticas quanto aprendendo com os erros alheios.

Precisamos ajustar nossas percepções para saber aproveitar as oportunidades como elas se oferecem, e não como gostaríamos que aparecessem. E saber lidar com as frustrações e com a dor do esforço e da incapacidade de alcançar certos objetivos, por que talvez ainda não seja a hora ou ainda não estejamos prontos.

Alguns sonhos podem ser sonhados sozinhos, e ainda assim serem possíveis de se realizar, como o de sermos consumidores mais responsáveis, ou menos gananciosos e mais solidários. Outros, devido à complexidade e ao tamanho da mudança, precisam ser sonhados juntos, e requerem o esforço de sensibilizar e convencer aos demais. A mudança de uma sociedade inteira para a sustentabilidade é uma obra coletiva, que irá requerer não só a ajuda de muitos, mas por muito tempo. As catedrais da Idade Média, por exemplo, levavam gerações para serem concluídas, e ainda assim puderam ser realizadas por que existiram pessoas que sabiam que se não fizessem bem a sua parte, a geração que viria depois teria de começar do zero. Ainda que não colhamos os frutos agora, terá valido a pena ter começado a luta pela mudança, pois poderá ser a única esperança de futuro para os que virão depois de nós.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br) e edita a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas
Fonte: Agência Rebia de Notícias (Publicado em 07/04/2011)