Oded, o brasileiro, artigo de Montserrat Martins | Portal EcoDebate

Oded, o brasileiro, artigo de Montserrat MartinsPublicado em janeiro 25, 2016 por RedaçãoTags: políticas públicas, sociedade 0 0  0  [EcoDebate] “Na Suécia existem escolas particulares mas as pessoas vão para as públicas mesmo porque são de qualidade”, conta Oded Grajew, um dos criadores do Fórum Social Mundial e do Programa Cidades Sustentáveis (PCS). A história e as contribuições de Oded merecem ser conhecidas por todos, mostrando como se pode ser útil ao país e a melhorar os governos, sem participar de partidos políticos.Porto Alegre, São Paulo e mais 40 cidades já aprovaram uma lei orgânica que estabelece a apresentação do Plano de Metas pelo Prefeito eleito, no prazo de 90 dias após a posse, incluindo ali as promessas de campanha. Esse plano deve quantificar as metas, de modo a que todos possam acompanhar sua evolução. Assim a avaliação dos prefeitos sai do terreno da mera subjetividade, se são “simpáticos” e sorridentes ou não, passando para a esfera de suas ações. Isso eleva o nível do debate político.Para que todo o país pratique isso, estão no Congresso Nacional a PEC 10/11 e a PEC 52/11. Estabelecem que o governo federal, os estaduais e os municipais são obrigados a ter Plano de Metas, com transparência em sua divulgação de modo que os eleitores possam acompanhar como está evoluindo o seu cumprimento.Esses planos devem incluir critérios como desenvolvimento sustentável, inclusão social e respeito aos direitos humanos, além dos temas mais conhecidos como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana.A realidade não muda magicamente com aprovação de leis, mas a sua importância é didática. Ao invés de discutir “belezas” dos candidatos, os debates passam a ser pautados por critérios mais objetivos e sob o controle da população que desejar se informar a respeito. Foi com essa motivação que Oded e parceiros do PCS propuseram as PEC das Metas, para mudar nossa cultura política e da administração pública.No Brasil temos uma tradição política autoritária, impositiva, que vem dos tempos do Império e das Capitanias Hereditárias, passa pela República decretada por presidentes militares, se consolida com o Estado Novo de Getúlio e, por fim, com a Ditadura Militar dos anos 60 a 80. Não é à toa que os brasileiros esperam leis mais duras e punitivas como panacéia para solução dos problemas sociais.A PEC 10, ao contrário, não estabelece punições pois Oded entende que seu caráter é pedagógico. Com sua sabedoria sueca (embora nascido em Tel Aviv), ele não quer “judicializar” a política, quer os debates entre a população e não nos Tribunais.Nos falta um nível mais elevado de debates e os Planos de Metas proporcionam isso, de modo objetivo, sem sensacionalismos. Oded parece “muito europeu” para ser brasileiro, mas sua vida profissional (de empresário) e social é toda no Brasil. Uma propaganda dizia que o brasileiro “não desiste nunca” e isso é a cara do Oded.Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade. in EcoDebate, 25/01/2016″Oded, o brasileiro, artigo de Montserrat Martins,” in Portal EcoDebate, 25/01/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/01/25/oded-o-brasileiro-artigo-de-montserrat-martins/. %5BCC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebateCaso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . 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Fonte: Oded, o brasileiro, artigo de Montserrat Martins | Portal EcoDebate

Desigualdade limita bem-estar da sociedade

Desigualdade limita bem-estar da sociedade

Por Paulo Itacarambi*

09/02/2011 – Muito já se discute sobre os limites do crescimento econômico em contraposição aos recursos oferecidos pelo planeta. Ao mesmo tempo que tirou milhões de pessoas da pobreza, elevando-as ao patamar de consumidores, o ritmo incessante no aumento do PIB dos maiores países emergentes, nos últimos anos, também trouxe uma nova reflexão: será possível suportar o padrão de consumo das sociedades ricas ou é necessário criar um novo padrão?

Agora, outras discussões bastante pertinentes vêm juntar-se à primeira questão: padrão de consumo pode ser visto como sinônimo de qualidade de vida e bem-estar? É possível melhorar o bem-estar sem crescimento ou ampliar a qualidade de vida sem que isso represente aumento no consumo?

A lógica econômica sempre colocou o crescimento, com o conseqüente aumento de renda, como uma solução em si mesma para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas uma série de economistas começa a discutir com mais profundidade a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável a ser levado em conta num futuro imediato.

Um exemplo desse movimento pode ser visto no livro O Que os Economistas Pensam sobre Sustentabilidade, organizado por Ricardo Arnt, que reúne depoimentos de 15 renomados economistas brasileiros e sua visão sobre o tema. Há entre eles o consenso de que é necessário ampliar e evoluir na qualidade dos debates sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.

Um dos economistas participantes do livro acaba de fazer uma interessante reflexão sobre o assunto. Em artigo publicado na última sexta-feira, no jornal Valor Econômico, André Lara Rezende coloca em xeque a visão tradicional da economia de que, se a economia crescesse e a renda aumentasse, todos os demais indicadores de bem-estar estariam contemplados. Segundo ele, para as pessoas de renda mais baixa, a equação crescimento econômico e qualidade de vida se harmoniza perfeitamente, já que a ausência de uma renda que poderíamos chamar de básica impossibilitaria garantir qualidade de vida e bem-estar. Mas, quando a renda passa a contemplar as necessidades básicas, seu aumento não irá significar automaticamente uma melhoria na qualidade de vida.

Para fazer essa afirmação, Lara Rezende baseou-se num estudo realizado por dois médicos infectologistas ingleses, Richard Wilkinson e Kate Pickett, que publicaram um livro intitulado Spirit Level. Para os autores, a partir de um determinado nível de renda, a redução das desigualdades contribui mais para o bem-estar geral do que o simples crescimento econômico. Até mesmo o aumento na expectativa de vida não mais ocorre a partir de um determinado nível de renda. Uma controversa equação que contrapõe renda e bem-estar.

Essa conclusão parece bem interessante e podemos até mesmo constatar sua veracidade em uma situação vivida aqui no Brasil pelas nossas denominadas classes privilegiadas. Podemos observar pessoas vivendo em condomínios fechados, contratando seguranças privados, andando em carros blindados. Essa constante preocupação com a segurança estaria reduzindo o bem-estar proporcionado por uma boa renda.

Os médicos ingleses concluem em seu livro que a desigualdade de renda está diretamente associada à piora de indicadores de bem-estar e acaba por causar menor expectativa de vida, aumento na incidência de doenças, maior taxa de homicídios e até mesmo, dizem eles, um incremento da delinqüência juvenil e da gravidez adolescente.

Claro que os indicadores de bem-estar tendem a ser piores para os mais pobres, mas, quanto mais extremas forem as desigualdades, piores serão esses indicadores, e não apenas para os pobres, mas também para os ricos.

Portanto, como eles afirmam, a desigualdade social interfere diretamente no alcance da felicidade. Uma sociedade em que haja menos pobres será uma sociedade mais feliz. Simples assim!

O estudo conclui que a redução nos níveis de desigualdade melhora a vida dos mais pobres, obviamente, mas também contribui para melhorar a daqueles com renda mais alta. Pois proporciona, entre outros avanços, a diminuição dos conflitos e da tensão latente ocasionados por grandes diferenças sociais.

Essa análise vai ao encontro do que discutimos em 17/1, no espaço CBN, quando falamos da dificuldade das empresas em se comunicar com a nova classe média beneficiada pela migração social dos últimos anos no Brasil. Na ocasião, afirmamos que quebrar paradigmas, vencer preconceitos e buscar os caminhos de um desenvolvimento mais sustentável são bandeiras defensáveis do ponto de vista moral, mas também são condições sine qua non para o futuro dos negócios. São mudanças que beneficiam a todos, empresários, consumidores, enfim, todos os cidadãos brasileiros.

Longe de situar essa análise como um libelo anticapitalista ou até mesmo socialista, o que André Lara Rezende levanta em seu artigo é o limite de satisfação das pessoas proporcionada pelo crescimento econômico. Ele acredita ser possível transitar para uma sociedade menos consumista e mais igualitária sem com isso comprometer o dinamismo de uma economia de mercado ou interferir nas liberdades individuais.

O certo é que, se formos capazes de construir um mundo mais equilibrado, justo e sustentável do ponto de vista social e ambiental, com certeza teremos a chance de garantir uma melhor qualidade de vida para todos os habitantes do planeta.

Temos convicção que, se mais economistas participarem com seriedade do debate, colocando a sustentabilidade no centro das discussões, teremos um aumento significativo da massa crítica, o que será vital para encontrarmos bons caminhos que apontem para um futuro mais desejável.
*Paulo Itacarambi é vice-presidente executivo do Instituto Ethos

http://www.rts.org.br/artigos/artigos_-_2009/desigualdade-limita-bem-estar-da-sociedade