Reciclagem: você conhece, mas você pratica? artigo de Fabrício Previatto Gimenes – EcoDebate

O que é reciclagem?

Todo produto é feito de algum tipo de material, ou uma combinação de materiais. Nos processos de fabricação os materiais são extraídos e transformados até que o produto chegue a sua forma final, que é utilizada por nós. Quando esses produtos chegam ao final de sua vida útil é preciso encontrar um jeito de destinar os resíduos. A reciclagem faz com que os materiais presentes em um produto sejam retransformados até poderem ser reutilizados na fabricação de novos produtos.

Além de diminuir o impacto ambiental de empresas, instituições e casas, a reciclagem também reduz os gastos com extração das matérias-primas e o impacto ambiental associado. Ela abre oportunidades para que o volume de lixo gerado por nós seja reduzido, diminui a pegada de carbono de nossas atividades e gera renda e trabalho para milhares de pessoas. Se não bastassem os benefícios ambientais, econômicos e sociais que a reciclagem oferece, ela também é simples de ser apoiada.

Conhecer e praticar

As possibilidades da reciclagem cresceram muito nas duas últimas décadas e dependem principalmente da nossa responsabilidade na hora de descartar. Vários são os materiais que podem ser reciclados: metais (alumínio, cobre, aço, níquel, etc), plásticos, papelão, isopor, etc. Quase todos os materiais do cotidiano empresarial e doméstico podem ser reciclados hoje em dia, mas então por que os índices de reciclagem são baixos?

Caminho da reciclagem

O sucesso da reciclagem depende de um conjunto de esforços que envolve todos nós ao longo do processo e um dos principais é separação. Quando jogamos fora algum material, a chance dele ser reciclado depende da capacidade de fazer com que ele chegue até o local certo. Os sistemas de coleta de resíduos sólidos urbanos de diversos municípios brasileiros já possuem serviço de coleta seletiva. Estes sistemas não possuem capacidade suficiente para abranger todas as localidades, por isso também existem as cooperativas de catadores. Mas o lixo reciclável só atinge o resultado desejado se todas as partes envolvidas trabalharem corretamente:

 

O caminho da reciclagem
O caminho da reciclagem

 

O papel da indústria e empresas

No conjunto de esforços que faz com que a reciclagem torne-se uma realidade a indústria tem um papel muito importante. Ela é responsável por selecionar quais materiais serão utilizados na produção dos produtos que consumimos. A escolha dos materiais e produtos recicláveis diminui o impacto ambiental das empresas e da sociedade. Mas vai além disso, a indústria também é responsável por abrir portas para a reentrada dos materiais depois de reciclados.

O papel do consumidor

Quando você escolhe um produto na prateleira do supermercado, você pensa em como ele vai ser jogado fora depois do uso? Você olha a embalagem do produto e procura informação sobre se é possível reciclar? Quando nós descartamos nosso lixo todo misturado ele vai parar num aterro sanitário, onde o lixo é simplesmente enterrado sem reaproveitamento. É função de cada pessoa ter consciência de como é importante separar os materiais antes do descarte, somente assim a reciclagem pode funcionar. Você já parou para pensar no futuro que seus filhos terão que enfrentar se o lixo não receber o tratamento correto? Não feche o caminho da reciclagem, pelo contrário, abra espaço para que ele possa ir mais longe.

O papel dos governos

A legislação brasileira atribui responsabilidade compartilhada em relação aos resíduos gerados: governo, consumidor, produtor, vendedor… Porém é de responsabilidade específica dos governos municipais, estaduais e federal dar condições para que a gestão de resíduos funcione. Uma das partes mais importante da gestão de resíduos é a coleta seletiva e a reciclagem. As comunidades, as cooperativas, as empresas e todos os cidadãos devem cobrar de seus municípios a organização dessa estrutura.

O papel dos recicladores

O perfil dos recicladores é variado. Existem cooperativas, empresas pequenas, empresas de médio porte e até mesmo empresas internacionais. Cada um dos perfis de reciclador terá necessidades específicas para garantir o funcionamento do negócio e gerar o impacto positivo que a reciclagem oferece. O desafio é criar condições para que o negócio seja realmente viável em vários níveis. Gerar valor positivo dentro da cadeia de suprimentos. Criar processos que melhorem a qualidade do material reciclado e o volume produzido. Aumentar a capacidade de recebimento da coleta seletiva. Esses e outros desafios precisam ser vencidos para que a reciclagem torne-se uma realidade mais abrangente do que é hoje. As últimas pesquisas do Governo Federal apontam que o Brasil não passa de 10% de reciclagem do total de lixo produzido.

A reciclagem em números

Para compreender bem o panorama brasileiro é preciso comparar nossos números com o panorama internacional. Além disso, é preciso que a reciclagem seja capaz de gerar benefícios de curto e longo prazo para a sociedade. Sem esses benefícios ela perde força e empresas e pessoas não investem no processo. Veja a seguir alguns números interessantes sobre a reciclagem no Brasil e no mundo.

 

Estatísticas de reciclagem no Brasil e no mundo
Estatísticas de reciclagem no Brasil e no mundo

 

Buscar o horizonte desejado

O Brasil ainda tem um percurso longo para percorrer em busca dos níveis internacionais de reciclagem do total de lixo, mas existe muito potencial positivo. A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi uma conquista significativa para assinalar nosso compromisso com a sustentabilidade como nação. Agora é hora de transformar as diretrizes da lei em realidade. Existem empresas brasileiras trabalhando e investindo para que a reciclagem alcance os níveis que precisamos. Faça sua parte e comece dentro da sua empresa, dentro da sua escola, dentro da sua casa. O trabalho depende do esforço coletivo e organizado de todos, pois é uma necessidade de todos.

Fonte: http://www.witzlerrecicla.com.br/2017/05/18/reciclagem-voce-conhece-mas-voce-pratica/

Fabrício Previatto Gimenes cursa o 5º ano da graduação em Engenharia de Produção, Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB – UNESP).

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/05/2017

“Reciclagem: você conhece, mas você pratica? artigo de Fabrício Previatto Gimenes,” in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/05/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/05/22/reciclagem-voce-conhece-mas-voce-pratica-artigo-de-fabricio-previatto-gimenes/.

 

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A Terra com ‘pressão alta’ e hipertermia, artigo de José Eustáquio Diniz Alves – EcoDebate

A Terra com ‘pressão alta’ e hipertermia, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesNotícia by Redação – 22/05/20171Compartilhe  “É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve”. Victor Hugo (1802-1885)  [EcoDebate] A hipótese Gaia, elaborada inicialmente por James Lovelock, diz que a Terra é um organismo vivo que tem um metabolismo natural capaz de regular seu clima e temperatura, promovendo um equilíbrio homeostático global. Eventos externos, como choques de meteoritos, podem provocar perturbações neste equilíbrio. Também forças internas, como vulcões, podem perturbar a estabilidade. Mas, atualmente, é o crescimento das atividades antrópicas, no Antropoceno, que está modificando o ambiente e perturbando o funcionamento natural, o que pode colocar em cheque a própria sobrevivência da vida na Terra.De fato, o alto crescimento da população e da economia, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, ampliou tanto a exploração de recursos do meio ambiente e gerou tanta poluição e resíduos sólidos, que ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. O principal vetor de pressão sobre o equilíbrio homeostático são as mudanças climáticas geradas pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE). O efeito estufa descontrolado é como um tumor que provoca “pressão alta” e “febre”. Quanto mais gases na atmosfera maior será a temperatura da Terra. Na tendência atual caminhamos para um quadro de hipertermia, isto é, elevação e manutenção das temperaturas em patamares capazes de comprometer, ou mesmo colapsar, os metabolismos do corpo biológico e geoclimático.Assim, a alta concentração de CO2 funciona como uma “pressão alta” sobre o Planeta, pois absorve a dispersão dos raios solares e aumenta o efeito estufa. Quanto maior for a concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa, como o metano (CO2 equivalente), maior será o aquecimento global.A concentração de CO2 estava abaixo de 280 partes por milhão (ppm) nos 2 milhões de anos anteriores à Revolução Industrial e Energética. Mas a partir do uso generalizado dos combustíveis fósseis a concentração começou a subir alcançando 295 ppm em 1900, 300 ppm em 1920 e 310 ppm em 1950. Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. Com o início das medições do laboratório de Mauna Loa, comprovou-se que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e ultrapassou definitivamente a barreira de 400 ppm no ano de 2015, sendo que em 2016, a maior concentração ocorreu no dia 10/04 (409,34 ppm).Mas, a despeito do Acordo de Paris e dos trabalhos científicos que mostram os aspectos deletérios do efeito estufa, a concentração de CO2 continua subindo e chegou a 412,6 ppm no dia 26/04/2017. Em todo o mês de abril de 2017 a média foi de 409,01 ppm. No dia 15/05/2017 a concentração ficou em 411,27 ppm. Na semana de 14 a 20 de maio a média semanal ficou em 410,36 ppm, conforme o gráfico abaixo.  O gráfico seguinte mostra a média horária e diária da concentração de CO2, segundo dados da NOAA. A média horária ultrapassou o limiar simbólico de 410 ppm no dia 05 de abril de 2017 e repetiu a marca em vários outros dias, especialmente depois do dia 19 de abril, até chegar perto de 414 ppm no dia 26/04. No mês de maio de 2017, não só a média horária, mas também a média diária ultrapassou a marca de 410 ppm em vários momentos, indicando que o teto de 410 ppm em 2017, tende a ser um piso a partir de 2018.  O nível minimamente seguro de concentração atmosférica de CO2 é de 350 ppm. Assim, o mundo vai ter não só de parar de emitir gases de efeito estufa (GEE) como terá que fazer “emissões negativas”, ou seja, terá que sequestrar carbono e fazer uma limpeza da atmosfera para reduzir a quantidade de CO2, evitar a acidificação dos solos e dos oceanos e o degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos Glaciares. E uma grande ameaça que se agrava com o processo de degelo é a “bomba de metano” que existe no permafrost.Grandes terrenos de permafrost do ártico ao noroeste do Canadá, no Alasca e na Sibéria estão se desintegrando, enviando enormes quantidades de lama e sedimentos ricos em carbono em riachos e rios. A liberação do CO2 e do metano existente nos solos congelados pode tornar o efeito estufa uma bomba incontrolável, como existia há 200 milhões de anos, quando a biodiversidade da Terra era muito menor do que a atual. Artigo de Uwe Branda et. al. (2016) traz uma afirmação preocupante: “O aquecimento global provocado pela liberação maciça de dióxido de carbono pode ser catastrófico. Mas a liberação do hidrato de metano pode ser apocalíptica”.As gerações presentes já estão sentindo o perigo. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato dos anos de 2014, 2015 e 2016 terem sido os mais quentes já registrados e aponta para novos recordes futuros de aquecimento. Estima-se que o limite de 1,5º C vai ser atin

Fonte: A Terra com ‘pressão alta’ e hipertermia, artigo de José Eustáquio Diniz Alves – EcoDebate

Articulação Antinuclear Brasileira lança série de vídeos sobre os impactos locais do nuclear no Brasil – EcoDebate

Articulação Antinuclear Brasileira lança série de vídeos sobre os impactos locais do nuclear no BrasilNotícia by Redação – 12/04/20170Compartilhe   Você sabia que a mineração de urânio tem gerado contaminação de água por radiação no interior da Bahia? E que existem toneladas de lixo radioativo em local de grande circulação de pessoas na capital paulistana? O Brasil tem duas usinas nucleares em funcionamento, uma terceira em construção e lobby constante da indústria nuclear para a construção de outras. Além disso, a fiscalização das demais atividades nucleares é ineficiente. Os impactos que o nuclear teve ou tem em territórios locais estão retratados em uma série de vídeos curtos produzidos pela Articulação Antinuclear Brasileira e Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), todos estão disponíveis online.São seis vídeos, com duração de 3 a 7 minutos, sobre os impactos locais do nuclear em Santa Quitéria (CE), Itacuruba (PE), Caetité (BA), Angra dos Reis (RJ), Goiânia (GO) e São Paulo (SP) e um sétimo com uma visão geral dos argumentos para a luta antinuclear no Brasil. Os impactos retratados acontecem por conta da mineração de urânio, seja de minas já instaladas (Caetité), seja de projeto de instalação de mineração (Santa Quitéria); das usinas nucleares instaladas em Angra dos Reis (RJ) ou dos planos de se construir uma nova (Itacuruba). A falta de regulação de outras atividades nucleares e da reparação aos danos à saúde e ao meio ambiente aparecem nos vídeos que tratam da tragédia do Césio 137, em Goiânia, e da contaminação dos trabalhadores e terrenos da Nuclemon, em São Paulo.Os vídeos foram produzidos a partir de entrevistas com atores importantes da luta antinuclear: ativistas, pesquisadores e estudiosos da área de energia com atuação nacional e também lideranças locais que combatem os efeitos perversos do nuclear em suas comunidades.Com esse material, a AAB espera dar mais projeção a um problema que tem pouca projeção no país. Pouco se fala sobre o perigo de nossas duas usinas nucleares, menos ainda sobre os impactos de atividades associadas, como a mineração de urânio, seu transporte e enriquecimento. Ajude a jogar luz nessa questão importante, assista e compartilhe em suas redes através do link:https://goo.gl/mzpHVQOs vídeos contem entrevistas com:Chico Whitaker – Um dos fundadores do Fórum Social Mundial e ganhador do Prêmio Right Livelihood (considerado o Nobel Alternativo) e fundador da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares.Célio Bermann – Um dos mais respeitados especialistas em energia do país, professor livre docente do Instituto de Energia em Ambiente, da USP.Heitor Scalambrini – Especialista em energia, professor aposentado da UFPE e estudioso das energias renováveisDawid Bartelt – Ex-diretor da Fundação Heinrich Boll no Brasil, fundação ligada ao movimento ambientalista alemão. Dawid é historiador e já trabalhou como jornalista, editor e livre-docente acadêmico.Renato Cunha – Um dos fundadores do Gambá, entidade ambientalista baiana que atua no estado e em articulação com o movimento socioambientalista a nível nacional há mais de 30 anos.Sylvia Chada – Coordenadora geral da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica, a Sapê, entidade antinuclear com atuação em Angra dos Reis. Sylvia é pedagoga social e servidora pública federal da área ambiental.Thiago Almeida – Militante da Campanha Clima e Energia do GreenpeaceRafael Ribeiro – Geógrafo e militante da Sapê em Angra dos Reis.Inês Chada – Curadora da Exposição Hiroshima 70, integrante da Sapê e bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF)Gilmar Santos – É professor e atua em Caetité e Lagoa Real contra a mineração de urânio através da Comissão Paroquial de Meio Ambiente.João Victor Silva Rosa – Estudante de Caetité e militante antinuclear de Caetité.Jorge Pankará – Liderança indígena do povo Pankará, que vem resistindo aos planos de instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba.Angelo Bueno – Missionário do Conselho Indigenista Missionário, o CIMI, que tem atuado junto a povos indígenas e apoiado a luta contra os planos de construção de usinas nucleares em Itacuruba (PE).Dorinha Pankará – Liderança indígena do Povo Pankará, atuante na resistência à construção das usinas nucleares em Itacuruba.Sueli Moraes Silva – Presidente da Associação das Vítimas do Césio 137, que pede reparação pelos danos à saúde causados pela tragédia do Césio em Goiânia.Maria do Socorro Barbosa Carlos – Liderança local do Saco do Belém, comunidade rural no município de Santa Quitéria (CE), que resiste ao projeto de instalação de mineração de Urânio.Erivan Camelo Silva – Atua pela Cáritas no Ceará e é um dos articuladores da Articulação Antinuclear do Ceará que tem resistido ao Projeto Santa Quitéria de mineração de fosfato e urânio em interação com o Núcleo Tramas, da UFCE e Movimento pela Soberania Popular na Mineração.José Venâncio Alves – Presidente da Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Ene

Fonte: Articulação Antinuclear Brasileira lança série de vídeos sobre os impactos locais do nuclear no Brasil – EcoDebate

Natureza e externalidade, artigo de Roberto Naime – EcoDebate

Natureza e externalidade, artigo de Roberto NaimeArtigo by Redação – 2/03/20170Compartilhe   [EcoDebate] O economista Marcus Eduardo de Oliveira realiza interessante abordagem de como a economia clássica percebe o meio ambiente.Sob o manto do ensinamento tradicional, equivocadamente a economia como ciência, apenas encarou a natureza como fonte provedora e fossa ou sumidouro de recursos.Dessa maneira, na tradicional linguagem dos economistas, a natureza sempre foi vista e tratada como “externalidade”, uma vez que, aos olhos da escola neoclássica ou ortodoxa, o meio ambiente está “fora” do modelo convencional do sistema econômico.Não cabem críticas porque se torna importante a manutenção de humildade, mas não dá para considerar “normal”, esta forma desapropriação até os dias atuais. Assim nunca vai acontecer nada nos encontros internacionais de meio ambiente ou mudanças climáticas patrocinados pela Organização das Nações Unidas (ONU).Uma das mensagens centrais que vem da chamada “Economia Ecológica’ e diz que a economia como atividade é um sistema aberto que faz constantes interações com a natureza, recebendo material e energia, e entregando para a mesma resíduos, dejetos, água contaminada como efluente ou esgoto e poluição em geral.Na verdade, a isto se denomina ecossistema urbano. Importa água, energia e alimentos e devolve para a natureza esgotos e efluentes tratados ou não e energia dissipada.Para início de conversa, é oportuno destacar que todos os sistemas abertos, assim como na economia, precisam importar energia e matéria com quantidade e qualidade adequadas, e exportar os mesmos de forma dissipada, garantindo assim sua reprodução.A visão predominante fica restrita ao fato de que a economia concebe a natureza como mera provedora de recursos (“input”), além de ser receptáculo para os resíduos do processo produtivo (“output”), pontuando, desse modo, ser a economia como um sistema fechado, contrariando a visão inicialmente aqui colocada.Dessa maneira, na tradicional linguagem dos economistas, a natureza sempre foi vista e tratada como “externalidade”, uma vez que, aos olhos da escola neoclássica chamada de ortodoxa, o meio ambiente enquanto sistema ecológico como um todo, além dos recursos naturais, da poluição, da degradação das riquezas da natureza, da depleção ecossistêmica, está “fora” do modelo convencional do sistema econômico.Sendo tipificado apenas nos fluxos monetários em que somente são observadas as “trocas” ou consumo de bens e serviços contra pagamentos a fatores produtivos entre as famílias consumidoras e as empresas produtoras, ou provedoras, sem interação com o mundo biofísico, como se tudo isso acontecesse numa “caixa isolada”.Assim sendo, a economia convencional nunca se colocou à frente para responder, devida e corretamente, quanto se pode tirar de recursos da natureza e quanto se pode devolver de resíduos ao meio ambiente via processo econômico. Ou seja, via atividade econômico-produtiva traduzida em mais produção e mais consumo, transformação de recursos em resíduos e energia dissipada, chamada de maior entropia.Qual a escala produtiva ou as bases econômicas que o meio ambiente com seus fundamentos ecológicas, pode suportar.E qual é o limite, ou a fronteira da ação antrópica sobre a natureza, tendo em conta que, na atualidade, quando se sabe que 60% dos 24 principais serviços ecossistêmicos estão se esgotando, além de já estar se usando 30% a mais dos recursos do planeta.A falta de respostas está vinculada ao fato de que, durante mais de 170 anos, contados do início da formulação científica dos postulados básicos da economia, em 1776 por Adam Smith e David Ricardo, até os anos 1950. A ortodoxia econômica não enfrentou, ao menos como se esperava, as relações existentes entre natureza e sociedade, meio ambiente e economia. Ou sistema econômico e sistema ecológico.Contudo, a mudança de visão da problemática ambiental colocada aqui inicialmente passou a ocorrer com mais ênfase a partir do crescimento exponencial da atividade econômica global, após os anos 1950. Quando ajustado ao crescimento populacional que, na atualidade, a cada intervalo de 12 anos, “coloca” mais 1 bilhão de pessoas no planeta para consumir tudo, resultando em mais pressão sobre os recursos da natureza, evidenciando com isso, que há limites a serem determinados e respeitados.Ademais, já é de pleno domínio e conhecimento quase que geral que uma vez ultrapassado esse limite, o resultado é catastrófico pois vidas humanas e não humanas, habitats, fauna e flora são colocadas em situação de risco decorrente das alterações ambientais provocadas pela ação humana e pelo excessivo modo econômico de produção.Tal incidência resulta, sobremaneira, naquilo que já vem sendo amplamente discutido desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, ou seja, a ocorrência de gravíssimos problemas ambientais, dos quais o mais ilustrativo certamente é o aquecimento global, face às emissões de CO2, por exemplo.Emissão de CO2, é importante reiter

Fonte: Natureza e externalidade, artigo de Roberto Naime – EcoDebate

Empresários discutem Cidades Inteligentes » DC Inovação » Diário do Comércio

DC INOVAÇÃO27/01/2017Empresários discutem Cidades InteligentesEncontro na Fiemg foi oportunidade para os interessadas no desenvolvimento de soluções urbanasDa RedaçãoTweetar inCompartilhar EmailA-   A+ EXCLUSIVO PARA ASSINANTESNemes: ideia é gerar energia em todos os lugares/Gláucia Rodrigues/FiemgO governo britânico, em parceria com o Sistema Fiemg, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), BNDES e Embrapii, realizou na sede da Federação o encontro da Missão Empresarial em Smart Cities – Brasil e Reino Unido, no dia 25. O evento faz parte das ações do edital de inovação lançado pela agência britânica de inovação Innovate UK e o Mdic, em 2016, para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na área de cidades inteligentes.O workshop de interação do fundo é uma oportunidade de encontro de 14 empresas britânicas e 30 empresas mineiras interessadas no desenvolvimento de soluções urbanas com impactos sociais e econômicos. Os governos brasileiro e britânico focam apoiar projetos de desenvolvimento da utilização de soluções de ponta em áreas como tecnologia da informação e comunicação, internet das coisas e big data para abordar questões críticas para o futuro de ambientes urbanos, como infraestrutura, meio ambiente e mobilidade urbana.O Innovate UK investirá até £2.45m em projetos elegíveis. Participantes brasileiros são elegíveis para financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou para ter acesso aos recursos não reembolsáveis e competência técnica da Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e suas Unidades e Polos Embrapii. As inscrições para o edital vão até maio deste ano.Segundo o presidente do Conselho de Assuntos Metropolitanos da Fiemg, Frederico Aburachid, o evento é uma excelente forma de troca de soluções para a melhoria do ambiente urbano. “Nosso intuito é o de fazer com que nossas cidades sejam cada vez mais inteligentes. Tivemos a oportunidade de trazer empresas mineiras e britânicas de diferentes regiões e setores para discutir experiências importantes que podem melhorar nossa administração pública e qualidade de vida”.O Cônsul do Reino Unido em Belo Horizonte, Thomas Nemes, ressaltou o desafio enfrentado com o aumento populacional de nossas grandes cidades. “Já alcançamos 7 bilhões de pessoas na terra. Em uma escala menor, a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tem quase 6 milhões. A tecnologia e o conceito de cidades inteligentes, com certeza, podem nos auxiliar na solução de vários entraves apresentados pelo crescimento urbano”, pontuou.Um dos exemplos de possíveis interações entre mineiros e britânicos é a empresa Sunew, instalada no Centro de Inovação e Tecnologia Senai Fiemg, em Belo Horizonte. Criada para a produção de filmes plásticos orgânicos capazes de converter energia solar em energia elétrica, os chamados OPV (Organic Photovoltaics), a empresa controla um método diferenciado de impressão de painéis fotovoltaicos usando materiais orgânicos, tendo instalado na capital mineira capacidade produtiva existente em escala apenas no exterior.Para o CEO da empresa, Marcos Maciel, esse é apenas um dos vários segmentos que podem ser beneficiados com o sistema de parceria entre europeus e mineiros. “A ideia é gerar energia em todos os lugares e de uma forma sustentável. Isto é, desde coberturas, fachadas de prédios ou até automóveis e, assim, contribuir para uma das cidades mais inteligentes e sustentáveis,” finalizou.

Fonte: Empresários discutem Cidades Inteligentes » DC Inovação » Diário do Comércio

História em quadrinhos ‘Horta & Liça’ explica importância da agricultura sustentável – EcoDebate

História em quadrinhos ‘Horta & Liça’ explica importância da agricultura sustentável

Notícia by Redação – 25/01/20170

Compartilhe  Embrapa Capa da quinta edição do Almanaque Horta & Liça – Foto: André Cerino

Com a proposta inicial de incentivar o consumo de hortaliças pelo público infantil, a cada nova edição o almanaque Horta & Liça apresenta para os pequenos leitores os caminhos da agricultura para produzir um alimento saudável. Com uma abordagem lúdica, os quadrinhos e passatempos aproximam as crianças do universo da ciência e explicam como a pesquisa agrícola contribui para a produção de alimentos com baixo impacto ambiental.Na sua quinta edição, o almanaque infantil, idealizado pela Embrapa Hortaliças (Brasília/DF), apresenta para os pequenos leitores o sistema de plantio direto: uma prática agrícola com muitos benefícios para o meio ambiente, porque preserva o solo, economiza água e melhora a qualidade do ar.Na história, os personagens Zé Horta e Maria Liça aproveitam as férias escolares para visitar os amigos da região serrana e, ao sobrevoar a paisagem, observam os danos ocasionados pelas erosões e por deslizamentos de terra. Por isso, decidem visitar um produtor rural para conhecer formas mais sustentáveis de cultivar alimentos em relevos montanhosos como, por exemplo, o plantio direto na palhada, sem revolvimento do solo.

O almanaque Horta & Liça é distribuído para alunos do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas do Distrito Federal, no âmbito do programa Embrapa & Escola, que organiza visitações a laboratórios e campos experimentais das Unidades de Pesquisa da Empresa.Além disso, mediante solicitações, a publicação também é disponibilizada para instituições de ensino, ONGs e secretarias de educação das outras regiões do país.

A produção da edição nº 05 foi financiada pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).O que é plantio direto?O folder “Entendendo o Plantio Direto“, produzido também com foco no público infanto-juvenil, explica com mais detalhes os benefícios dessa prática agrícola a partir de três pilares: conservação do solo, economia de água e redução do efeito estufa.O conteúdo traz imagens ilustrativas e mostra as etapas que devem ser cumpridas nesse sistema de produção, como as plantas de cobertura para a formação da palhada que ajuda a proteger o solo e, também, a minimizar a evaporação de água.

O folder foi produzida no âmbito do projeto “Transferência da tecnologia de plantio direto de hortaliças nas regiões serranas do Sudeste brasileiro“, com o intuito de alcançar crianças e jovens, filhos de produtores rurais dessas localidades, e sensibilizá-los sobre a importância do sistema de plantio direto para a sustentabilidade da produção de hortaliças ao longo do tempo.Divirta-se!

Clique nos links abaixo para fazer download dos almanaques e conferir as aventuras do Zé Horta e sua turma.– Almanaque Horta & Liça – Número 1– Almanaque Horta & Liça – Número 2– Almanaque Horta & Liça– Número 3– Almanaque Horta & Liça – Número 4– Almanaque Horta & Liça – Número 5 Por Paula Rodrigues (MTB 61.403/SP), Embrapa Hortaliças in EcoDebate, 25/01/2017 [CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebateCaso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

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Ser humano: maior espécie invasora, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

“O ser humano é um ectoparasita que está matando o seu hospedeiro”Alves (28/09/2016)“Há 10.000 anos os seres humanos e seus animais representavam menos de um décimo deum por cento da biomassa dos vertebrados da terra. Agora, eles são 97 por cento”Patterson (07/05/2014)  [EcoDebate] Em 2012, escrevi um artigo provocativo no Portal Ecodebate perguntando se a expansão do ser humano por todos os cantos e espaços do Planeta poderia ser considerada uma atividade semelhante ao que acontece na biologia com as espécies invasoras.A ideia do conflito irreconciliável e antagônico entre o ser humano e a natureza não é nova. Diversos autores já trataram a humanidade como um câncer, uma praga ou erva daninha que ataca a biodiversidade da Terra. Por exemplo, o grande ambientalista David Attenborough disse: “Somos uma praga sobre a Terra. Não é apenas a mudança climática; é o espaço absoluto, lugares para cultivar alimentos para esta enorme horda. Ou nós limitamos o nosso crescimento populacional ou o mundo natural fará isso por nós. Aliás o mundo natural já começou a fazer isso para nós agora”.Na mesma linha, o filósofo britânico John Gray, em entrevista à revista Época (29/05/2006), apresenta um prognóstico pessimista sobre a humanidade: “A espécie humana expandiu-se a tal ponto que ameaça a existência dos outros seres. Tornou-se uma praga que destrói e ameaça o equilíbrio do planeta. E a Terra reagiu. O processo de eliminação da humanidade já está em curso e, a meu ver, é inevitável. Vai se dar pela combinação do agravamento do efeito estufa com desastres climáticos e a escassez de recursos. A boa notícia é que, livre do homem, o planeta poderá se recuperar e seguir seu curso”.Também o Dr. David Suzuki (2016) considera que os seres humanos estão no topo dos predadores do mundo. Predação é uma função natural importante. Mas como a população humana cresceu, passou a influir na dinâmica dos ecossistemas rompendo os equilíbrios naturais. Ele diz que precisamos parar de procurar bodes expiatórios e olhar no espelho e perceber que a principal causa do declínio das espécies são o agigantamento das atividades antrópicas.Agora em abril de 2016, a revista Nature publicou o texto “Post-invasion demography of prehistoric humans in South America” (GOLDBERG, et. al. 2016) que trata da “invasão” humana na América do Sul. O texto reconstrói os padrões espaço-temporais de crescimento da população humana na América do Sul, usando um banco de dados recém-agregados de 1.147 sítios arqueológicos e 5.464 datações calibradas abrangendo quatorze mil a dois mil anos atrás. Demonstra que, em vez de uma expansão exponencial constante, a história demográfica dos sul-americanos é caracterizada por duas fases distintas. Em primeiro lugar, os humanos se espalharam rapidamente por todo o continente desde 14 mil anos, mas manteve-se com população baixa até 8.000 anos atrás, incluindo um período de oscilações (boom and bust) sem crescimento líquido por 4.000 anos. Só com sedentarismo generalizado a partir de 5,5 mil anos atrás houve uma segunda fase demográfica de crescimento exponencial da população. A capacidade da humanidade para modificar seu ambiente e para aumentar acentuadamente a capacidade de carga na América do Sul é, portanto, um fenômeno recente.  O estudo estabelece uma base para a compreensão de como os seres humanos contribuíram para a maior extinção do Pleistoceno de grandes mamíferos, como preguiças, cavalos e criaturas chamadas gomphotheres. Em seguida, o estudo considera que, de acordo com outras espécies invasoras, os seres humanos parecem ter sido submetidos a um declínio da população, consistente com a ideia da sobre-exploração dos recursos naturais. Mas com o surgimento de sociedades sedentárias houve novamente crescimento exponencial da população.Hoje em dia parece que o crescimento populacional ultrapassou a capacidade de carga novamente. A pergunta que fica é se os avanços tecnológicos serão capazes de superar os limites da capacidade de carga ou se a pressão das atividades antrópicas vai provocar uma grande extinção em massa das espécies endêmicas e dos demais seres vivos do Planeta.O artigo publicado na revista PLoS Biology, em agosto de 2016, estima que o mundo natural contém cerca de 8,7 milhões de espécies. Mas a grande maioria ainda não foi identificada. Os autores alertam que muitas espécies serão extintas antes que possam ser estudadas.As estatísticas mostram que as áreas de proteção ambiental cobrem apenas 20 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 15% do planeta, número que está abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que prevê 17% de cobertura em 2020. As Metas de Aichi são consideradas o maior acordo global sobre biodiversidade em nível mundial e estão voltadas à redução da perda da biodiversidade, em todo o planeta. Reunidas em cinco objetivos estratégicos, as 20 Metas de Aichi são assim chamadas, pois foram definidas durante a 10ª Conferência das Partes da Convenç

Fonte: Ser humano: maior espécie invasora, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate