Bônus demográfico e envelhecimento no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

Bônus demográfico e envelhecimento no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em agosto 3, 2016 por RedaçãoTags: populaçãoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar  [EcoDebate] Toda crise recessiva é ruim para o bem-estar humano. Mas a atual crise econômica e política do Brasil veio, particularmente, em má hora, pois o país vive o seu melhor momento demográfico e precisava de políticas públicas corretas e adequadas para aproveitar o bônus demográfico.No passado, todos os países tinham altas taxas de mortalidade e natalidade. Consequentemente possuíam uma estrutura etária rejuvenescida. Mas, com o processo de desenvolvimento e a melhoria das condições de vida e saúde, teve início a transição demográfica, que é o processo de redução da taxa bruta de mortalidade e natalidade.A transição demográfica só acontece uma vez na história de cada país e é um fenômeno fundamental para a decolagem do padrão de vida e para o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Toda nação de alta renda e alto IDH, sem exceção, passou pela transição demográfica.Portanto, um dos principais segredos da riqueza das nações está na transição demográfica que, inescapavelmente, gera um bônus demográfico que, se bem aproveitado, pode turbinar o desenvolvimento econômico e garantir alto nível de progresso humano. O efeito puramente demográfico do bônus acontece devido à mudança na estrutura etária da população. Historicamente, o bônus também só acontece uma vez e é um fenômeno temporário.As transformações demográficas podem ser vistas nas pirâmides populacionais do Brasil. Na pirâmide etária (homens no lado esquerdo e mulheres no lado direito) de 1970, o grupo de 0 a 14 anos representava 42,3% da população total e o grupo de idoso (considerando aqui como 65 anos e mais) representava somente 3,7%. Já a população em idade ativa (PIA) abarcava 54% da população total. Quanto o Brasil foi tricampeão do mundo, tinha uma estrutura etária muito jovem, segundo os dados da Divisão de População da ONU.Mas, nos anos e décadas seguintes, a estrutura foi envelhecendo, isto é, a base da pirâmide foi se estreitando e os grupos etários superiores foram se alargando. Na pirâmide de 2010, a proporção do grupo de 0 a 14 anos caiu para 25,5% da população total e o grupo de idoso aumentou ligeiramente para 6,9%. O grande aumento aconteceu entre a população em idade ativa (PIA), de 15 a 64 anos, que passou para 67,6% da população total. Ou seja, cresceu a parte da população em idade potencialmente ativa e diminuiu a parte considerada inativa (ou ativa em menor proporção).Em artigos anteriores já mostrei que o Brasil conseguiu aproveitar grande parte do seu bônus demográfico entre 1970 e 2010, pois, nesse período, houve acelerado crescimento da população economicamente ativa (PEA) e melhorias na qualidade do emprego (maior formalização), na educação, na saúde, na proteção social e na redução da pobreza.Todavia, para o Brasil dar o saldo de país de renda média para alta renda precisaria aproveitar o restante do bônus que vai até 2030. A razão de dependência demográfica vai estar em seu nível mais baixo no quinquênio 2020-25, quando a proporção da PIA deve ficar em torno de 70% da população total.A pirâmide etária de 2030 vai ter a mesma proporção da PIA ocorrida em 2010. A diferença entre as duas pirâmides é que a parcela de jovens diminuiu e a parcela de idosos aumentou, vinte anos depois. Portanto, a parcela da população potencialmente ativa estará nos níveis mais elevados de toda a história do Brasil entre os anos de 2010 e 2030. Esse é o auge do bônus demográfico no país.Mas para que o bônus se transforme em melhoria da qualidade de vida é preciso haver aumento das taxas de matrícula e melhoria na qualidade da educação, redução das taxas de mortalidade e morbidade e a inserção de uma força de trabalho mais eficiente e produtiva num quadro de pleno emprego.Isto teria de ocorrer, sem tergiversação e sem procrastinação, até 2030, pois depois desta data a estrutura etária sairá de uma situação de bônus para ônus, com o aumento da razão de dependência e a elevação da proporção de idosos. A pirâmide etária de 2060 mostra que a PIA vai voltar para a casa de 59% e a proporção de idosos com 65 anos e mais vai ultrapassar 26%.  A gravidade da crise econômica e política atual é que ela está jogando fora a última chance de o Brasil dar o salto de país de renda média para renda alta. A atual recessão está reduzindo o número de trabalhadores do país, aumentando o contingente de desempregados e frustrando uma enorme quantidade de jovens que investiram tempo e dinheiro em maiores taxas de escolaridade e agora temem fazer parte de uma geração perdida.O desemprego aberto no território nacional ultrapassou o significativo número de 10,3 milhões de indivíduos em fevereiro de 2016, segundo a PNADc do IBGE. Além disto existem as pessoas que nem trabalham, nem estudam e nem procuram trabalho (é a chamada “geração nem-nem

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Custos econômicos da poluição e degradação ambiental no Brasil, artigo de José Galizia Tundisi | Portal EcoDebate

Custos econômicos da poluição e degradação ambiental no Brasil, artigo de José Galizia TundisiPublicado em julho 28, 2016 por RedaçãoTags: esgoto, poluição, saneamentoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar Poluição na baía da Guanabara Há uma permanente e inexorável degradação ambiental no Brasil, resultante de décadas de má administração na área ambiental, descaso de autoridades municipais e de muitos estados relativamente à poluição, e o avanço permanente de urbanização e de infraestrutura que alteram os ambientes naturais e contribuem para um crescimento dos problemas de poluição e contaminação.A expansão de fronteira agrícola com o aumento do desmatamento; o uso intensivo do solo e das bacias hidrográficas, com práticas agrícolas defasadas, aplicações exageradas de fertilizantes e defensivos agrícolas; a crescente urbanização que trata somente 40% dos esgotos domésticos do Brasil; os inúmeros problemas resultantes da disposição de resíduos sólidos, que contribuem para uma poluição difusa persistente, do solo, da água e do ar; e um aumento da toxicidade em geral do solo, água e ar, que seguramente afetam a saúde humana, o funcionamento dos ecossistemas, reduzem a biodiversidade e comprometem os recursos naturais são todos causas efetivas.A mineração é uma das atividades que mais causam problemas na deterioração da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, na paisagem e na biodiversidade terrestre e aquática. Além dos acidentes, como o caso da Samarco no Vale do Rio Doce, que causam enormes impactos e grandes prejuízos em pouco tempo.As áreas costeiras também são afetadas por estuários contaminados e com alto grau de poluentes, e por degradação gerada por sedimentos em suspensão e deterioração das regiões costeiras.Dentre os principais problemas de contaminação e poluição do Brasil, está o da deterioração das águas superficiais e subterrâneas. Muitas reservas de águas doces que abastecem cidades e condomínios estão contaminadas, o que demanda um enorme investimento para o tratamento da água a fim de torná-la potável. Há poucas regiões do Brasil atualmente com águas naturais pristinas e sem contaminação.Todo este conjunto de problemas, que resulta da intensificação das atividades humanas-urbanização, produção de alimentos, produção de energia, resulta em um impacto econômico certamente de grandes proporções ainda não mensurado adequadamente, mas certamente muito significativo (Tundisi et al., 2015).Por exemplo, o tratamento de água para produção de água potável é extremamente dispendioso. São precisos de R$ 200,00 a R$ 300,00 reais para a produção de 1.000 m3 de água potável a partir de fontes degradadas. O custo para tratar águas pristinas e não contaminadas pode chegar, no máximo, a R$ 10,00 reais (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2010). Este é um exemplo. Há outros custos não contabilizados: internações por doenças de veiculação hídrica; número de horas de trabalho perdidas por ausência devido a doenças com origem nas águas contaminadas; número de horas perdidas nas escolas por ausência devido a doenças de veiculação hídrica; intoxicações por substâncias tóxicas – não custa repetir.Sobre este conjunto complexo deve-se ainda considerar o impacto das mudanças climáticas e o acúmulo dos POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) nas águas superficiais e subterrâneasHá, portanto, um enorme conjunto de danos à saúde pública, não contabilizados ou dimensionados, resultantes da poluição e contaminação. Em áreas metropolitanas a baixa qualidade do ar pode produzir inúmeras doenças respiratórias cujo impacto econômico deve ser mensurado.A degradação ambiental no Brasil decorre de um quadro cada vez mais difícil de controlar: as leis existentes são adequadas, já a fiscalização é, no entanto, ineficiente e o treinamento e capacitação de agentes públicos são precários ou reduzidos. O monitoramento é pouco efetivo em escala nacional. Esta deveria prover um banco de dados competente e útil para promover políticas de recuperação e conservação.Quanto custa a poluição no Brasil? Com a palavra os economistas, para apresentarem os estudos com as ferramentas de que dispõemUm dos problemas que mais afetam a população está relacionado com a qualidade das águas. Recreação, turismo, abastecimento público ficam ameaçados pela eutrofização, que representa o impacto de nitrogênio e fósforo por esgotos não tratados. Sobre esse conjunto complexo deve-se ainda considerar o impacto das mudanças climáticas e o acúmulo dos POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) nas águas superficiais e subterrâneas.Tais poluentes, uma inexorável e permanente contaminação, são resultado da adição de medicamentos, cosméticos, antibióticos, hormônios dissolvidos nas águas de rios, represas e águas subterrâneas e constituem a mais recente ameaça à saúde humana, à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas (Young et al., 2015).O Brasil muito se beneficiaria se o custo agregado deste conjunto todo de de

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Pegada ecológica no mundo, Canadá e Índia: o que fazer? artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

Pegada ecológica no mundo, Canadá e Índia: o que fazer? artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em julho 29, 2016 por RedaçãoTags: modelo de desenvolvimento, populaçãoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar “O lema do debate sobre população e desenvolvimento no século XXI deveria ser:menos gente, menos consumo, menor desigualdade social emaior qualidade de vida humana e ambiental”.Alves, 20/07/2016  [EcoDebate] O Canadá e a Índia são dois grandes países, com ampla disponibilidade de recursos naturais, e uma biocapacidade total de aproximadamente 560 milhões de hectares globais. Porém, o Canadá possui superávit ambiental e a Índia possui déficit ambiental.Vamos recordar os conceitos da Global Footprint Network. A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais, permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta. A biocapacidade é a área que um país tem para satisfazer as necessidades de consumo e assimilação dos resíduos dos seus habitantes, correspondendo à capacidade de geração e regeneração dos serviços ecossistêmicos.A população mundial tinha uma Pegada Ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) em 2012. A Pegada do Canadá era de 8,2 gha e a da Índia era de 1,2 gha. Assim, a maior Pegada Ecológica do Canadá reflete o maior padrão de consumo do país. Os canadenses, em média, consumiam quase 7 vezes mais do que os indianos, em 2012. Se o padrão de consumo fosse o único problema a situação ecológica do Canadá seria muito pior do que a da Índia.Porém, a Pegada per capita é só parte do problema. Para se calcular a Pegada Ecológica total é preciso multiplicar a Pegada per capita pela população. Fazendo estas contas achamos que a Pegada total da população canadense (de 35 milhões de habitantes) era de 284 milhões de gha. Como a biocapacidade era de 560 milhões de gha, então o Canadá apresentou superávit ambiental. A biocapacidade era o dobro da Pegada Ecológica total.A Pegada Ecológica total da Índia (população de 1,237 bilhão de habitantes) era de 1,435 bilhão de gha. Como a biocapacidade era de 560 milhões de gha, então a Índia apresentou grande déficit ambiental. A Pegada Ecológica total da índia era mais do dobro da biocapacidade total e o déficit ambiental está crescendo e tende a aumentar ainda mais com o crescimento demoeconômico do país, que inclusive vai passar a China como a nação mais populosa do mundo a partir de 2025.O que estes números mostram é que o alto padrão de consumo não gera déficit ambiental se o volume da população é pequeno em relação à biocapacidade. E um padrão de consumo baixo, como na Índia, pode levar ao déficit ambiental se a população for muito grande em relação à biocapacidade.Nos últimos 45 anos a Pegada Ecológica mundial ultrapassou a biocapacidade do Planeta. Desde o início dos anos 1970, o déficit ambiental vem subindo constantemente. Em 2012, o mundo tinha uma população 7,1 bilhões de pessoas, com uma pegada ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 1,73 gha, como mostra o gráfico abaixo.  O mundo tinha em 2012 uma biocapacidade total de 12,2 bilhões de hectares globais, mas tinha uma pegada ecológica de 20,1 bilhões de hectares globais. Portanto, a pegada ecológica ultrapassava a biocapacidade em 64%. Ou dito de outra maneira, o mundo estava consumindo o equivalente a 1,64 planeta. Portanto, a população mundial vive no vermelho e provoca um déficit ambiental que cresce a cada ano.A planeta Terra é único. Não dá para usar mais de um planeta, no longo prazo, sem destruir toda a herança acumulada pela natureza durante milhões de anos. Portanto, é preciso decrescer do uso de 1,64 planeta para 1,0 planeta. Existem três alternativas: 1) diminuir o padrão de consumo dos habitantes do globo (principalmente o consumo conspícuo e os tipos de consumo mais poluidores e degradadores do meio ambiente); 2) diminuir o volume da população mundial; e 3) diminuir o consumo e a população ao mesmo tempo.Evidentemente a terceira alternativa é a mais rápida. Acontece que não dá para reduzir o volume da população mundial no curto prazo, pois a estrutura da pirâmide etária mundial é ainda jovem. Atualmente, a taxa de fecundidade total (TFT), na média mundial, está em torno de 2,5 filhos por mulher e na tendência de queda lenta da TFT a população mundial chegaria a mais de 11 bilhões de habitantes em 2100. Se a taxa de fecundidade cair em ritmo mais rápido nos próximos anos, para algo em torno de 1,7 ou 1,8 filho por mulher, então a população mundial começaria a diminuir em meados do século XXI e poderia ficar abaixo de 7 bilhões de habitantes em 2100. Se o mundo atuar agora poderá reduzir o ritmo do crescimento atual e iniciar um decrescimento na segunda metade do século XXI.Assim, a Terra pode ter 4 bilhões de

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Faixas Salariais x Classe Social – Qual a sua classe social?

Atualizado em 30.06.2016 08:41 por Thiago Rodrigo Alves Carneiro com 561086 visualizações.

Há vários critérios para definir classes sociais, sem uma predileção específica na literatura. Saiba mais sobre dois dos critérios mais utilizados: o critério Brasil e o critério por faixas de salários-mínimo.

Duas visões relevantes sobre Classes Sociais

Atualmente, muitas e muitas pesquisas sobre consumo costumam relatar hábitos segundo as classes sociais. Entretanto, a metodologia de cálculo e caracterização de cada uma das classes é bastante difusa e há, atualmente, pelo menos duas visões relevantes:
(1) ABEP – Associação Brasileiras de Empresas de Pesquisa, mais conhecida como Critério Brasil.
(2) IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, utilizado no censo populacional.

CRITÉRIO BRASIL – ABEP e o Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) usado a partir de 2008

A visão da ABEP é a utilizada pela maioria dos institutos de pesquisa.
Segundo a ABEP, o Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) é um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade de alguns itens domiciliares de conforto e grau escolaridade do chefe de família) para diferenciar a população. O critério atribui pontos em função de cada característica domiciliar e realiza a soma destes pontos. É feita então uma correspondência entre faixas de pontuação do critério e estratos de classificação econômica definidos por A1, A2, B1, B2, C1, C2, D, E.
As pontuações apresentadas abaixo para itens de conforto e grau de escolaridade são utilizadas a partir de abril de 2011 e tem como fonte o documento CCEB 2008 / LSE 2009 disponível no site da ABEP.

Critério do IBGE para definição de classes sociais

A visão do IBGE, baseada no número de salários mínimos, é mais simples e divide em apenas cinco faixas de renda ou classes sociais, conforme a tabela abaixo válida para o ano de 2015 (salário mínimo em R$ 788,00).
Esta tabela foi obtida a partir de vários artigos sobre classes sociais nas pesquisas do IBGE divulgados na imprensa e é parecida com a visão da FGV.

CLASSE SALÁRIOS MÍNIMOS (SM) RENDA FAMILIAR (R$)
A Acima 20 SM R$ 15.760,01 ou mais
B 10 a 20 SM De R$ 7.880,01 a R$ 15.760,00
C 4 a 10 SM De R$ 3.152,01 a R$ 7.880,00
D 2 a 4 SM De R$ 1.576,01 a R$ 3.152,00
E Até 2 SM Até R$ 1.576,00

Confira o salário mínimo histórico no PortalBrasil.

Descubra a sua classe social com pesquisa interativa do Datafolha

Versão em flash divulgada na página do jornal Folha de S. Paulo.

Veja a evolução do poder de compra e das fatias para cada uma das classes sociais no Brasil

Pirâmide de Renda no Brasil – Segundo semestre de 2013

Pirâmide de Renda no Brasil

Apenas três em cada dez brasileiros são consumidores conscientes, mostra pesquisa | Portal EcoDebate

Apenas três em cada dez brasileiros são consumidores conscientes, mostra pesquisaPublicado em julho 21, 2016 por RedaçãoTags: consumo & consumismoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar Indicador abrange práticas financeiras, ambientais e sociais. Em meio à crise econômica, consumidor contem despesas e evita compras não planejadas Com o objetivo de acompanhar as mudanças nos hábitos de compra e outras ações cotidianas e também compreender se os brasileiros caminham em direção ao consumo sustentável, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), calcularam pelo segundo ano consecutivo o Indicador de Consumo Consciente (ICC), que atingiu 72,7%, permanecendo estável em relação a 2015, quando estava em 69,3%. O ICC pode variar de 0% a 100%: quanto maior o índice, maior é o nível de consumo consciente. Em uma escala de 1 a 10, os entrevistados dão nota média de 8,9 para a importância do tema consumo consciente, mas apenas três em cada dez brasileiros (32,0%) podem ser considerados consumidores conscientes de fato – um aumento de 10,2 pontos percentuais em relação a 2015, quando esse percentual era de 21,8%.Apesar de ter apresentado melhora, o aumento do indicador foi discreto em relação a 2015. “O consumidor brasileiro ainda possui desempenho abaixo do que é considerado ideal, representando um consumidor em transição. Assim como em 2015, os entrevistados associam mais frequentemente o consumo consciente com atitudes relacionadas apenas a aspectos financeiros, ficando em um segundo plano as esferas ambientais e sociais”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. O principal benefício percebido pelos entrevistados continua a ser o de economizar e fazer o dinheiro render mais (37,1%), prevalecendo a dimensão financeira do consumo consciente.  O estudo do SPC Brasil segmentou os consumidores em três categorias, de acordo com a intensidade da prática dos comportamentos considerados adequados: ‘consumidores conscientes’ – que apresentam frequência de atitudes corretas acima de 80% – ‘consumidores em transição’, cuja frequência varia entre 60% e 80% de atitudes adequadas e ‘consumidores nada ou pouco conscientes’, quando a incidência de comportamentos apropriados não atinge 60%.Para elaborar o indicador, foi realizada uma pesquisa com uma série de perguntas para investigar os hábitos, atitudes e comportamentos que fazem parte da rotina dos brasileiros. Estas questões permearam as três dimensões que compõem o conceito de consumo consciente, e todas elas obtiveram resultados abaixo do desempenho ideal de 80%: práticas ambientais (72,5%), práticas financeiras (73,8%) e práticas sociais (70,6%). Apesar de apresentarem pequenos aumentos quando comparados a 2015, apenas a diferença percentual no subindicador relacionado às finanças é estatisticamente superior. Antes de fazer novas compras, 90% avaliam o impacto no orçamentoO subindicador de Práticas Financeiras foi o único a apresentar um crescimento significativo, de 5,8 pontos percentuais em relação a 2015, ficando em 73,8% em 2016 ante 68,0% no ano passado. Este crescimento está possivelmente associado não a uma maior consciência dos consumidores, mas a restrições financeiras e receio do futuro, gerados pela crise econômica que o país atravessa.“À primeira vista, este poderia ser um sinal de que o brasileiro está caminhando em direção a hábitos de consumo mais racionais, mas não se pode deixar de relacionar esses dados ao contexto econômico recessivo atual do país. O crescimento dos níveis de desemprego, inflação alta e as incertezas em relação ao futuro do país fazem com que o consumidor adote uma postura mais precavida em relação a suas finanças”, afirma Kawauti. Para a economista, por um lado o consumidor age com maior cautela nas compras e toma mais atitudes para economizar, no sentido de fazer seu orçamento render mais; por outro, ele parece mais pressionado a resistir às compras sem planejamento, pois entende que esse comportamento se torna ainda mais arriscado em tempos de crise.O subindicador de práticas financeiras observa a habilidade do entrevistado para lidar com os apelos do consumismo e a capacidade de gerenciar as próprias finanças sem fazer dívidas ou comprometer o orçamento. Entre as 18 atitudes investigadas, 11 apresentaram crescimento significativo em 2016, quando comparado ao ano passado, sendo as mais praticadas a avaliação do impacto de compras no orçamento antes de realizá-las (90,2%), não ter vontade de fazer compras por ver os amigos com coisas novas que estão na moda (87,7%), sempre pesquisar preços (86,9%), priorizar a qualidade dos produtos e não as marcas (86,6%) e preferir consertar um produto que ainda pode ser utilizado a comprar um novo (86,0%, 80,9% em 2015).Frear o impulso de realizar compras desnecessárias também tem sido um hábito comum do consumidor brasileiro: 82,9% garantem que geralmente quando sentem vontade de c

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Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz AlvesPublicado em julho 20, 2016 por RedaçãoTags: crise ambiental, populaçãoFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar “Certo ar de falência, certa estrelana testa, certa sorte bifronte, certosobjetos entesouradosno fundo de uma mala, certa mágoaambígua, o som de certos ambientes, aimpressão incerta de estar numatravessia sem freios, a defesade certos itens na lembrançacaolha, certoscalafrios sem causa, o graude inocência e tristeza em certas horassombrias, a importância de certosdetalhes, a pergunta não-feita e sua certaresposta incerta, o brilhoanterior a certos sinais dadospela palavra espanto”Leonardo Fróes  [EcoDebate] O sociólogo Ulrich Beck, no livro “Sociedade de Risco: rumo a uma outra modernidade” (Editora 34, 2010) faz uma distinção entre a “modernidade clássica” (ou primeira modernidade) e a modernidade tardia (ou segunda modernidade). No primeiro caso, quando prevalecia a “sociedade industrial” ou “sociedade de classes” a dinâmica econômica e demográfica girava em torno da questão de como a riqueza socialmente produzida poderia ser distribuída de forma socialmente desigual e ao mesmo tempo “legítima”: “O pensamento e a ação das pessoas eram dominados pela evidência da carência material, pela ‘ditadura da escassez’” (p. 24).Mas na modernidade tardia surge um novo paradigma da sociedade de risco. Assim como no século XIX a modernização dissolveu a esclerosada sociedade agrária estamental e, ao depurá-la, extraiu a imagem estrutural da sociedade industrial, hoje a modernização dissolve os contornos da sociedade industrial e, na continuidade da modernidade, surge uma outra configuração social.Beck diz: “Enquanto na sociedade industrial, a ‘lógica’ da produção de riquezas domina a ‘lógica’ da produção de riscos, na sociedade de risco, essa relação se inverte”. Na reflexividade dos processos de modernização, as forças produtivas perderam a inocência. O acúmulo de poder do progresso tecnológico-econômico é cada vez mais ofuscado pela produção de riscos” (p. 15). Entre os principais riscos da modernidade radicalizada estão a degradação ambiental e o aquecimento global. Nesses novos conflitos ecológicos, o que está em jogo são negatividades: “perdas, devastação e ameaças”.Faço a revisão acima, para refletir sobre a questão populacional no quadro atual da modernidade tardia e da sociedade de risco. Em especial, pretendo questionar a validade do bordão “O desenvolvimento é o melhor contraceptivo” lançado na Conferência Mundial de População, ocorrida em 1974, na cidade de Bucareste. Como se sabe, este bordão foi lançado para combater as visões neomalthusianas que defendiam uma aceleração da transição da fecundidade no mundo e para marcar a defesa do desenvolvimentismo como forma de solucionar os problemas da pobreza e do engrandecimento das nações do “Terceiro Mundo”.Os dois países mais populosos do mundo (China e Índia), com apoio do demais países do movimento dos “não-alinhados” (inclusive Brasil) colocaram o crescimento econômico como prioridade da agenda nacional e internacional. O que a Conferência de População de Bucareste fez foi reforçar a intenção de mimetizar o processo de desenvolvimento da sociedade industrial do “Primeiro Mundo”, como se o modelo da primeira modernidade fosse um evento positivo (a la Augusto Comte) que mereceria ser globalizado, generalizado e absorvido por todos os países do Planeta. O desenvolvimento é encarado como a utopia da grandeza econômica, nacional, cultural, religiosa, militar, etc.A ideologia desenvolvimentista no campo de população e da acumulação de capital, em geral, ignora ou subestima os riscos ambientais globais e minimiza os desafios do crescimento demoeconômico em nome da escalada do progresso industrial e do avanço das forças produtivas capazes de dominar e controlar a natureza. Ou seja, a Conferência de Bucareste (e de certa forma o ODM, do ano 2000 e o ODS, da agenda 2015-2030) estabeleceu uma prioridade em relação à transição da economia agrária e rural para a economia urbano-industrial em detrimento da transição demográfica. Como disse o Papa Paulo VI, no espírito da encíclica Humanae Vitae, com seus princípios natalistas e populacionistas: “Precisamos aumentar o banquete e não diminuir os comensais”.Mas em 1960, o mundo tinha uma população de 3 bilhões de habitantes. Em 2016 já são 7,4 bilhões de habitantes. Um aumento de 4,4 bilhões em apenas 56 anos. A projeção média para o final do século é de 11,2 bilhões de habitantes em 2100. Serão, portanto, acrescidos outros 4 bilhões. Se fosse na lógica da segurança da “modernidade sólida” (expressão de Bauman) a questão central seria como produzir riquezas e como repartir os seus frutos. Mas na lógica da sociedade de riscos, este crescimento populacional pode simplesmente estar colocando pessoas no mundo para sofrer com as inseguranças da modernidade tardia e colocar ainda mais estresse sob

Fonte: Os riscos ambientais e a queda da natalidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves | Portal EcoDebate

O custo ambiental de comer carne | Portal EcoDebate

O custo ambiental de comer carnePublicado em julho 18, 2016 por RedaçãoTags: alimentação, danos ambientaisFacebookTwitterGoogle+LinkedInWhatsAppGoogle GmailYahoo MailPrintFriendlyCompartilhar  Na medida em que as ciências ambientais avançam, é cada vez mais evidente que o apetite humano por carne animal agrava a maioria dos problemas ambientais, como o desmatamento, a erosão, a escassez de água potável, a contaminação atmosférica e da água, a mudança climática e a perda de biodiversidade, a injustiça social, a desestabilização das comunidades e a expansão das doenças”.O artigo foi publicado por Mundo Nuevo e reproduzido por Rebelión, 15-07-2016. A tradução é do Cepat.Eis o artigo.Gostemos ou não, comer carne é um problema para todos no planeta.Pergunte se comer carne é um assunto de preocupação pública e verá que a maioria das pessoas fica surpresa. Comer ou não carne (ou o quanto) é um tema pessoal, dirão. Talvez haja algumas implicações para o seu coração, especialmente se você tem sobrepeso. No entanto, não é um tema público importante que se espera que os candidatos à Presidência ou o parlamento abordem, como a educação, a economia e a saúde da população.Inclusive, se você é um dos poucos que reconhecem que comer carne tem importantes implicações ambientais, estas podem parecer relativamente pequenas. Sim, houve relatórios sobre a derrubada da mata tropical para favorecer os latifundiários, e as pastagens nativas estão sendo destruídas pela pecuária. Mas, até pouco tempo, poucos ambientalistas tinham apontado que comer carne tem a mesma importância que os assuntos abordados pelo Greenpeace ou Amigos da Terra.Na medida em que as ciências ambientais avançam, é cada vez mais evidente que o apetite humano por carne animal agrava a maioria dos problemas ambientais, como o desmatamento, a erosão, a escassez de água potável, a contaminação atmosférica e da água, a mudança climática e a perda de biodiversidade, a injustiça social, a desestabilização das comunidades e a expansão das doenças.Como é que um tema aparentemente pequeno como o consumo individual de carne passou tão rapidamente das margens da discussão sobre a sustentabilidade ao centro do debate? Em primeiro lugar, porque o consumo de carne per capita mais do que duplicou no último meio século, apesar do aumento da população mundial. Por conseguinte, a demanda de carne se multiplicou por cinco. O que aumentou a pressão sobre a disponibilidade de água, terras, pastos, fertilizantes, energia, a capacidade de tratamento de resíduos (nitratos), e a maior parte dos limitados recursos do planeta.DesmatamentoO desmatamento foi o primeiro dano ambiental importante causado pelo desenvolvimento da civilização. Grandes superfícies de matas foram cortadas para dedicá-las à agricultura, que incluía a domesticação tanto de plantas comestíveis como de animais. Os animais domésticos requerem muito mais superfícies que as plantações para produzir a mesma quantidade de calorias, mas isso não importou realmente durante os 10.000 anos em que sempre existiram mais terras para descobrir e expropriar. Em 1990, no entanto, o Programa de Fome no mundo, da Brown University, calculou que as plantações mundiais, se fossem distribuídas equitativamente e sem destinar uma porcentagem importante ao gado, poderiam fornecer uma dieta vegetariana para 6 bilhões de pessoas, ao passo que uma dieta abundante em carne, como a dos moradores dos países ricos, podia alimentar somente 2,6 bilhões.Em outras palavras, com uma população atual de 6,4 bilhões, isso quer dizer que já padecemos de um déficit de terras, agravado pela sobre-exploração pesqueira dos oceanos, que estão sendo rapidamente arruinados. A curto prazo, a única maneira de alimentar toda a população mundial, se continuarmos comendo carne na mesma porcentagem ou se a população mundial continuar crescendo ao ritmo previsto (8,9 bilhões em 2050), é derrubar mais matas. A partir de agora, a questão se obtemos nossas proteínas de calorias de animais ou de plantas tem implicações diretas sobre a quantidade de mata restante que precisamos arrasar.Na América Central, 40% das matas tropicais foram cortadas ou queimadas nos últimos 40 anos, principalmente para pastagens do gado para o mercado de exportação, muitas vezes para a carne dos hambúrgueres dos Estados Unidos. A carne é muito cara para os pobres nos países exportadores de carne, mas, no entanto, em muitos casos, os pastos para o gado substituíram as formas de agricultura tradicional muito produtivas.Os relatórios do Center for International Forestry Research destacam que o rápido crescimento nas vendas de carne bovina brasileira acelerou a destruição da mata tropical da Amazônia.A destruição das campinas foi acelerada com a expansão das manadas de animais domesticados, e o meio ambiente no qual viviam os animais selvagens como bisontes e antílopes foi pisoteado e replantado com monoculturas de plantas forrageiras para o gado.As reservas de água doceA água doce, da mesma maneira q

Fonte: O custo ambiental de comer carne | Portal EcoDebate